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Salir do Tempo 2013 | Regresso ao passado já tem programa completo

Está tudo a postos para mais uma edição do Salir do Tempo – Festival de Artes Medievais. Durante dois dias (13 e 14 de julho), a vila de Salir, no interior do Concelho de Loulé, vai regressar ao seu passado e reviver os momentos que fizeram a história da Reconquista e em que este local foi ponto estratégico.

Espetáculos circenses e cénicos, teatralizações, salão de chá, torneios de armas apeados e a cavalo, animação itinerante, grupos de dança medieval, treinos militares, demonstrações bélicas, encantadores de serpentes, dança do ventre, malabarismo, falcoaria, dromedários e acampamentos medievais católicos e muçulmanos vão animar Salir.

As Artes Medievais vão estar mais uma vez em destaque nesta edição do Salir do Tempo. No sábado, o evento arranca pelas 16h00, com a abertura do Mercado Medieval. Pelas 17h00, realiza-se a visita do Almotacem e do Meirinho à Feira e aferição dos pesos e medidas nos tendeiros, almocreves e carroças de bufarinheiros.

Nesta recriação, pelas 18h00, está previsto o momento em que o Arauto lê a postura que decreta 2 dias de festa e de feira com isenção de portagens; o Rabi lê a Carta de Privilégios que o Emir concedeu aos moradores da comunidade judaica reconhecendo-lhes o direito de manterem os seus costumes e tradições.

A partir das 19h00, decorrerão jogos e provas de destreza a cavalo pelos guerreiros de Alá na liça do Castelo. E como num momento festivo a gastronomia é fundamental, haverá um espaço de comeres de petiscos fartos e beberes frescos nas locandas do terreiro.

Pelas 21h00, os visitantes poderão participar nas danças e folguedos de índole sarracena. Pelas 22h00, um momento de recriação histórica: toque a rebate nas ameias do Castelo – os nazarenos de Coimbra sob o comando de Paio Peres Correia atacam Salir. Todos os homens pegam em armas para defender a povoação. Contudo, o assalto é bem-sucedido e os homens e mulheres de Salir negoceiam uma honrosa rendição.

A noite de sábado encerra com um espetáculo de malabares de fogo sobre a lenda da moura Aben-Fabilla.

Já no domingo, as portas voltam a abrir às 16h00, com o Mercado Medieval e a abertura do arraial e arruada pelas ruas do burgo e visita do Meirinho e Mesteirais, pelas 17h00. Segue-se, às 18h00, o Cortejo Régio pelas ruas do burgo; os judeus de Salir assinam o contrato de casamento entre Rebeca da casa de Isaque Cohen e Leví da casa de Jacob Zaboca. O Gabay Sedahah, tesoureiro encarregado das obras de assistência e educação, o Hazan, leitor da sinagoga, encarregado da liturgia durante a oração da Minh’ah, o Shamash que cuida da iluminação da sinagoga e cobra donativos serão testemunhas oficiais do matrimónio realizado pelo H’erem.

As atenções centram-se depois nos comeres e beberes nas tabernas e casas de pasto do burgo. E para animar as hostes, haverá um Torneio de Armas a Cavalo na Liça para adubamento de cavaleiros.

A partir das 21h00, mais um momento de recriação histórica. El-Rei D. Afonso III concede carta de foral a todos os mouros forros do reino do Garb. Para celebrar este ato, haverá um momento de danças e folias com saltimbancos e menestréis.

Para encerrar o Salir do Tempo 2013, decorrerá o espetáculo de malabares de fogo: O guardião do tesouro.

Recriações históricas

Esta recriação baseia-se no cerco e assédio ao burgo mouro, o assalto e a vitória das forças de D. Paio Peres Correia coadjuvado pelos cruzados do norte da Europa. No Castelo de Salir, aguarda  Paio Peres Correia a chegada de D. Afonso III para agremiarem as tropas na conquista definitiva do reino do Algarve.

Durante a permanência dos homens de armas, acorrem os artesãos e mesteirais a montar as suas bancas e tendas. O bulício do comércio atrai saltimbancos e viandantes e uma pequena cidadela é erguida nas ruas do burgo. Em tréguas, mouros, judeus sefarditas e moçarabes convivem com a cristandade, trocam-se bens, apuram-se os combates e limpam-se as armas.

À noite, espectáculos de malabares de fogo sobre as lendas locais, nomeadamente a Lenda da Moura Encantada. Uma lenda afirma que a povoação deve o seu nome à filha do alcaide mouro de Castalar, Aben-Fabilla. Ameaçado pelas tropas de D. Afonso III, fugiu do castelo, tendo antes enterrado o seu tesouro, planejando retornar mais tarde para resgatá-lo. Quando os cristãos abordaram o castelo, encontraram-no abandonado, ocupado apenas pela jovem filha do alcaide, que rezava com fervor. Interpelada, explicou aos seus captores que havia preferido ficar no castelo a “salir”. Do alto de um monte vizinho, Aben-Fabilla avistou a filha cativa dos cristãos e, com a mão direita, traçou no ar o signo de Salomão, enquanto proferia uma fórmula mágica. Nesse momento, o cavaleiro D. Gonçalo Peres, que falava com a moura, viu-a transformar-se numa estátua de pedra. A notícia da moura encantada espalhou-se e, um dia, a estátua desapareceu. Em memória desse estranho sucesso ficou aquela terra conhecida por Salir, em homenagem à coragem da jovem moura. Ainda hoje se acredita que, em certas noites, a moura encantada aparece no Castelo de Salir.

CM-Loulé

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