Insetos regressaram após o uso do helicóptero. Autarca promete não desistir desta guerra e usar novos trunfos.
Bastaria uma palmada certeira para esmagar um mosquito, mas o problema nas freguesias de Alcantarilha e Armação de Pêra, em Silves, não se resolve com essa facilidade. Há quase um mês que os mosquitos se mostram invencíveis até perante a artilharia pesada. Neste caso, a artilharia usada foi o helicóptero Kamov, que já combateu centenas de fogos florestais, mas esta semana foi derrotado pelos insetos que continuam a incomodar moradores e turistas do Algarve.
Na quarta e na quinta-feira, no pico do calor, o Kamov usou toda a sua potência na ribeira de Alcantarilha para exterminar as larvas e a população de mosquitos adultos. A estratégia consistiu na combinação dos ventos fortes originados pela rotação das pás do helicóptero com o consequente turbilhão nas águas. O resultado? “Nas primeiras horas houve uma melhoria”, conta João Palma Santos, presidente da junta de freguesia.
Mas no dia seguinte, voltou tudo ao mesmo. Os mosquitos regressaram, mostrando que não se deixam intimidar por um helicóptero russo e prontos para novo combate.
“Infelizmente não se vê grandes mudanças. A praga continua a importunar os moradores, sobretudo ao pôr-do-sol”, conta o presidente de junta, explicando que como efeito as esplanadas de Alcantarilha e de Armação de Pêra têm estado vazias aos finais de tardes e os parques de campismo sofreram uma queda na clientela.
Mais otimista, contudo, está o presidente da Câmara Municipal de Silves, Rogério Pinto, convencido de que a guerra não está perdida: “Claro que os mosquitos continuam a incomodar mas os efeitos da ação do helicóptero são visíveis”. A começar pelos moradores de Armação de Pêra que até há poucos dias “nem conseguiam abrir as janelas” e agora já deixam a aragem e a luz solar entrar em suas casas.
Com muito ou pouco otimismo, o certo é que os mosquitos continuam a atacar as duas freguesias de Silves e será preciso encontrar novas estratégias. Rogério Pinto sabe disso e assegura que, enquanto não expulsar os insetos do seu município, não irá descansar: “estamos em cima e não vamos desistir”.
A missão não é fácil, uma vez que os insetos já resistiram a quase tudo. Desde larvicidas e inseticidas lançados em grande escala nas zonas inundadas até um dique construído na ribeira de Alcantarilha para conter as águas e impedir que se alastrem a outras ribeiras, provocando novos focos de infestação.
Foram algumas tentativas que minimizaram o incómodo mas não acabaram de vez com a praga. O autarca, contudo, lembra que tem outros trunfos, embora sejam medidas a adotar como último recurso. Abrir a ribeira de Alcantarilha ao mar é uma das alternativas mas esta é uma decisão que cabe à Administração da Região Hidrográfica do Algarve. Provocar um incêndio controlado é outra solução mas o autarca adverte para os eventuais riscos ambientais desta opção.
O presidente da junta de freguesia de Alcantarilha, no entanto, só vê uma saída que nem sequer depende da tecnologia ou do empenho da autarquia. “Muito provavelmente vamos ter de esperar pelas próximas chuvas para renovar as águas da ribeira”, defende João Palma Santos.
Esperam-se novos capítulos nos próximos dias para descobrir se é a autarquia ou são os mosquitos que vão vencer esta guerra travada em Silves desde meados de Julho. Ao longo destas semanas, a única certeza que os moradores podem ter é que a praga não tem consequências para a saúde pública. As picadas, garante a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), não implicam riscos de doenças porque a espécie não está infetada. Segundo a APA, na origem da infestação estiveram a rutura numa conduta de água e três descargas de águas tratadas e de cultivo.
Fonte: Kátia Catulo, jornal i
Categorias:Silves





