Uma tarde memorável no salão de festas do Aquashow, em Quarteira. Aconteceu no sábado, dia 12 de abril. Estamos a falar do Baile da Pinha, com casa cheia, animado pelo artista Quim Gonçalves, numa organização da Junta de Freguesia de Quarteira com o apoio da Câmara Municipal de Loulé. A iniciativa contou com a presença do Presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, Telmo Pinto, do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Hugo Nunes e do Adjunto do Presidente da CM Loulé, Carlos Carmo.
- Quim Gonçalves
- Hugo Nunes e Carlos Carmo marcaram presença
- Telmo Pinto e o par premiado
AS ORIGENS DO BAILE DA PINHA OU PINHATA
Este baile, também conhecido por Baile da Pinhata, vem de épocas antigas e realizava-se num espírito cristão litúrgico do domingo “Laetare”, domingo em que, sensivelmente ao meio da Quaresma, a Igreja convidava os fiéis a porem de parte a penitência e celebrarem a alegria da antevisão da Ressurreição de Jesus na Páscoa que se aproximava. Enquadrava-se, portanto, no mesmo sentido em que se insere o “Demi-Carême” francês.
O baile realiza-se normalmente na véspera da Páscoa, quadra em que as famílias que residem fora aqui se reencontram. Com a sala esplendorosamente decorada e repleta de gente, chega o momento solene da abertura do baile, com a chegada da corte real, Rei e Rainha do baile, acompanhados pelos respectivos vassalos e aias ou damas de honra. A fantasia e riqueza dos trajes dependem muito da imaginação, do brio e da bolsa dos pais dos eleitos do baile do ano anterior. Esta festa assemelha-se nalguns aspectos a um casamento.
O fotógrafo contratado desloca-se às casas do rei e da rainha para fotografá-los com os seus pares de honra e familiares. O rei e a rainha, depois de instalados no trono e de posar para as objetivas, inauguram a pinhata, dançando só os dois, ao som de aplausos da multidão, a primeira peça do baile, enquanto o séquito faz círculo à sua volta.
A dança seguinte é executada pelas aias e pelos vassalos. Seguidamente, dançam os vassalos com as respetivas aias e os reis. Só depois começa o baile para toda a gente. Dois grandes bolos oferecidos pelo par real são servidos com Vinho do Porto ou Espumante. Fazem-se leilões como em todos os bailes e dança-se alegremente até altas horas da noite.
Por volta das 4 horas da manhã, é chegado o momento de maior expetativa, de grande emoção. Trata-se da “dança da pinha” ou “dança da fita”. Só os pares (solteiros) que compraram as fitas, previamente numeradas por sorteio, é que podem dançar. (Noutros bailes as fitas são leiloadas). A enorme pinha de madeira encontra-se pendurada ao teto no meio da sala, envolvida por dezenas de fitas que pendem. A dança da pinha pode durar uma hora e tem por finalidade abrir a pinha.
Os vassalos e aias também podem participar nesta dança, se para tal tiverem adquirido as respetivas fitas. Ao longo da dança, o animador do baile vai anunciando, por ordem, o número do par, a pinha é descida à altura de se puxar uma fita. A dança dura até que a fita premiada aciona um mecanismo de abertura da pinha. Nessa altura, as luzes da sala apagam-se e acendem-se as luzes multicoloridas que se encontram no interior da pinha
É o momento de maior emoção, em que há gritos de alegria e se aplaude o novo rei e a nova rainha, que abriram a pinha. É o fim de um reinado e o começo de outro. Depois, os novos eleitos dão início a outra série de danças. Estes escolherão novos vassalos e novas aias e recebem a coroa que lhes dá “poderes reais” para a “pinhata” do ano seguinte.
Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve
Fotos: Junta de Freguesia de Quarteira
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