Por: Hugo Franco | Expresso
Polícia não consegue encontrar o jovem surfista austríaco, desaparecido em Aljezur, em março. Buscas envolveram retiros espirituais no Alentejo e Algarve.

Christina Kaiser, de 21 anos, andou em Portugal à procura do irmão, sem sucesso, tendo já regressado a Áustria – foto Nuno Botelho
As autoridades portuguesas continuam sem saber o que aconteceu a Wolfgang Kaiser, de 25 anos, cerca de dois meses depois do seu desaparecimento em Aljezur.
Nos últimos dias, mais de 40 homens (GNR, bombeiros e Proteção Civil) procuraram-no junto à costa vicentina, nas arribas onde ‘Wolfy’, como era conhecido entre os amigos, costumava caminhar. E em dezenas de praias onde praticava surf. Mais recentemente, foram também feitas buscas em retiros espirituais no interior algarvio e alentejano. Igualmente sem sucesso.
“Estes locais de retiro não costumam ter rede de telemóvel. E havia uma possibilidade, ainda que remota, de o austríaco ter decidido ir fazer meditação durante algumas semanas, sem ter avisado os amigos ou a família”, esclarece ao Expresso uma fonte próxima da investigação. Foi entretanto levantada a hipótese de Wolfgang Kaiser poder já não se encontrar em Portugal.
O Expresso sabe que ‘Wolfy’ terá tido “alguns problemas na Áustria”, há meses, tendo viajado em janeiro para a costa vicentina “com o objetivo de espairecer as ideias”, longe dos amigos e da família. E ter decidido “desaparecer de circulação”.
O rastreio ao seu telemóvel português, uma outra pista seguida pela GNR e Polícia Judiciária, também se revelou inconclusivo.
Uma das últimas pessoas a falar com o austríaco foi o jordano Bilal Shatnawi, de 42 anos, que vive há uma década no Algarve. Numa conversa por telefone, a 14 de março, este imigrante lembra que ‘Wolfy’ ter-lhe-á dado instruções precisas: “Não dês o meu número nem a morada a ninguém”.
Pelo tom na voz, Bilal apercebeu-se de que algo não estava bem. “Parecia estar com medo”. Estranhou, mas não deu muita importância ao caso.
Há poucas semanas, Bilal Shatnawi foi ouvido pelas autoridades, que continuam a ter em aberto todas as possibilidades: suicídio, acidente, crime ou simples fuga? “O rapaz pode estar num local de difícil acesso e sem vontade de ser contactado. Ele é maior de idade e tem esse direito”, lembra uma outra fonte ligada ao caso.
Christina Kaiser, de 21 anos, a única irmã do austríaco, que viajou há um mês para Portugal com o melhor amigo dele, Marin Mircic, de 30 anos, não acreditam nessa tese: “Se assim fosse, teria deixado tudo no apartamento e desaparecido sem ter pago a renda sequer?”, argumentam.
Os dois austríacos regressaram entretanto ao seu país, sem respostas.
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