O último Festival de Jazz realizado em Lagoa, no Sítio das Fontes, Freguesia de Estômbar, data de julho de 2011, espetáculo de música que regressa ao mesmo local, nos dias 5, 6, e 7 de junho de 2014, agora com a sua X edição, sob a direção de António Palma.
Trata-se de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lagoa e “Ao Vivo – Espectáculos e Eventos”, integrada no programa anual “Lagoa um Mar de Sentidos”.
O recinto onde decorre o “Lagoa Jazz Festival 2014” localiza-se a meia dúzia de quilómetros da cidade de Lagoa, tem abertura ao público às 19 horas, iniciando-se os espetáculos às 22 horas.
Os bilhetes podem ser adquiridos no Convento de S. José e no Auditório Municipal, nas horas normais de expediente, ou no local do espetáculo, depois das 19 horas.
Para além do festival de música propriamente dito, o Sítio das Fontes vai apresentar uma Exposição de Pintura e dispor de Serviço de Bar, Merchandising, Feira do Disco, Espaço Lounge e DJ assim como a possibilidade real dos espectadores poderem “estar perto” dos seus ídolos.
Programa
Dia 5 – Quinta-Feira
PIANOBATUQUE (Argentina/Portugal)
Pablo Lapidusas, argentino (piano) e Joel Silva, português (bateria)
TORUNSKI BROTHERS (Polónia)
Piotr Torunski (clarinete baixo) e Greg Torunski (saxofone alto)
Dia 6 – Sexta-Feira
THIERRY ELIEZ (França)
Thierry Eliez (piano, orgão e voz), Daniel Ouvrard (baixo) e Philippe Eliez (bateria)
Dia 7 – Sábado
MARTA HUGON (Portugal)
Marta Hugon (voz), Filipe Melo (piano), Mário Delgado (guitarra), Bernardo Moreira (contrabaixo) e André Sousa Machado (bateria)
Sobre o Sítio das Fontes:
O Sítio das Fontes tem-se revelado único, por força da natureza: podemos garantir estar em presença de um pedaço de terreno de beleza caprichosa e inultrapassável, correspondendo a uma zona húmida invulgar na Freguesia de Estombar, ecossistema único no Algarve dada a raridade das suas valências e apetências, entre as quais a flora – através da profusão de plantas raras, invulgares, como é o caso das orquídeas – e a fauna, com pássaros multicolores e aves raras, que ali nidificam e formam comunidades apreciáveis num refúgio natural, pacífico, perfeito e propício para o seu habitat.
Mas também e, sobretudo, as linhas de águas límpidas e correntes, onde têm sido apreciadas espécies piscícolas fluviais interessantes, entre as quais pequenas populações de peixes semiexóticos multicolores, enguias e crustáceos, como o caranguejo do rio.
O Sítio das Fontes, infelizmente pouco conhecido das populações, impera pela sua excelência natural e, também, por se tratar de um importante património humanístico e historico-etnográfico, face à existência daquilo que foram as ruínas de moinhos e azenhas, ainda visíveis, mas recuperados, assim como pelo património municipal, entretanto construído pela Câmara, de que se destaca: Centro de Interpretação da Natureza, Casa do Guarda e Lavabos, Parque Infantil, Anfiteatro, Parque de Merendas – apetrechado com assadores, mesas e bancos – Piscina Natural, Circuito de Manutenção bem definido, sinalizado e demarcado, dois grandes Parques de Estacionamento e tantas outras benfeitorias que fazem daquele espaço o ponto de encontro ideal de todos os dias, com relevância para os fins de semana e para a realização de várias festividades populares, entre as quais se destacam as comemorações do 1º de maio e o Festival Lagoa Jazz, duas realizações que acolhem muitas centenas (ou mesmo milhares) de pessoas.
Ao Sítio das Fontes bem se poderá chamar de “lugar anunciado”, com a civilização ali tão perto, pois a zona é habitada. Apesar da civilização estar a dois passos, esta não tem interferido na condição de santuário natural do Sítio das Fontes. De notar, contudo, que durante muito tempo pouco se fez pela sua preservação. A situação atual é, obviamente, muito diferente, com a Câmara Municipal de Lagoa a assumir as suas responsabilidades na divulgação que deste importante património de cultura e lazer.
Para quem não souber, se dirá que o Sítio das Fontes tem a sua história ligada ao Rio Arade e à importância da região de Estombar (Sannabus, no contexto luso-árabe). As margens do Rio Arade, ricas em testemunhos civilizacionais, como as azenhas e moinhos levaram as pessoas e as civilizações até às nascentes cristalinas que, no Sítio das Fontes (daí o nome) brotam das entranhas da terra.
Trata-se de uma zona de Lagoa ligada à antiguidade de um lugar cujas marcas ficaram na história e nas pedras antigas, história que se perde nos tempos. Mas ficaram, também, na fauna, na flora, na magia de um pôr do sol sobre as águas da maré-cheia, na musicalidade do coaxar das rãs, na suave melodia do vento noturno castigando as plantas, nos trinados da passarada. Em suma: no canto de liberdade de um pequenino retalho de natureza, atrativo, sensual… mas inseguro, se frequentado à noite, por ausência de segurança.
Algo levou os homens, desde muito cedo, a olharem para o Sítio das Fontes. Algo leva, hoje, os homens a debruçarem-se sobre o ambiente e a sua preservação, a lançarem alertas sobre a morte lenta do Rio Arade.
A Câmara Municipal de Lagoa, que há algumas dezenas de anos atrás comprou o Sítio, lutou nas instâncias competentes pela sua classificação como Parque Natural, porque o mesmo constitui, sem dúvida, uma reserva natural a preservar, pelas suas múltiplas características.
O projeto municipal já recuperou o moinho de maré – que voltou a moer segundo métodos e técnicas tradicionais – o açude, a casa do moleiro, a casa rural, a nora, o tanque de rega e levada. Um anfiteatro ao ar livre foi construído de raiz, assim como o cais fluvial.
De realçar o fato de toda a energia que se consome no Sítio das Fontes, incluindo a iluminação dos Parques de Estacionamento, provir de centrais de energia solar, amiga do ambiente, mandadas instalar pela Câmara.
Segundo os entendidos, nada das benfeitorias ali construídas vai prejudicar o ciclo natural da vida selvagem, na sua natural relação de interdependência.
Os cerca de 17 hectares, incluindo a zona húmida, integram-se no tipo de áreas com estas características a que os fundos comunitários têm dado prioridade.
O racional aproveitamento do Sítio das Fontes poderá ser mais um passo, a Barlavento, para travar a desertificação das paisagens indígenas e naturais, engolidas pelo galopante turismo das muralhas de cimento que nos tapam o sol e o que resta de nós.
O Concelho de Lagoa e, principalmente, a Freguesia de Estombar e Parchal, só terão a ganhar com esta oportunidade. As Fontes vão, certamente, ser um excelente exemplo da vontade e do querer das mentalidades, para que o futuro possa, cada vez mais, fazer justiça a uma história, muitas vezes, cruel para a Natureza e para o património histórico e etnográfico.
Por: Município de Lagoa




