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As Tendências do Fitness para 2022. E Portugal?

A American College of Sports Medicine (ACSM) volta mais uma vez a anunciar as tendências mundiais do fitness, aquelas que vão dominar e estar mais presentes no sector durante o ano de 2022.

O report foi lançado no final do ano e contou com a participação de vários profissionais do sector do fitness (com 4,546 respostas obtidas), que votaram em 43 tendências possíveis.

Existiu um reforço dos dados de 2021, que já estavam amplamente influenciados pelo cenário pandémico. Resta saber e confirmar, se o 16º report do sector do fitness, espelha efetivamente o futuro do sector, ou se os dados adquiridos, estão enviesados devido ao Covid-19. Os dados do ano passado já foram o reflexo do distanciamento social, induzido pela pandemia. Devido a esse facto, decidimos fazer uma comparação dos último 3 anos, de forma a analisar esta evolução. Através da comparação entre 2020 e 2022 (Quadro 1), conseguimos perceber melhor, as mudanças e alterações que aconteceram e que se prevê em todo o sector do fitness. Apesar da tecnologia utilizável no treino (Wearabel technology) ser uma tendência presente e consolidada nos últimos 3 anos, os outros lugares do pódio são o reflexo dos novos tempos que vivemos.

3 Anos

Analisando os resultados, observamos que no top 3, a tecnologia utilizável volta ao topo das preferências, seguindo-se de uma novidade no top 20, que entra nesta lista, os ginásios em casa, e o top 3 encerra com a prática de atividade física no exterior.

Na elaboração do relatório anual existe a preocupação de distinguir as modas das tendênciaso objetivo efetivo é mostrar quais são as tendências às quais o mercado estará sujeito, num futuro imediato.

O formato principal de obtenção de respostas foi realizado através do SurveyMonkey, e foi enviado inicialmente para 123,615 (face a 75.383 do ano passado), com o objetivo de ter um report que demorasse cerca de 15 min (ou menos) a preencher.

O total de respostas da pesquisa foi, como referido anteriormente, de 4,546 (face aos 3,377 do ano passado). O questionário chegou a todos os continentes com uma diversidade demográfica considerável, tornado este documento com maior validade para todo o sector.

No entanto para além desta análise global, a ACSM reportou o estudo de uma forma mais local, analisando as tendências de fitness da Austrália, Brasil, China, Europa, México, Espanha e Estados Unidos da América.

EspanahEurope

Observando as realidades que nos são mais próximas, a europeia e a espanhola (Quadro 2), percebemos que o fator digitalização ainda não é a tendência mais relevante.

Na Europa os ginásios em casa, o Exercício Físico medicinal e o Treino Personalizado estão no top, e avistam-se como as grandes tendências do sector. Estes dados, demonstram um foco grande do cliente em treinar, independente do lugar. Obviamente este crescimento vai criar um forte impacto no mercado de equipamento doméstico, que apresenta um crescimento acentuado neste nicho de mercado. A vertente médica do exercício é também uma tendência reportada, provavelmente em linha, com a pandemia e havendo a perceção de que o treino influenciou quem foi contaminado pelo vírus. No último lugar do pódio, o treino personalizado, um para um, que os inquiridos acreditam ser uma tendência, vai ter grande representatividade no ano de2022.

No entanto, aqui ao lado, em Espanha, empregar profissionais certificados, está no topo, com o objetivo de qualificar melhor o sector. No lugar seguinte está o treino funcional, que se apresenta como uma das áreas de maior crescimento.  Em terceiro lugar, Espanha aposta como uma das grandes tendências, os pequenos grupos de treino, que por norma é um grupo que tem no máximo entre 8 e 14 clientes a treinar ao mesmo tempo, e que permite um acompanhamento mais próximo e diferenciado.

Reflexão sobre o que nos reserva o futuro do fitness

Ao analisamos as realidades mais próximas de Portugal, percebemos que o mercado tem várias áreas, não tecnológicas, em amplo crescimento, no entanto não podemos, nem devemos ignorar a vertente digital. Principalmente porque a digitalização veio para ficar e obviamente mudou a forma como os produtos e serviços são consumidos. O crescimento de diversos negócios, na vertente online, tanto no retalho, como nos serviços, ganhou uma relevância de destaque nos últimos anos. Portanto a indústria do fitness não se pode auto excluir deste fenómeno.

Será importante definir o que são tendências digitais ou transformação digital e definir o seu significado numa vertente mais prática.

No fundo trata-se da integração da tecnologia digital em todos os aspectos do negócio, alterando fundamentalmente as operações e a experiência do consumidor.

Obviamente, este caminho é complexo e desafiante, uma vez que existem algumas barreiras para esta transformação digital, como a falta de conhecimento, o custo e experiência inadequada.

O relatório da McKinsey de maio de 2020, “The Covid-19 recovery will be digital: A plan for the first 90 days”, descobriu que, como resultado do primeiro lockdown induzido pela pandemia, o mundo avançou cerca de cinco anos na adoção digital, tanto ao nível dos consumidores, como das próprias empresas, isto num período de cerca de oito semanas.

A grande barreira para a transformação digital é predominantemente a grande incerteza que existe na medição do ROI (Return On Investment), onde a falta de fundos disponíveis e incerteza sobre como medir o retorno do investimento, perdominam. E este fator é transversal ao nível do negócio do fitness, porque preocupa, tantos os pequenos operadores (1 ou 2 espaços), que obviamente detêm menos recursos, assim como os grandes operadores (cadeias de ginásios), que apesar de terem mais recursos, têm muitas incertezas sobre onde podem capitalizar os investimentos. Apesar do nosso mercado ter tido alguns tubos de ensaio, onde foi percetível o insucesso de alguns desses “tubos”, a fórmula, tentativa erro, continua a ser o caminho a seguir, na busca de uma solução eficaz.

O mercado global de Wellness (bem-estar) aponta para uns impressionantes 1,5 triliões de dólares de factuação, de acordo com o artigo de abril de 2021 “Feeling Good – the future of the $1.5 trillion wellness market, O mercado global de saúde atingirá um valor pouco abaixo de 12 triliões de dólares em 2022, de acordo com o relatório “The Healthcare Global Market Opportunities And Strategies To 2022”, publicado pela researchandmarkets.com. Compete ao fitness agarrar uma fatia deste bolo garantindo que os operadores se mantêm relevante e têm a capacidade de se conectar com o mundo online, de forma a captar consumidores.

Com valores tão apelativos, e tendo em conta a globalização do mercado digital, as marcas pioneiras neste universo, como a Amazon, Google, Apple, Netflix e Facebook identificam formas de explorar oportunidades para criar produtos/serviços de forma a cativar e fidelizar os consumidores numa escala global.

A All United Sport estará disponível para ajudar a definir a sua estratégia online e offline. Trabalhamos como parceiros para desenvolver uma estratégia digital, que está alinhada com o seu posicionamento e que atenda às suas necessidades e otimize as suas oportunidades de negócio. Cada ginásio, cada clube, cada organização terá necessidades diferentes e estará num ponto diferente da sua jornada digital. Somos especializados no desenvolvimento de estratégias globais, com incidência no digital, sob medida com base em consultoria detalhada e análise de necessidades.

 Ivo Gomes é Co-Founder e CMO na All United Sports, com formação executiva em Marketing e Vendas, Mestrado Executivo em Marketing Management pelo INDEG/ISCTE e Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Lisboa.

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