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Não há crise no imobiliário de luxo

Ao contrário de muitas previsões, o mercado imobiliário não sofreu os efeitos da pandemia conforme o esperado, muito pelo contrário, contra todas as previsões, a crise não chegou ao imobiliário de luxo.

De acordo com o Observador, o imobiliário ultrapassou valores pré-pandemia. Estão a vender-se mais casas, a preços mais altos.

Depois da retração de 2020, o mercado imobiliário português recuperou. Nos primeiros 6 meses de 2021 venderam-se mais de 96 mil casas — desde que o INE tem registos, nunca tinham sido tantas, o que corresponde a um volume de negócios de 15,5 mil milhões de euros. Mais 26% do que no semestre homólogo de 2020 e mais 12% do que no ano de 2019.

Distribuição dos preços em território nacional

Ainda segundo o artigo publicado no Observador, Lisboa, onde nos primeiros seis meses de 2021 foram vendidas mais de 32 mil casas, continua a ser a zona do país com preços mais elevados — apesar de o número de imóveis transacionados corresponder a cerca de 33% do total, os valores encaixados ultrapassaram os 7 mil milhões de euros, praticamente metade do total nacional.

Já as regiões que mais cresceram foram o Alentejo, onde no primeiro semestre deste ano se venderam 6.869, por um valor total que ultrapassou os 684 milhões de euros (mais 53% e 40% respetivamente do que em igual período do ano passado); e a Madeira, com 2.040 casas vendidas por um valor total de 324 milhões de euros (subidas de 48% e 55% face a 2020).

Tipologias mais procuradas

A pandemia trouxe a necessidade de mais espaço e ar livre. De acordo com os números revelados, “quase quatro em cada dez imóveis transacionados num ano de pandemia” foram moradias.

O INE revela que, entre abril de 2020 e de 2021, foram transacionadas 111.301 moradias, de um universo de 302.171 operações com imóveis em Portugal. Lembre-se que os juros cobrados pelos bancos continuam em mínimos históricos, o que também tem contribuído para animar o setor imobiliário.

A incerteza dos preços

Segundo Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, “o mercado premium é um dos segmentos mais orientados para compradores internacionais e por isso foi um dos mais impactados pelas restrições na mobilidade” impostas pela pandemia.

Como recorda, no primeiro trimestre de 2020, os preços neste segmento em Lisboa sustentaram os níveis de final de 2019, acima dos 7 mil euros o metro quadrado, mas ao longo do ano perderam fôlego. No centro histórico da capital registou-se uma quebra de 14,4% no segundo semestre de 2020 face à primeira metade do ano.

Os tempos que agora vivemos trazem incertezas e incógnitas ao mercado imobiliário, diz Ricardo Guimarães. “Vai ser difícil manter os níveis de atividade pré-covid, num contexto que volta a ser de afetação global”, com o primeiro trimestre de 2021 marcado por um novo confinamento e por novas restrições às viagens.

Ainda assim, Patrícia Barão lembra que “o mercado de luxo foi e será sempre o menos impactado por crises pandémicas”, e por isso espera para este ano “um aumento do número de transações, especialmente internacionais”, logo que a circulação das pessoas regresse à normalidade. Um pouco à semelhança do que sucedeu no ano passado.

Como recorda, o mercado abrandou com o confinamento imposto no segundo trimestre de 2020, travando um início do ano que apresentava o melhor comportamento de sempre. “A partir do verão, voltamos a sentir aumento na procura e, desde então, notou-se um regresso paulatino do mercado”, sublinha.

Em 2020, a JLL vendeu imóveis a clientes de 44 nacionalidades. Há, no entanto, novas dinâmicas, refere a consultora. A procura está mais ativa nas zonas centrais e consolidadas de Lisboa, enquanto nas eminentemente turísticas e com restrições ao alojamento local apresentam tendências mais baixas de investimento.

Segmento de luxo sem crise

A procura continua a ser maior do que a oferta e a pandemia da COVID-19 não fizeram abrandar o interesse pelos imóveis de luxo em Lisboa.  De acordo com Miguel Poisson da Sotheby ‘s Portugal em declarações ao Diário de Notícias, tal acontece porque a cidade mantém todos os seus atributos – segurança, bom clima, serviço público de saúde, qualidade de ensino, boas infraestruturas e estabilidade política. E “preços bastante abaixo das capitais estrangeiras”.

Casas de luxo

Estas casas, localizadas em zonas privilegiadas, com design exclusivo, cozinhas luxuosas, geralmente pensadas e planeadas por marcas de cozinhas de luxo, com grande qualidade de construção, boas áreas e outras mais-valias – como garagem, ginásio ou piscina – são ativos sólidos com boa rentabilidade e pouco risco, ao contrário das aplicações financeiras e dos investimentos em bolsa.

Na sequência da pandemia, tem também sido interessante verificar a procura por espaços exteriores e espaços com alta tecnologia, para corresponder às necessidades que a crise trouxe para cima da mesa, nomeadamente o teletrabalho.

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