Nacional

Qual é a posição dos casinos portugueses perante o crescimento dos casinos online?

(Alexandre Rotenberg/Shutterstock.com)

Entre maio de 2016, altura em que a atividade de jogo online foi legalizada em Portugal, e hoje, há uma palavra que se tronou uma constante: crescimento.

De acordo com o mais recente relatório do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), entidade que supervisiona e regula a atividade de jogo online em Portugal, no conjunto dos três primeiros trimestres de 2021 o volume de apostas online atingiu a estratosférica quantia de 6 mil milhões de euros, qualquer coisa como 926 mil euros por hora, dos quais 5041,7 milhões de euros, mais 45,1% do que no período homólogo do ano passado, pertenceram à categoria dos jogos de fortuna ou azar disponibilizados pelos casinos online a operarem no nosso país.

Além do significativo aumento do número de jogadores, o crescimento dos jogos de fortuna ou azar online, passou, igualmente por uma maior literacia dos portugueses em relação às apostas, o fácil acesso às plataformas, a diversidade e os bónus que portais especializados em apostas desportivas e casinos online oferecem em casas como a Betway, a quem se inicia no jogo online.

Chegados a este ponto, impõe-se perguntar como é que os casinos portugueses estão a posicionar-se perante este crescimento exponencial dos casinos online.

Casinos físicos e casinos online: uma relação simbiótica

De uma forma sintética, a resposta é bem. Apesar da comodidade que o online oferece a quem pretende apostar em jogos de casino, o fascínio que uma ida a um casino físico exerce sobre os portugueses ainda não deixou de entusiasmar o público português.

Legalizados em 1927, espaços como o Casino Estoril ou o Casino Póvoa, dois dos mais antigos casinos da Europa, aprenderam a saber reinventar-se ao longo do tempo.

Mais do que procurarem retaliar contra o advento do jogo online, a reinvenção dos casinos portugueses sempre passou por tentar estabelecer uma relação simbiótica com os casinos online. O que acabamos de dizer é fortemente evidente, desde logo, na consulta da lista das entidades licenciadas pelo Turismo de Portugal.

Dessa análise salta à vista que alguns dos maiores casinos online a operarem em Portugal são detidos pelas mesmas entidades que exploram os onze casinos físicos legais no país, como é o caso da Estoril Sol Casinos através do ESCOnline ou do Casino Solverde através do Solverde.pt.

Para além de atuarem nos dois universos (físico e online), os casinos portugueses aproveitam para “pescarem” no online tecnologias que depois introduzem não só nos jogos que colocam à disposição de modo a torná-los mais interativos, como também na segurança e prevenção de fraudes durante as apostas (biometria, por exemplo).

Nesta via de dois sentidos, os casinos online também acabam por ganhar. A disponibilização de jogos que fazem sucesso nos casinos físicos, como é o caso das máquinas de jogo (slot-machines), roleta francesa, blackjack, banca francesa ou póquer acabam por não só promover os jogos de fortuna ou azar junto de mais jogadores, como faz despertar o interesse de inúmeros portugueses que, depois de jogarem online, querem conhecer a experiência de apostar ao vivo.

E isto não é por acaso. Voltando ao relatório do SRIJ, descobre-se que jogos que o imaginário de todos nós associamos ao glamour de um casino físico são aqueles que mais sucesso fazem entre os apostadores online portugueses.

De acordo com os dados do SRIJ, no caso da categoria dos jogos de fortuna ou azar online, as Máquinas de Jogo (slot-machines) com uma quota de apostadores que ultrapassa os 77% (77,57%) a Roleta Francesa com 9,83%, o Blackjack/21 com 5,22%, a Banca Francesa com 3,85% e, finalmente, do Póquer (não bancado e em modo torneio) com 3,51%, são os jogos mais procurados pelos jogadores lusos.

Conclusão

Ainda que os casinos online estejam a experimentar um crescimento extraordinário, que todas as previsões apontam para que se prolongue no tempo devido à adoção de mais e melhores tecnologias, bem como à forte adesão das novas gerações ao mundo digital, os casinos físicos portugueses, pelo que fomos referindo ao longo deste artigo, procura beber da experiência digital e tornar a experiência de jogar ao vivo mais entusiasmante.

Estas e outras razões indicam que não se deva esperar que os casinos tradicionais percam, de forma relevante, a sua popularidade a curto prazo até porque para muitos jogadores, o facto poderem jogar presencialmente, observarem os seus adversários e se deixarem envolver pela atmosfera típica de um casino físico é algo que não tem preço e não é possível replicar no mundo digital, pelo menos, por enquanto.

Categorias:Nacional, Opinião