Opinião

O impacto da pandemia na nossa sexualidade: 10 perguntas sem tabus

Sexo e COVID-19: as perguntas que se impõem

Como ter relações sexuais sem contrair o vírus?

Para perguntas sem tabus, respostas sem tabus: a masturbação é a forma mais segura de ter qualquer tipo de sexo durante as fases mais agudas da pandemia da COVID-19 e para evitar a propagação da doença.

Uma das vantagens desta opção é poder explorar o (auto) conhecimento do corpo de forma livre e descomprometida.

Numa sex shop é possível encontrar sex toys que ajudam à diversão solitária. De resto, as contas são simples de fazer: quanto maior for o número de parceiros e de relações sexuais, maior será a probabilidade de contágio.

Solução para atenuar os riscos? Testes rápidos, máscara e muita higiene.

A COVID-19 transmite-se sexualmente?

As evidências científicas dizem-nos que o coronavírus se transmite pelas gotículas respiratórias, e não pelo esperma ou fluídos vaginais.

Assim, o vírus pode ser transmitido durante as relações sexuais pelo contato físico normal decorrente da relação e não diretamente pelo contacto sexual.

Devemos confiar nas dating apps?

Nesta altura do campeonato sim, já podemos confiar mais – mas pode-se também optar pelas relações virtuais ou, simplesmente, levar as coisas com calma.

O Bumble e o Tinder já têm filtros para encontrar contactos “vacinados”. Pode-se sempre realizar um teste antes de qualquer interação física.

Vive com a sua(seu) parceira(o). Como evitar perder o desejo durante o contexto da pandemia?

Rotina, teletrabalho, filhos, ansiedade – tudo isto leva os casais a deixar a intimidade para segundo plano.

A solução passa por compreensão, criatividade e comunicação.

Sente-se triste e tem pouco desejo sexual desde a pandemia. Deve procurar ajuda?

Tristeza não é depressão, mas pode ser e a pandemia trouxe-nos muitas perdas – familiares, económicas e sociais – que podem conduzir a um ciclo menos positivo e, eventualmente, a uma depressão.

Sim, a perda de libido é um dos sintomas, mas para diagnosticar uma depressão não se fie em artigos na internet: procure ajuda ao menor sinal.

Podem usar-se sex toys?

Podem e devem-se usar sex toys – desde que haja vontade, aprovação e cumplicidade para tal, no caso de se tratar de um casal.

Estes são cada vez mais fáceis de encontrar em qualquer sex shop, sendo que na maior parte destas já se pode comprar online e receber a encomenda de forma bastante discreta. Um conselho: sempre que os usar não se esqueça de os higienizar.

A sua(seu) parceira(o) não quer ter relações por causa da covid-19. O que fazer?

Todo este contexto – de confinamento e restrições, utilização de máscaras, distanciamento físico e isolamento- pode resultar na perda de desejo de estar com alguém – por mais que se goste – influenciando a intimidade e a sexualidade.

A sugestão dos sexólogos é para se partilharem fantasias e estímulos sexuais.

Esteve infetado(a) e ficou muito cansado durante o ato sexual. É normal?

Não se deixe levar por teorias da conspiração: a COVID-19 deixa marcas sérias. E um dos sintomas do chamado long covid é precisamente a fadiga, que requer imensa paciência na recuperação e uma reabilitação lenta.

Por isso, sim é normal, até porque esta condição se pode combinar com alguma ansiedade (de ter uma boa prestação sexual).

Começou a sentir dor sexual depois do confinamento. Porquê?

Há fatores clínicos, ambientais ou psicológicos que podem explicar algumas dificuldades sexuais, de forma temporária ou permanente e que podem afetar alguém e a sua relação com outra pessoa.

Exemplo disso é a ansiedade, que tem impacto na lubrificação e contração dos músculos. Há também a possibilidade de se ter desenvolvido algum problema de saúde, pelo que pode ser necessário a avaliação médica.

Por fim, mas não menos importante!

Não menos importante são também as questões do cansaço, da solidão e da violência.

O tempo e esforço que se investe na carreira tem consequências para a vida sexual, até porque com tanto por fazer sobra pouco tempo e vontade para o prazer.

Para além disso, a solidão continua a afligir muitas pessoas, que se sentem sozinhas, o que explica o aumento do sexting, do número das vendas de brinquedos sexuais nas sex shop, das visualizações dos vídeos pornográficos, e dos relacionamentos digitais durante os picos da pandemia.

Também têm surgido relatos de muitos problemas derivados de questões como a orientação sexual e a identidade de género partilhados por quem esteve confinado em espaços compartilhados com quem pratica discriminação ou violência sobre os mesmos.

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