Algarve

BARROCAL ALGARVIO | Património Natural sob ameaças reais

PROBAAL – Pró Barrocal Algarvio contesta projeto solar em terrenos da REN

A Iberdrola Renewables SA. avança com um estudo de impacto ambiental para se instalar numa área equivalente a 160 estádios de Futebol em plena Reserva Ecológica Nacional, uma das áreas do Algarve mais rica em biodiversidade e zona de infiltração máxima do aquífero Peral-Moncarapacho.

O erro começa desde logo no início, quando o Estado Português, pela mão de João Galamba, decide fazer leilões para exploração de energia a empresas de produção de energia solar. E decidiu então que essas centrais solares iam para o Alentejo e para o Algarve, baseado no critério único da quantidade de horas e exposição solar, algo vantajoso para os produtores que, se autorizados para outros locais, iriam, é certo, para outros locais. Vão para o Alentejo e para o Algarve porque lhes foi permitido. E se é verdade que no Alentejo podem ser encontradas grandes áreas de terrenos decapados e esgotados por uma agricultura gananciosa, no Algarve isso já não acontece.

Mas e o critério água? Precisamos de energia, mas precisamos, mais ainda, de água. E toda a energia do mundo, não nos vai dar a água que precisamos. Neste caso, em concreto deste projeto, denominado Central Fotovoltaica de Estoi, agora em desmedida Consulta Pública (42 dias para avaliar mais de 800 páginas e uma infindável lista de mapas), onde a decisão de ir para uma área REN e RAN, que é zona de infiltração máxima de um aquífero está associada a puras decisões de gestão, é lançado um Estudo de Impacto Ambiental (EIA), pródigo em ocultações e estranhas confissões.

A primeira confissão diz respeito ao terreno em questão, que foi comprado em 1999 por uma empresa mineira, que agora o passou para a Iberdrola, quer por arrendamento, quer por venda. Será que a Tecnovia, S.A. se esqueceu de dizer à Iberdrola que a população se uniu duas vezes em duas décadas para lutar pela preservação do Património e valores naturais daquele território?

A Iberdrola também tomou a medida invulgar de comprar muitos hectares de terra ao longo do local proposto, tornando a Central de Estoi uma das poucas em que o promotor é também o proprietário, uma vez que o terreno é normalmente arrendado e não comprado. Estará a Iberdrola tão segura de comprar e arrendar 154 hectares?

A segunda confissão, é que a rede de aproximadamente 175 000 painéis solares serpenteia vários pequenos ribeiros e cobre as suas cabeceiras. E vai confessando que é preciso escavar, despedregar, erradicar matos… enfim, destruir tudo aquilo que favorece a pluviosidade e permite que a água que corre para aquele vale se infiltre no aquífero Peral-Moncarapacho, o qual também carrega parcialmente o aquífero da Luz de Tavira. Ignoram ou desvalorizam igualmente o facto de que esses painéis precisam de ser limpos com água (ou químicos tóxicos). Será que nunca viram no Algarve o efeito das poeiras do deserto?

Querem que sejamos nós a poupar a água? Poupemos e recuperemos o território, que estaremos assim todos a poupar água. E com ela toda a biodiversidade, incluindo as várias espécies protegidas de fauna e flora que ali (ainda) se encontram.

Por: PROBAAL

Categorias:Algarve, Ambiente