“A Deriva Litoral” foi inaugurada na semana passada. Depois da reportagem da inauguração, apresentamos agora, em peças separadas, cada peça explicada pelos respetivos autores.
Esta é dedicada à arte pública no Calçadão, em frente à Geladaria Roma.
O seu autor, o artista plástico Ângelo Gonçalves, explica:
Estamos aqui, praia, sol, isto é o Algarve, como sou de uma aldeia ali perto de Tavira (Santo Estêvão), resolvi trazer esta peça que, além do título, que é «A Deriva Litoral», é o ciclo que está aqui imposto. Trago esta peça, à qual chamei de Roleta.
A roleta é um objeto encontrado, como muitos outros que costumo encontrar no meu trabalho, foi transformado e vem desse interior que, com o tempo, por ter estado onde esteve, vem andando no tempo e chega à beira mar, aqui plantado, um sítio que não é próprio desta peça. Costuma estar no interior, nos campos, tem a ver com a rega que antigamente se fazia e aparece-nos aqui, agora, com a sua segunda vida, a aparecer mesmo aqui ao pé da água. Sai da água doce e vem para a água salgada.
Tem montes de significados e cada pessoa deve procura descodificar e descobrir o que é que estava na minha cabeça ao idealizá-la ou encontrar outros significados.
Pretende falar sobre esta pare da exploração agrícola que se vai fazendo, desta monocultura que se vai impondo cada vez mais com certos empresários a tirarem alguma vantagem com um elemento natural que é a água, importante para a vida humana e andam a fazer rega e a ganhar a vida com uma coisa que é um bem necessário para a condição humana.
Depois, tem a ver também com essa mesma água, que é a parte do Mediterrâneo, aonde há pessoas, que, em pleno Séc. XXI, estão a morrer porque têm de fugir dos seus países, das condições precárias que têm nesses países.
É com este jogo, com esta polissemia que pretendo falar através desta peça.
Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve









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