Quarteira voltou a retomar neste 1.º de Maio de 2025 a tradição dos ‘Maios’ (ou ‘Maias’), recuperada na cidade em 2014.

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No nosso périplo pelas ruas da cidade antiga, onde anualmente a sua população vinha reavivando aquilo que de melhor e mais tradicional existia no seu passado, apenas vimos Maios na Rua da Fonte, mais concretamente no Snack Bar A Fonte, abraçando práticas de boa vizinhança.
Aqui, podem ser vistos 8 Maios, todos elaborados por Misé, segundo a qual, cada um representa uma figura conhecida da rua, convidando os vizinhos a reconhecê-los.
Uma iniciativa que reaviva as tradições nesta terra.
Os “maios” no Algarve (e também noutras regiões de Portugal, como o Minho, Trás-os-Montes e Alentejo) são uma tradição popular celebrada no dia 1 de maio, ligada à chegada da primavera, à fertilidade da terra e à proteção contra os maus espíritos ou o “mau-olhado”.
O que são exatamente os “maios”?
- São bonecos feitos com palha, trapos ou roupas velhas, muitas vezes com um aspeto humano.
- São colocados à porta das casas, nos jardins, nas varandas ou em espaços públicos.
- Frequentemente, os maios estão acompanhados de versos satíricos ou mensagens populares, comentando acontecimentos sociais, políticos ou locais.
- Em algumas localidades, há também desfiles e concursos de maios.
Origem da tradição
A tradição dos maios tem raízes pagãs, ligadas a antigos rituais de fertilidade e celebrações do início da primavera. Com o tempo, foi sendo adaptada às tradições cristãs e locais.
No Algarve, embora a tradição seja mais forte no norte do país, há ainda locais onde se mantém viva, como em Quarteira, Alte, São Brás de Alportel, Olhão, Fuzeta ou Monchique.
Os Maios ou as Maias são uma tradição que teve origem na Antiguidade Clássica e que se difundiu por toda a Europa. Esta festividade continua a ser realizada, no dia 1 de Maio, como um símbolo da vinda da Primavera, da fecundidade da terra e do despertar da vida após o frio e rigoroso Inverno.
No Algarve, os Maios perduraram até aos nossos dias, apresentando algumas alterações ao longo do tempo. Esta tradição começou por ser uma homenagem à Deusa Maia e à fertilidade dos campos. No início, as meninas donzelas vestiam-se de branco e enfeitavam a cabeça com flores e uma coroa, sentavam-se às portas das casas ou nas açoteias e em frente delas cantava-se e dançava-se um baile de roda. As raparigas não deveriam sorrir nem pestanejar e eram chamadas de Maias. Ainda se costuma dizer em relação a uma pessoa parada, que parece um Maio. O objetivo dos rapazes era tentar fazer a Maia sorrir. Nas aldeias, as Maias competiam entre elas e aquela cujo baile tivesse mais gente era eleita a Maia da Aldeia.
Posteriormente, a Maia passou a ser substituída e personificada por uma boneca, designada por Maio, feita de palha de centeio, farelos e trapos, vestida com traje branco e cercada de flores. Quando a noite caía, dançava-se em seu redor e as moças cantavam.
Atualmente, a tradição dos Maios baseia-se na colocação de bonecos, feitos artesanalmente pela população, com palha e diversos tecidos e acessórios, em vários locais, sobretudo à porta das suas casas. Estes bonecos, em tamanho próximo do natural, de ambos os sexos, são normalmente acompanhados de versos com crítica social, visando satirizar as vivências da região, relacionadas sobretudo com as pessoas influentes da terra que poderiam fazer mais por ela. Os Maios costumam atrair vários visitantes.
Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve
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