Quarteira

QUARTEIRA | Ouvir para Agir com Telmo Pinto e João Romão

O Auditório do Centro Autárquico de Quarteira acolheu ao fim da tarde de ontem, 7 de maio, da Sessão Ouvir para Agir, com os candidatos do PS à Câmara Municipal de Loulé (Telmo Pinto) e à Junta de Freguesia de Quarteira (João Romão).

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A sessão contou com boa adesão e foram muitas as questões levantadas com os candidatos a darem resposta a todas elas, das quais destacamos:

Conceição Bernardes, ex diretora do Agrupamento de Escolas Drª Laura Ayres:

Eu queria falar da Educação. Em agosto de 2018, o Sr. Presidente da Câmara, Dr. Víor Aleixo começou a dizer que queria ir à Escola São Pedro do Mar para falar comigo. Efetivamente, reconheceu que havia um problema relacionado com as escolas. Ou seja, que havia falta de salas, que havia falta de escolas.
Estivemos lá, falámos das escolas de Quarteira, daquilo que se estudou ou não podia ser feito. Em agosto de 2019, o Sr. Presidente voltou a chamar-me para ir à Escola São Pedro do Mar, para falar do que é que se podia fazer no imediato, ao invés de construir uma escola, que demora muito tempo, para tentar melhorar a situação.
Em 2020 e 2021, não fomos lá, por causa da pandemia. Em 2022, voltámos lá. E a conversa não foi muito diferente.
O Telmo sabe exatamente o que é que foi dito. Havia em Quarteira a possibilidade de ampliar a Escola São Pedro do Mar, numa obra que demoraria algum tempo, mas muito menos do que construir uma escola. Havia a possibilidade, havia uma proposta que eu fiz, de construir mais salas, ampliando a Escola da Fonte Santa. E havia outras propostas. Quando o Telmo me disse que trabalhou com outras escolas para tentar agilizar o processo, foi verdade.
Eu estive a trabalhar com o Gabinete de Arquitetura da câmara para tentar fazer propostas de ampliação em maquete, em esquema, que seriam depois eventualmente utilizadas e nada disso foi feito. Aquilo que me angustia e que me leva a falar aqui é que isto já não é um problema de hoje, já não é um problema de ontem. Só quem trabalha nas escolas e quem vive nas escolas sabe em que condições aquelas escolas estão.
Neste momento, as escolas de Quarteira ultrapassaram a sua capacidade máxima há muito tempo.
Perdeu-se uma oportunidade de ouro de aumentar a capacidade de salas com a construção da Escola D. Dinis, que tem basicamente o mesmo número de salas que tinha a escola antiga. Foi uma falta de visão, porque diziam que o número de alunos estava a diminuir. O argumento sempre foi esse. A verdade é que em Quarteira o número de alunos nunca diminuiu, nem na pandemia. Houve um ano que se manteve igual, mas nunca diminuiu.
E custa-me muito ver que há crianças que vêm de outras regiões de Portugal, portuguesas, e que vêm para Quarteira com os seus pais e que, por exemplo, estão colocadas em Salir. E com seis, sete ou oito anos, fazem todos os dias a viagem de carrinha de Quarteira para Salir. E quando a turma de Salir ficar fechada, e já não falta muito, aquilo que me disseram é que vão para o Ameixial.
Isto é preciso dizer. As pessoas têm de saber isto. É desumano.
Portanto, agir é a melhor solução. Planificar para a ação é a melhor solução. Mas neste momento nós não estamos num tempo só de agir.
É preciso reagir. É preciso reagir àquilo que está neste momento. Montem os contentores para novas salas. E não chega. Este ano, pela primeira vez, alunos da área de residência da Escola São Pedro do Mar não tiveram vaga no equipamento. E tiveram que ir para outra escola.
Portanto, em paralelo àquilo que é a ação, vocês têm de fazer isto. Vocês têm de planificar. Se ganhar as eleições, se for Presidente da Câmara, é preciso planificar. É preciso olhar para o futuro para poder começar a consegui-lo agora. Mas o urgente, o mais urgente, é pensar o que é que se pode fazer já. E já vai tarde.
Não se pode andar a fazer uma visita num ano e depois no ano seguinte ir fazer uma visita e depois no ano seguinte ir fazer uma visita. Não pode. Eu não sou do Partido Socialista, mas nas Autárquicas não voto em partidos, voto em pessoas. Votei no Dr. Vítor Aleixo não por ele ser do Partido Socialista, mas pelo mérito que eu lhe reconheço. E estou muito desagradada com ele. E já lho disse. Porque esta situação tinha de ser trabalhada de forma mais simples. E há propostas em cima da mesa para se poder agilizar.
Mas queria falar de outro aspeto, que é a habitação. Todos nós sabemos que há falta de médicos, há falta de professores, há falta de profissionais. E vai continuar a haver.
Os professores não podem pagar rendas caras aqui.
O Algarve tem uma vantagem em relação a Lisboa. É péssimo, é mesquinho, mas tem essa vantagem, que é, as pessoas alugam as casas às pessoas durante o inverno e depois alugam no verão para o turismo. E depois ficam pendurados porque têm que trabalhar e não têm casa. Como é que fica a família? Como é que se fica cá? Como é que se criam raízes numa situação destas? E isto é tão verdade que muitas autarquias deste país já olharam para este problema de frente e já agiram, nomeadamente no Algarve.
Ou seja, conseguindo casas a custos controlados para enfermeiros, médicos e seja quem for. Para aqueles que vêm de fora, o que está a acontecer em Portugal com muitas situações que eu conheço e atualmente aqui também, é profundamente desumano.
As pessoas estão a viver em casas de 3 quartos que foram divididos a meio, passaram a 6. Alguns até foram divididos outra vez e passaram a 12. Em casas sem casa de banho, sem nada. Há uma casa destas perto de minha casa e pagam 350 euros por uma coisa destas.
É preciso olhar para isto. Eles precisam de nós, nós precisamos deles porque sem eles, aqui na hotelaria, na agricultura e até nas pescas, eles já fazem muita falta. Portanto, estas são situações que nos envergonham.

E também é preciso pensar neles. Não é só em nós, não é só nos que nos deram casco, não é só nos que gastamos. Também são situações que nos envergonham.
É necessário que alguma coisa se faça porque setembro vai ser um horror. E acreditem que eu sei do que estou a falar.
Eu já não sou diretora, já não estou na escola, portanto, estou a ser advogada dos meus netos e isso dá-me um prazer imenso.

Telmo Pinto respondeu:

Todas as áreas podem estar ligadas. Todas. Temos que pensar nisso porque a forma como vem a professora Conceição Bernardes falar, foi o que eu senti o tempo todo. É isto que eu, se calhar, vou sentir um dia, a falta do Presidente da Junta, é que nós sentimos mesmo os problemas de proximidade.

Nós estamos aqui a falar para o futuro mas o futuro há de ser em outubro. E até outubro vamos ter este problema. Ainda vamos precisar de mais escolas, vamos cuidar de dar resposta até outubro.
Depois, outras coisas que se passam nas escolas, e em Quarteira passa, a primeira vez que eu ouvi falar desses números, a Escola Drª Laura Aires tinha pouco mais de 50 nacionalidades diferentes. E depois ainda me disse e tem 60 de pais de nacionalidades diferentes, era mais ou menos assim, ou seja, os pais são estrangeiros e os filhos já nasceram cá. Mas isto é Quarteira, já no meu tempo era assim.
Quero ir às escolas para falar dos problemas, para perceber o que é que nós temos que pensar para o futuro dos autarcas. Não interessa em quem é que vocês votam, é acreditar que essas pessoas vão fazer isso.
Porquê? Por exemplo, havia um aluno com necessidades educativas especiais em cada 3 ou 4 turmas e agora temos dois em cada turma. É uma coisa assustadora. O mesmo se passa na creche da Fundação António Aleixo, em cada sala que entro há dois miúdos com necessidades educativas especiais.
Isto mexe com o trabalho das escolas, da comunidade escolar, dos seus pais, dos professores, de toda a gente. Ou seja, mesmo as próprias autarquias têm de estar muito perto e ajudar as escolas nestes problemas que Quarteira tem muito, mas porque é Quarteira. É multicultural, é o que é. Tem muitas coisas boas também graças a isto mas depois já carrega estes problemas todos e nós temos que pensar como é que vamos resolver isso. A proximidade das manutenções dos equipamentos, haver ainda salas que não têm ar condicionado.

Portanto, tem que haver aqui um trabalho em rede muito importante, de proximidade e perto das escolas para resolvermos estes problemas. Agora vamos ter que ter uma elasticidade.

Como Presidente de Junta ainda, faltam cinco meses, juntamente com a Câmara e com o David Pimentel (vice-presidente da CM Loulé), no outro dia estávamos a falar disso. O David falou das escolas e estávamos os dois tristes porque, se calhar, vamos ter que meter mais protetores.
A Câmara vai ter que meter mais contentores, que é a única forma de resolver o problema no imediato. E estávamos neste desespero. Provavelmente não há outra forma de resolver este problema.
Estamos cientes do problema mas temos que arranjar uma forma de o resolver. Já não podemos perder tempo nenhum, nem na Habitação.
Temos que ser muito ágeis nas ferramentas que vamos utilizar para responder rápido.

João Romão complementou:

A integração passa pelo Desporto, pela Cultura, pela Arte… E também se tem que criar condições disponíveis para que as pessoas se sintam enraizadas, criação de identidade, envolvidas. Caso contrário, assistiremos a outros processos como marginalização, delinquência, etc, que não nos favorecem nada. É aquilo que a gente não quer e é o que acontece.

Paula Correia:

Eu venho aqui apresentar uma sugestão ao João Romão. Também tenho 20 anos de escola. Rodeia-te das melhores pessoas, aquelas que estão no anonimato. As pessoas do protagonismo não te vão interessar. É o conselho de uma amiga. Escuta sempre tudo e todos, em qualquer lugar de Quarteira.
E vai passar no centro de Quarteira que ela está precisando disso. As pessoas queixam-se. Não pode ser só nas avenidas e no mercado.
Vão andar a pé. Três, cinco meses a andar a pé para perceber o que eu estou a dizer.
Numa outra área, é preciso fazer alguma coisa pelos profissionais. E mais, aquilo que for feito não pode esquecer as pessoas que vivem em Quarteira. Pessoas que vivem cá. Trabalham cá o ano inteiro.

Outra situação abordada foi o estacionamento. Telmo Pinto respondeu:

Relativamente ao estacionamento, nós criámos nos últimos dez anos oitocentos lugares de estacionamento. E mesmo esses oitocentos lugares não chegam mas as pessoas às vezes não se apercebem o que é oitocentos lugares.
Por exemplo, a Pontinha em Faro tem oitenta lugares. Em Lagos, aquela estrutura grande ao pé da praia, tem duzentos e tal lugares. Ou seja, oitocentos lugares é muito lugar.
Neste mês também fizemos um projeto na Junta que foi na Quinta do Romão, atrás do supermercado, e no Largo, que é a outra metade que a Câmara comprou. E a Câmara passou para nós uma verba para fazermos mais cerca de quatrocentos lugares. Mas mesmo assim, não chega.
É por isso que é necessário muito mais estacionamento. É um problema que nós temos aqui em Quarteira.
O espaço que nós vemos envolvendo os edifícios escolares não é feito à toa. Ele tem rácios, ou seja, há obrigações legais para os recreios.
E cada vez que nós colocamos contentores, os edifícios comuns ficam sobrecarregados, não dão resposta, como o espaço também se perde. Os miúdos vão perdendo a qualidade de recreio e, relativamente ao pavilhão da Escola D. Dinis, eu sou contra o projeto novo ser feito ali. E vou explicar porquê.
Se Quarteira precisa de equipamentos desportivos, não pode ter equipamentos esportivos se substituir os que tem. Senão, temos sempre o mesmo problema. A minha proposta, eu e o David já falámos sobre isso, é: façam esse pavilhão num outro sítio. Caso contrário, eu vou ter aqui dois anos para construir uma coisa que depois vai-me dar a mesma resposta como aconteceu na Escola D. Dinis. Eu fui dos que falei que a D. Dinis precisava de mais salas no início do projeto. Ficou com o mesmo número de salas e a resposta não foi melhorada.

Outra situação levantada prendeu-se com as más condições do pavilhão desportivo da Escola D. Dinis.

Resposta de Telmo Pinto:

Tem a ver com a manutenção. Eu falei das escolas mas os equipamentos desportivos também estão um bocado assim.
É preciso haver manutenção. O pavilhão da D. Dinis tem problemas nas casas de banho há vários anos e precisa de uma intervenção como deve ser.
É a manutenção das escolas, das habitações, dos equipamentos sociais, dos centros de saúde. Tem que haver uma grande equipa de manutenção e uma capacidade para dar respostas rápidas.
E isso não está acontecendo nem nos pavilhões nem nas escolas nem em nenhum sítio. E isso é uma daquelas coisas que eu, como candidato, digo que não posso deixar de fazer porque é a minha área.
Não posso deixar que isso aconteça.
No Desporto, a falta que nós temos de equipamentos desportivos com o crescimento da população é agravada com mais uma particularidade que começa a acontecer hoje em dia: as modalidades começam todas a ter equipas femininas. Ainda muda mais esta particularidade do que é que vamos ter em termos de balneários para o futuro.
Como é que vamos fazer isto? Essa parte também me toca a mim mas o João conhece a realidade do Desporto melhor que ninguém.

João Romão complementou:

Utiliza-se o pavilhão da Escola Básica D. Dinis para jogos de competição porque, felizmente, temos um projeto desportivo que já tem recebido jovens de todo o país e, às vezes, temos de dizer que temos de ir ao Estádio Municipal tomar banho e acho que isso é desprestigiante para a Quarteira e é embaraçoso. É aquela parte em que a gente enfia a cabeça no saco e pronto. E é a vontade de mudar este estado de coisas que me trouxe aqui. Saber que há muita coisa que tem que ser feita e tem que mudar.

Telmo Pinto:

Há muito tempo havia distrações de natureza para todos, e nós hoje não oferecemos isso. Ou seja, o problema é nosso.
E é aquilo que eu estou a fazer. Temos que fazer pavilhões do mais simples possível. Não temos que fazer pavilhões só de megalomania para as pessoas irem ver.
Nós temos que fazer pavilhões para as pessoas treinarem. Porque nós já temos o futsal, já são três equipas. O João (QBS) já não consegue crescer mais no vólei porque não tem pavilhões.
Então nós temos que arranjar aqui as formas, e já existem, e a Câmara fez um estudo interessante há pouco tempo. Se calhar são pavilhões de 1 ou 2 milhões de euros, não de 15 milhões de euros como hoje. Porque basta ter um de 15 milhões, se calhar.
Temos que fazer 2 e 3 em cada lado. Para quê? Como se fazia antigamente. Olhem, vão lá para dentro e treinem. E se calhar temos que colocar coberturas nos recreios, que é uma das coisas que penso também.
Na escola já há alguns. O tempo que nós temos, e o clima que temos, a maior parte do ano, basta uma cobertura para proteger do sol, de uma chuva de um dia ou outro, e a autoridade para utilizar alguns espaços das escolas. Portanto, temos que arranjar formas mais ágeis, mais baratas, mas que vão no sentido daquilo que são as necessidades.
É necessário ter um pavilhão daquela dimensão. Mas não precisamos de todos daquela dimensão.
É fazer equipamentos mais pequenos, mas que respondem às necessidades.

Adelino Rocha:
Acho que é de elementar justiça dizer que Quarteira tem o melhor presidente que alguma vez teve. Já tive diversos cargos diretivos em Quarteira e hoje sou presidente da AHDPA (Associação Humanitária dos Doentes de Parkinson e Alzheimer) e ninguém me conhecia. Entretanto, houve alguém que disse muito mal de mim. Dizia que era um diabo em pessoa e não acreditava em mim na direção da AHDPA. Até que começaram a ver a obra. Felizmente, e com o apoio, exatamente, do Telmo Pinto e do Vítor Aleixo, hoje é uma realidade. Nós temos o melhor centro de dia do Algarve.
Tenho muita honra em ser o presidente e tenho uma equipa que é a mesma há oito anos.
E então, o que eu queria era dizer isto. Nós, apesar de tudo e das dificuldades que temos, e temos muitas, na verdade, temos um presidente de junta que luta por esta terra.
Ele conhece os problemas e luta por eles. O Telmo ganhou também muitos adversários na própria autarquia. A vida não é fácil para quem está nesta situação.
Eu desejo a melhor sorte ao João (Romão), porque ele não sabe onde é que se vai meter. Evidentemente. Eu espero que o Telmo o prepare, que o ajude. Isto é uma guerra. Isto é uma luta.
Mas pronto. Todos nós sabemos que isso ultrapassa-se e as pessoas competentes sobrepõem-se aos outros.
Quando eu fiz aquela primeira referência, na verdade, se vocês olharem para o passado desta junta de freguesia, os problemas são os mesmos. Há 30 anos, há 40 anos, as pessoas é que mudaram. Nós, hoje, é que somos mais exigentes.
Temos esta frontalidade de dizer ao seu presidente, ou seja, portou-se mal. Antigamente não, era um bocadinho assim, às escondidas e tal. Hoje, as pessoas têm esta abertura.
E, na verdade, isto são méritos que nós fomos conquistando. Se não se fez mais, não foi possível e acredito nisso.
O Vítor Aleixo eventualmente poderia fazer mais. Agora, há setores em que o Vítor Aleixo deu 10 a 0 aos seus antecessores. Mas pronto, cada um é como é. Uns são mais sensíveis para umas áreas, outros para outras. O Telmo teve aqui o cuidado de dizer isto é a área que eu percebo, a história dos pavilhões e tudo isso. Também para que saibam, muitos não sabem, eu, de formação, sou professor de Educação Física. Só que exerci muito pouco tempo. Tive em Faro, na Afonso III, destacado na Direção-Geral dos Desportos.
Portanto, tenho estes anos todos de Algarve. Tive a sorte de ter um emprego, que na altura me pagava mais do que num mês do que 4 meses ou 5, a dar aulas. E, portanto, fiz uma opção de vida e consegui constituir a minha vida, de forma a que nunca tive estes problemas. Os tempos eram outros. Eu era efetivo. Hoje é difícil um professor efetivar-se. Tem muitas dificuldades. Daí a importância que o João disse.
Pois, se nós tivermos universidades aqui, as pessoas ficam cá porque são de cá. Não precisam andar depois a arranjar casa.
Portanto, tudo isto é uma mecânica que eles conhecem e nós vamos acreditar neles. Sendo certo que dificuldades vão continuar a existir. Os projetos estão muitas vezes parados por isto e por aquilo.

Esses problemas eles sabem. E onde encontrar soluções para isto? A nossa Câmara é, de facto, uma Câmara que tem condições para fazer muito e não fará mais porque haverá outras razões que nós não conhecemos. Porque as coisas não são fáceis. A burocracia é muito lenta. Há muitos obstáculos em projetos interessantes, muitas vezes, mas que não avançam por isto ou por aquilo. Mas, no caso aqui do Telmo, ele adquiriu aqui um conhecimento enorme e que eu acho que é a pessoa que está habilitada e que tem condições para, se ganhar um conselho, fazer um bom trabalho.
Desejo-lhe as maiores felicidades a ambos e que nós continuemos a ter prazer em viver nesta terra.
Telmo Pinto: O Adelino Rocha também fez parte das Marchas Populares de Quarteira (foi presidente da APROMAR), que são uma referência. Ou seja, é uma pessoa sempre ligada ao associativismo, sempre ligado à Educação, e também foi nesse contexto que eu olhei para o João Romão. É uma pessoa ligada ao associativismo, que está habilitado a trabalhar com as pessoas, e isso é muito importante. Faz a diferença.

Foi levantada a questão do Parque Canino. Telmo Pinto respondeu: Sobre o Parque Canino, nós comprámos todos os equipamentos e é para montar a norte do Continente, faz aquele espaço todo. Nós, neste momento, estamos a preparar, há um orçamento pedido, e fazer o procedimento porque há aqui umas diligências que têm de ser feitas sempre, com muita documentação e com exigências, e acho bem. E então, é muito rápido e já irão iniciar a construção.

Esmeralda Brito levantou a questão da necessidade de mais um lar da terceira idade em Quarteira.

Telmo Pinto respondeu: O lar da terceira idade de Quarteira tem o apoio da Segurança Social, mas estava ilegal. Ou seja, a Segurança Social tem vindo a fazer avisos sucessivos.
Porquê? Aquela área tinha vários lotes e nunca foi organizado. Por acaso, quem resolveu aquilo também foi o arquiteto Lopes. Neste mês, ele ficou legal e há um projeto iniciado para a ampliação para mais cerca de 40 ou 50 lugares.
Portanto, são mais de 40 ou 50 lugares aqui também. Há também depois, já se fala nisso, e tem que acontecer, o lar de Vale Judeu também. Ou seja, aqui, esta zona do Concelho, precisa também, muito urgentemente, de um lar.
Porque, por exemplo, se nós formos para a União de Frequências, temos um em cada. Tem três lares. E eu não sou contra.
Tem que haver, não é? Mas depois, aqui em baixo, onde temos uma grande parte da população, não há essa resposta. E eu não sou a favor, tanto de mais escolas, como mais lares.
Mas temos que falar do que é um lar. Hoje em dia, é um depósito para pessoas com demência e para pessoas com cuidados paliativos. Temos que mudar o conceito. Temos que ter espaços para essas pessoas, mas temos que pensar e reformular aquilo que é um lar para haver qualidade de vida para quem lá está.

Foi dito ainda, por parte do público:

Nós somos muito sedentários. E era isso que eu gostava de ver também no futuro, em Quarteira, todas as gerações a andar de bicicleta. Por exemplo, aquelas iniciativas que fazem na cidade, o passeio por bicicleta, a acontecer mais vezes. Acho que isso é importante. E acho que não requer grandes investimentos. Acho que os miúdos estão necessitados porque hoje em dia quase todos os miúdos vão para a escola de carro. E era isso que eu gostava de ver, uma pequena conclusão desse sentido. Ao João, desejo que tudo corra bem. É um grande desafio. Sei que és capaz. Acho que tens uma grande aposta. E tu vais conseguir.

Telmo Pinto respondeu:

Isto das bicicletas, a Câmara de Lomé saiu com o concurso, não sei se já está em vigor, para Vilamoura, Quarteira, Loulé, Almancil, Vale do Lobo e Quinta do Lago. Ou seja, bicicletas mistas, que eu espero que sejam mistas, também para fortalecer aquilo que estás a dizer, Manuel.
Precisamos cada vez mais de espaços seguros, também ciclovias e tudo mais. Em breve, com este equipamento, vai sair. E isto é sempre para os locais, nunca se esqueçam.
Estes meios suaves de transporte, é sempre para quem cá vive, não é para os turistas. Os turistas têm bicicletas para alugar nas lojas. E isto, este meio de transporte que a Câmara de Loulé vai lançar, vai ser importante para isto que o Manuel está a dizer e temos que apostar cada vez mais nisso.

Foi ainda abordada a questão da Saúde e a necessidade de um novo centro de saúde em Quarteira.

Telmo Pinto respondeu:
Eu tenho alergia aos contentores na escola, na saúde, em todo lado. Portanto, o centro de saúde também melhorou. Isto não é uma resolução nossa, da autarquia, atenção. Há trabalhos que são feitos, a Câmara ajudou na inserção de algumas coisas no centro de saúde e nós fazemos manutenções mas nós tínhamos 11 mil pessoas em 2013, 2014, acho que eram 11 mil pessoas sem médico de família. Hoje em dia já temos menos. É um trabalho muito importante que eles fizeram lá. Mas hoje temos aqueles contentores. O centro de saúde é importante para Quarteira.

Eu aproveito para dizer… Estas reuniões são também bem para vos vincular a vocês e para amanhã não podemos fugir aos problemas que existem. Eu, por exemplo, um dos problemas que tenho, não é da responsabilidade da junta, mas foi não ter resolvido o problema das águas e esgotos na 125. Há pessoas ainda nestas vias principais que não têm água nem esgotos, foi uma promessa que foi feita para todos nós e não aconteceu.
É uma coisa que tem que acontecer, que aconteça muito em breve. Não pode ficar assim. Porque não só a 125, mas há algumas, não sei se vocês têm noção, daqui do centro de Quarteira para a 125, há muitas pessoas que não têm água nem esgotos e nós temos de resolver isso.

Portanto, é inevitável que tenha que acontecer e isso no futuro vai ter mesmo, tem que ser uma prioridade.

Jorge Guerreiro questionou sobre o destino a dar aos 3 ou 4 milhões da Taxa Turística e sobre o destino previsto para a exposição Quarteira 6000 Anos de História, em virtude do protocolo assinado com a Câmara.

Telmo Pinto respondeu:
Sobre a taxa turística, tenho uma ideia a mim próprio. Atenção que nós passamos 5 ou 6 vezes mais a população nestas alturas do verão, nós temos um desgaste grande nas infraestruturas.
Seja por aí que vão. Nós temos, por exemplo, infraestruturas obsoletas. O que é que eu chamo de infraestruturas? Água, esgotos.
Há uma quantidade de coisas que nós precisamos de investir na manutenção. Eu acho que há uma verba que tem que ir para isso. Há outra parte da verba que eu também acho que tem que estar ligada um bocado aqui ao setor turístico e da atividade económica.
É importante que o façamos. Nós queremos diversificar a base económica mas ainda não o fizemos. No turismo é importante que nós sejamos competitivos, portanto, também para aí.
Sobre as escolas, eu não vou afetar a taxa turística porque eu acho que isto já tem que fazer parte da verba da Câmara. E é uma coisa que a Câmara já tem pensado. Sobre a questão da exposição, os 6 mil anos de Quarteira não podem desaparecer porque é um trabalho muito, muito bom.
Aquilo é crescermos todos os dias em termos de conhecimento. E eu vi a equipa que esteve envolvida. É do país inteiro.
E aquilo, qual é a minha ideia? Vou dizer qual é a minha ideia e fiz um pequeno desenho para isso. O novo mercado de Quarteira está adjudicado. Eu só acredito que ele começa quando eles estiverem lá com as máquinas. Mas está adjudicado, está no Tribunal de Contas, significa que daqui a um mês pode começar. Se tudo corresse bem, poderia começar. O novo mercado, o novo edifício. O velho edifício do mercado é dos poucos edifícios históricos que nós temos em Quarteira. Nós não temos muitos edifícios históricos em Quarteira. Temos o Centro Autárquico, que já foi recuperado; Temos a Igreja Velha, de Nossa Senhora da Conceição; Temos o Mercado da Fruta e dos Legumes e Mercado do Peixe. Não temos muito mais do que isto. Isto é uma ideia minha. Acho que aquele espaço devia ser um museu com o que nós temos naquela exposição. É uma ideia. Porque não pode acabar aqui. Não, porque é uma aposta cultural.
Estamos a falar de cultura aqui. E não sei se vocês também já foram aos Banhos Islâmicos (Loulé). Há aqui um ou dois projetos muito interessantes no concelho que nós às vezes reivindicamos e se for fora vamos ver e aqui não vemos. Eu aconselho a irem ver tanto aqui a exposição de Quarteira dos 6000 Anos de História como os Banhos Islâmicos, em Loulé. São dois trabalhos fora de série. São coisas muito importantes que foram feitas. São coisas que fazem parte da história.
E acho que mesmo nós cá dentro às vezes não conhecemos o que temos. E a cultura pode ser uma boa base também no foco da nossa região.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

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