O Calçadão de Quarteira ganhou duas novas intervenções artísticas que prometem provocar discussão e reflexão. Foram inauguradas esta quinta-feira, 24 de julho, as obras “Ice Cream War”, de Xana, e “Bote Negro: a paz, o pão, a autoconstrução”, de Edgar Massul, no âmbito da 4ª edição do Programa de Apoio às Artes (PAA), com curadoria de Miguel Cheta.


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A cerimónia contou com a presença dos artistas e de várias figuras públicas, incluindo o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, o presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, Telmo Pinto, e Isolete Correia, responsável pela Marina de Vilamoura e administradora da Vilamoura World.
“Ice Cream War”: Um sorvete amargo sobre conflitos globais
A instalação de Xana, com uma estética que remete à banda desenhada e à publicidade, apresenta uma ironia cortante: a tentativa de ignorar guerras e tragédias humanitárias enquanto se desfruta do lazer à beira-mar. A obra faz referência direta aos conflitos Israel-Palestina e Rússia-Ucrânia, questionando se é possível saborear um gelado na praia enquanto crianças morrem em Gaza ou cidades são destruídas.
“É um alerta poético para que as metáforas artísticas não se tornem profecias de futuros ainda mais sombrios”, explicou o artista, que convida o público a não normalizar a violência em nome do conforto quotidiano.
“Bote Negro”: Crise habitacional e memória dos pescadores
Já Edgar Massul apresenta uma obra que transforma um bote de pesca abandonado num abrigo negro, evocando as habitações precárias dos pescadores algarvios do passado e, ao mesmo tempo, criticando a atual crise habitacional.
“Utilizei materiais rústicos e descartados para falar de autoconstrução, sobrevivência e dignidade”, afirmou Massul. O preto da estrutura não é apenas uma escolha estética, mas um símbolo do rigor e urgência que o tema exige.
Arte pública como espaço de debate
O Programa de Apoio às Artes (PAA), que chega à sua quarta edição, continua a trazer obras que desafiam o olhar convencional e estimulam o pensamento crítico. “Estas instalações não são apenas para serem vistas, mas para serem sentidas e questionadas“, destacou o curador Miguel Cheta.
O presidente Vítor Aleixo reforçou o compromisso do município em apoiar a arte como veículo de transformação social, enquanto Telmo Pinto celebrou a iniciativa como uma forma de enriquecer culturalmente o espaço público de Quarteira.
As obras ficarão expostas no Calçadão de Quarteira até ao final de setembro, oferecendo a residentes e turistas uma oportunidade para parar, observar e refletir sobre os desafios do mundo contemporâneo.
Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve
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