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JAT – Janela Aberta Teatro vence prémio de Melhor Espetáculo no 48º Festival Internacional de Teatro Clásico de Almagro (Espanha)

“Cabo das Tormentas” conquista o ALMAGRO OFF com uma abordagem inovadora do texto clássico

JAT – Janela Aberta Teatro – “Cabo das Tormentas”

A companhia algarvia JAT – Janela Aberta Teatro foi distinguida com o prémio ALMAGRO OFF de Melhor Espetáculo no 48º Festival Internacional de Teatro Clásico de Almagro (Espanha), um dos mais prestigiados eventos de teatro clássico do mundo. A peça “Cabo das Tormentas”, encenada no emblemático Teatro Municipal de Almagro, destacou-se na categoria que valoriza novas dramaturgias contemporâneas baseadas em textos do Século de Ouro, criadas por artistas emergentes.

O anúncio foi feito pela diretora do festival, Irene Pardo, que destacou a missão do prémio: Promover encenadores que reinventam o teatro clássico através de linguagens inovadoras e disruptivas. O júri, composto por Kata Martínez (diretora adjunta do festival), José Luis Patiño (diretor adjunto da Companhia Nacional de Teatro Clásico), Carmen Díaz (professora do IES Clavero Fernández de Córdoba) e Alonso Redondo (aluno do mesmo instituto), elogiou a produção pela sua “inteligência, originalidade e impacto visual”.

Na avaliação, os jurados destacaram:

  • “Uma visão cénica inovadora, que transmite emoções e conta uma história complexa sem excesso de texto, envolvendo o público em cada momento”.
  • “Equilíbrio perfeito entre teatro físico e expressão visual, com cenografia minimalista que estimula a imaginação”.
  • “Execução impecável, demonstrando alta coordenação e criatividade”.

Em competição estavam três espetáculos espanhóis:

  • Las bizarrías (Companhia Reverso)
  • Free Britney, una historia en verso del S.XXI (Companhia Merienda Dramática)
  • Las preciosas ridículas (Companhia Arroz con Costra Producciones y Marcos Altuve Producciones)

Um marco para o teatro português

Esta é a primeira distinção internacional do JAT – Janela Aberta Teatro, que, além do prémio monetário, teve a honra de reestrear “Cabo das Tormentas” no dia de encerramento do festival, perante uma sala quase esgotada. O espetáculo foi apresentado em português, com legendas em espanhol, levando ao público de Almagro textos de Luís Vaz de Camões, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Jeanette Winterson e José Saramago.

Miguel Martins Pessoa, Irene Pardo e Diana Bernedo – fotografia Festival Almagro/Pablo Lorente

Com uma dramaturgia arrojada de Diana Bernedo e o quarteirense Miguel Martins Pessoa, a peça funde teatro físico, mimo contemporâneo e dança, conquistando tanto o júri como a plateia. Os diretores agradeceram emocionados:
“É uma honra partilhar os nossos clássicos num festival tão importante. Num mundo onde as barbáries persistem, nós, artistas, não podemos calar-nos”.

Uma epopeia crítica sobre os Descobrimentos

“Cabo das Tormentas” revisita a história portuguesa através de um grupo de mendigos, onde o espírito de Camões emerge nas tormentas de um deles. A narrativa entrelaça passado e presente, explorando temas como memória, velhice e esquecimento, numa viagem entre tempestades, realidade e ficção.

O jornalista Paco Alberola (Revista AlicanteMAG e ex-diretor do Festival de Teatro y Música Medieval de Elche) descreveu o espetáculo como “uma tempestade bíblica”.

Portugal em destaque no festival

Nesta edição, participaram 48 companhias de oito países, com duas representantes portuguesas:

  • JAT – Janela Aberta Teatro (Cabo das Tormentas, vencedor do ALMAGRO OFF)
  • Companhia do Chapitô (Rei Lear)

Produção e apoios
Coprodução: JAT – Janela Aberta TeatroACTA – A Companhia de Teatro do Algarve / Teatro LethesCineteatro Louletano / Município de Loulé e Centro Cultural de Lagos / Município de Lagos.
Apoios: República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Faro.

Um triunfo do teatro português, que reforça a vitalidade da criação contemporânea a partir dos clássicos.

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