Opinião

Quarteira e as férias de verão, por José Ramalho

José Ramalho

Caro leitor, como está?

No dia em que vos escrevo, termina o período de férias de muitos portugueses. O país já não está a banhos e prepara-se para ir para o trabalho!

Um destes dias, numa das praias da frente mar de Quarteira, e depois daquele que é para mim o melhor momento de praia – a bendita soneca – observei a conversa entre duas famílias do norte, uma que se despedia, e outra que ainda ficaria mais uns dias.

Aparentemente conheceram-se nessa praia e em comum têm o gosto de vir passar duas semanas de férias a Quarteira todos os anos, uma delas à mais de 20 anos!

Como pessoa que escolheu Quarteira para viver, aquela conversa é um hino à “nossa Quarteira” e às pessoas que sempre tão bem os recebem. Mas, o que fica desta conversa, penso. O gosto dos turistas pela cidade, pelas praias, pelas suas gentes. A simpatia por quem lhes arrenda as casas e dos quais se tornam amigos?…”

Do outro lado deste “mar de rosas” que é ver Quarteira cheia de gente, viva de sotaques de outras regiões ou de outras lingas estrangeiras no que se traduz no proveito económico para a cidade, o que diz a caixa registadora dos nossos comerciantes que possibilitam que Quarteira floresça entre estes dois grandes meses de Julho e Agosto?

Por uma lado e falando de nós portugueses que mais parece estarmos destinados a uma pobreza eterna, sem a possibilidade de fazer umas férias a sério, sem compras diárias nos supermercados, sem a mesma azáfama diária, ao invés de podermos ter o desafogo financeiro para escolhermos uma esplanada de café, bar ou restaurante e fazer o nosso pedido sem medo e acabamos muitas vezes por mandar vir para partilhar.

E os comerciantes, poderão eles fazer esta “caridade”, ou seja, darem-se ao luxo de ter mesas/espaços ocupados por contas a partilhar, reduzindo assim o seu propósito comercial de fazer dinheiro? Empregados, luz, rendas altas, água e gás, mercadoria e impostos? O que sobrará, efectivamente, para o comerciante?

Fará sentido ter uma mesa com duas pessoas a partilharem uma Coca-Cola? Usar a mesma simpatia que usa para quem lhes faz uma boa mesa? Facturar bem em dois/três meses e penar nos restantes? E o staff, que vê o seu horário de trabalho a crescer exponencialmente. É o tudo ou o nada de repente…

É essa a questão que deixo em aberto aos vários setores económicos e turísticos. O que queremos que Quarteira seja, o que tem oferecido ou o que possa vir a querer oferecer de futuro aos turistas que a escolhem para virem passar uns dias, qual o nicho de mercado que melhor servirá a cidade, as suas gentes e a sua freguesia num todo?

Cumprimentos,

José Ramalho

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