Artigo de pesquisa elaborado por Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve com recurso a IA– Inteligência Artificial.
E mais uma vez aconteceu: os EUA voltaram a intervir num país terceiro, desta vez na Venezuela, no dia 2 de janeiro de 2026. A História dos EUA está repleta de exemplos destes e começaram logo em 1846, apenas 67 anos após a Independência dos EUA.
Com recurso a várias plataformas de IA, o PlanetAlgarve construiu cronologiashistóricasdas principais intervenções dos Estados Unidos em mudanças de regime, com as explicações oficiais alegadas na época e as motivações políticas e económicas geralmente apontadas por historiadores.
Não é uma lista absolutamente exaustiva, mas aborda os casos mais relevantes e documentados.
🌎 Século XIX – Expansão e Doutrina Monroe
1846–1848 – México
- Intervenção: Guerra EUA–México; anexação de territórios (Califórnia, Texas, Novo México etc.)
- Explicação oficial: Destino Manifesto, defesa de interesses americanos
- Motivação real apontada: Expansão territorial, recursos naturais, poder regional
🦅 Início do Século XX – Imperialismo e “Big Stick”
1898 – Cuba / Porto Rico / Filipinas
- Intervenção: Guerra Hispano-Americana
- Explicação oficial: Libertar Cuba do domínio espanhol
- Motivações reais: Expansão imperial, controlo estratégico, comércio e bases militares
1903 – Panamá
- Intervenção: Apoio à separação da Colômbia
- Explicação oficial: Estabilidade regional
- Motivação real: Construção e controlo do Canal do Panamá
1904–1934 – América Central e Caribe
(Nicarágua, Haiti, República Dominicana, Honduras, Cuba)
- Intervenção: Ocupações militares e imposição de governos
- Explicação oficial: Estabilidade, proteção de cidadãos americanos
- Motivações reais: Proteção de empresas (United Fruit), bancos e influência regional
❄️ Guerra Fria (1945–1991) – Anticomunismo
1953 – Irão
- Intervenção: Golpe contra o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh
- Explicação oficial: Combater o comunismo
- Motivação real: Petróleo, interesses britânicos/americanos, poder regional
1954 – Guatemala
- Intervenção: Golpe contra Jacobo Árbenz
- Explicação oficial: Ameaça comunista
- Motivação real: Interesses da United Fruit Company, reforma agrária
1961 – Cuba
- Intervenção: Invasão da Baía dos Porcos (fracassada)
- Explicação oficial: Libertar Cuba do comunismo
- Motivação real: Conter influência soviética no hemisfério
1964 – Brasil
- Intervenção: Apoio ao golpe militar
- Explicação oficial: Evitar “ameaça comunista”
- Motivação real: Alinhamento ideológico, estabilidade pró-EUA
1965 – República Dominicana
- Intervenção: Invasão militar
- Explicação oficial: Evitar uma “nova Cuba”
- Motivação real: Controlo político regional
1973 – Chile
- Intervenção: Apoio ao golpe contra Salvador Allende
- Explicação oficial: Defesa da democracia
- Motivação real: Medo do socialismo, interesses económicos, Guerra Fria
1979–1989 – Afeganistão
- Intervenção: Apoio aos mujahidin contra a URSS
- Explicação oficial: Resistência à invasão soviética
- Motivação real: Enfraquecer a União Soviética
1980s – Nicarágua / El Salvador
- Intervenção: Apoio a forças contra governos de esquerda
- Explicação oficial: Combate ao comunismo
- Motivação real: Manutenção da hegemonia regional
🌐 Pós-Guerra Fria (1991–presente)
1989 – Panamá
- Intervenção: Invasão e derrube de Manuel Noriega
- Explicação oficial: Combate ao narcotráfico
- Motivação real: Controlo do canal, disciplina geopolítica
2001 – Afeganistão
- Intervenção: Invasão após o 11 de setembro
- Explicação oficial: Combate ao terrorismo (Al-Qaeda)
- Motivação real: Segurança estratégica, presença militar
2003 – Iraque
- Intervenção: Invasão e derrube de Saddam Hussein
- Explicação oficial: Armas de destruição em massa (não encontradas)
- Motivação real apontada: Petróleo, poder regional, influência no Oriente Médio
2011 – Líbia
- Intervenção: Apoio militar ao derrube de Muammar Kaddafi
- Explicação oficial: Proteção de civis
- Motivação real: Controlo estratégico, mudança de regime hostil
2010s – Síria
- Intervenção: Apoio a grupos opositores
- Explicação oficial: Combate ao ISIS, defesa dos direitos humanos
- Motivação real: Enfraquecer Assad, Rússia e Irão
2019–presente – Venezuela
- Intervenção: Sanções, apoio à oposição, intervenção militar e captura do presidente Nicolas Maduro e da Primeira-Dama
- Explicação oficial: Defesa da democracia
- Motivação real: Petróleo, minerais e contenção de governos anti-EUA
🧭 Resumo das motivações recorrentes
🔊 Alegações oficiais mais comuns
- Defesa da democracia
- Combate ao comunismo
- Combate ao terrorismo
- Proteção de civis e direitos humanos
- Segurança nacional
🧠 Motivações apontadas por historiadores
- Controlo de recursos (petróleo, terra, minerais)
- Influência geopolítica
- Proteção de empresas americanas
- Contenção de rivais globais
- Manutenção da hegemonia global
⚖️ Observação importante
Nem todas as intervenções tiveram os mesmos níveis de envolvimento:
- Algumas foram golpes diretos
- Outras apoio financeiro, político ou militar
- Muitas envolveram operações secretas da CIA
Um eixo central da política externa dos EUA, sobretudo do final do século XIX até à Guerra Fria. Abaixo está uma cronologia focada especificamente em intervenções (diretas ou indiretas) para proteger ou expandir interesses de empresas americanas, com casos bem documentados por historiadores e arquivos desclassificados.
Vou separar por períodos, empresas envolvidas, mecanismos de intervenção e justificativas oficiais.
🏴☠️ Fim do século XIX – início do XX
“Diplomacia do Dólar”
1898 – Cuba
- Empresas: Açúcar, tabaco, bancos americanos
- Intervenção: Ocupação militar e controlo político indireto
- Justificativa oficial: Libertação colonial
- Interesse real: Controlo económico da ilha e investimentos agrícolas
1903 – Panamá
- Empresas: Companhias de engenharia e bancos americanos
- Intervenção: Apoio à separação da Colômbia
- Justificativa oficial: Estabilidade e progresso
- Interesse real: Construção e controlo do Canal do Panamá (lucros e estratégia)
1904–1934 – América Central e Caribe
(Nicarágua, Honduras, Haiti, Rep. Dominicana, Cuba)
- Empresas:
- United Fruit Company
- Bancos de Wall Street (J.P. Morgan, National City Bank)
- Intervenção: Ocupações militares, imposição de governos
- Justificativa oficial: Ordem, combate à anarquia
- Interesse real: Plantações, ferrovias, portos, dívidas externas
📌 Origem do termo “Repúblicas das Bananas”
🍌 Casos emblemáticos
1911 – Honduras
- Empresa: United Fruit
- Intervenção: Apoio a golpes de Estado
- Justificativa oficial: Estabilidade
- Interesse real: Controlo de terras e exportações
1915–1934 – Haiti
- Empresas: Bancos americanos
- Intervenção: Ocupação militar
- Justificativa oficial: Estabilidade financeira
- Interesse real: Controlo do banco central e das alfândegas
❄️ Guerra Fria – empresas + anticomunismo
1953 – Irão
- Empresas: Anglo-Iranian Oil Company (BP) + empresas americanas
- Intervenção: Golpe da CIA (Operação Ajax)
- Justificativa oficial: Ameaça comunista
- Interesse real: Petróleo e controlo da nacionalização
1954 – Guatemala
- Empresa: United Fruit Company
- Intervenção: Golpe da CIA
- Justificativa oficial: Combate ao comunismo
- Interesse real: Reversão da reforma agrária que afetava a empresa
📌 Executivos da United Fruit tinham vínculos diretos com o governo Eisenhower.
1964 – Brasil
- Empresas: Multinacionais, setor financeiro, petróleo
- Intervenção: Apoio ao golpe militar
- Justificativa oficial: Anticomunismo
- Interesse real: Ambiente favorável a investimentos estrangeiros
1973 – Chile
- Empresas: ITT, Anaconda Copper, Kennecott
- Intervenção: Apoio ao golpe contra Allende
- Justificativa oficial: Defesa da democracia
- Interesse real: Nacionalizações do cobre e telecomunicações
📌 Documentos mostram coordenação entre CIA e executivos da ITT.
🛢️ Pós-Guerra Fria – petróleo e corporações globais
1991 – Iraque (Guerra do Golfo)
- Empresas: Exxon, Chevron, Halliburton
- Intervenção: Guerra internacional liderada pelos EUA
- Justificativa oficial: Libertar o Kuwait
- Interesse real: Segurança do petróleo e rotas energéticas
2003 – Iraque
- Empresas: Halliburton, Bechtel
- Intervenção: Invasão e ocupação
- Justificativa oficial: Armas de destruição em massa
- Interesse real: Petróleo, reconstrução, contratos bilionários
2011 – Líbia
- Empresas: Energia e infraestrutura
- Intervenção: Apoio militar à queda de Kaddafi
- Justificativa oficial: Proteção de civis
- Interesse real: Petróleo, influência no Mediterrâneo
⚙️ Mecanismos usados (nem sempre militares)
🪖 Diretos
- Invasões
- Ocupações militares
- Golpes apoiados pela CIA
💰 Indiretos
- Sanções económicas
- Pressão diplomática
- Apoio a elites empresariais locais
- Condicionalidades do FMI/Banco Mundial
🧠 Padrões identificados por historiadores
- Empresas influenciam política externa via lobby
- Interesses corporativos são enquadrados como “segurança nacional”
- Mudança de regime quando governos:
- nacionalizam recursos
- restringem lucros
- limitam repatriação de capital
📚 Fontes históricas clássicas
- Stephen Kinzer (Overthrow)
- William Blum (Killing Hope)
- Naomi Klein (The Shock Doctrine)
- Documentos desclassificados da CIA e do Departamento de Estado
⚖️ Nota de rigor
Nem todas as intervenções americanas foram exclusivamente corporativas, mas em muitos casos, os interesses empresariais foram decisivos, ainda que encobertos por discurso ideológico ou humanitário.
Ainda com recurso à IA, apresento abaixo uma tabela comparativa por empresa, reunindo os casos mais estudados em que intervenções políticas, militares ou encobertas dos EUA estiveram ligadas à proteção ou expansão de interesses corporativos.
Incluo país, período, tipo de intervenção, justificativa oficial e a motivação económica apontada por historiadores.
📊 Tabela comparativa – Empresas dos EUA e intervenções associadas
| Empresa / Setor | País / Região | Ano(s) | Tipo de intervenção dos EUA | Justificativa oficial | Motivação económica apontada |
|---|---|---|---|---|---|
| United Fruit Company (agronegócio) | Guatemala | 1954 | Golpe da CIA | Combate ao comunismo | Reverter reforma agrária; proteger terras e lucros |
| United Fruit Company | Honduras | 1900–1930 | Apoio a golpes e governos | Estabilidade | Controlo de terras, portos e exportações |
| United Fruit Company | Costa Rica / Nicarágua | 1910–1930 | Pressão política e militar | Ordem regional | Monopólio da produção de bananas |
| Standard Oil / Exxon / Chevron (petróleo) | Irã | 1953 | Golpe da CIA | Anticomunismo | Reverter nacionalização do petróleo |
| Exxon / Chevron | Iraque | 2003 | Invasão militar | ADM / terrorismo | Acesso ao petróleo e contratos futuros |
| Exxon / Chevron | Venezuela | 2000s–presente | Sanções, pressão política | Defesa da democracia | Controlo de reservas e políticas energéticas |
| ITT (telecomunicações) | Chile | 1970–1973 | Apoio a golpe | Defesa da democracia | Evitar nacionalizações |
| Anaconda Copper (mineração) | Chile | 1970–1973 | Apoio indireto ao golpe | Estabilidade | Controlo do cobre |
| Kennecott Copper | Chile | 1970–1973 | Pressão política | Livre mercado | Reverter nacionalização |
| Halliburton (energia/infraestrutura) | Iraque | 2003–2011 | Guerra e ocupação | Reconstrução | Contratos bilionários sem licitação |
| Bechtel (engenharia) | Iraque | 2003–2007 | Ocupação | Reconstrução | Obras públicas e privatizações |
| Chiquita Brands (agronegócio) | Colômbia | 1990s–2000s | Apoio indireto a forças locais | Combate ao narcotráfico | Proteção de operações e logística |
| ITT / AT&T | Brasil | 1964 | Apoio ao golpe militar | Anticomunismo | Ambiente favorável a multinacionais |
| Dow Chemical / Monsanto | Vietnã | 1960s–1970s | Guerra | Contenção do comunismo | Produção de agentes químicos (Agente Laranja) |
| Lockheed Martin / Boeing (armas) | Oriente Médio | 1980s–presente | Apoio militar a aliados | Segurança regional | Venda de armamentos |
| United Fruit / bancos de Wall Street | Haiti | 1915–1934 | Ocupação militar | Estabilidade financeira | Controlo do banco central e alfândegas |
| Bancos (JP Morgan, Citibank) | Nicarágua | 1910s–1920s | Ocupação / tutela fiscal | Ordem económica | Garantia de dívidas e investimentos |
🔎 Padrões claros observados
🧩 Setores mais envolvidos
- Petróleo e energia
- Agronegócio
- Mineração
- Infraestruturas
- Telecomunicações
- Complexo industrial-militar
🛠️ Instrumentos recorrentes
- Golpes de Estado apoiados pela CIA
- Ocupações militares
- Sanções económicas
- Pressão diplomática
- Condicionamento via FMI/Banco Mundial
🗣️ Narrativas usadas
- “Combate ao comunismo”
- “Defesa da democracia”
- “Proteção de civis”
- “Estabilidade económica”
- “Guerra ao terrorismo”
📌 Interesses empresariais raramente apareciam publicamente, mas surgem com clareza em documentos desclassificados e registos de lobby.
Linha do Tempo – Intervenções dos EUA e Interesses Empresariais
Infográfico analítico baseado em casos históricos documentados, abrangendo os séculos XIX a XXI.
Ainda com recurso à IA, apresento uma linha do tempo visual que sintetiza as principais intervenções dos EUA associadas a interesses empresariais, organizada cronologicamente desde o final do século XIX ao século XXI.
🌍 Cobertura temporal
- 1898 → 2019
- Do imperialismo clássico à geopolítica energética contemporânea
🏭 Sectores e empresas representados
- Agro-indústria (United Fruit / Chiquita)
- Banca e finança (Wall Street)
- Engenharia e infra-estruturas
- Petróleo e energia (Standard Oil, Exxon, Chevron)
- Mineração (cobre)
- Complexo militar-industrial
- Reconstrução e privatizações
🌎 Países/regiões adicionais
- Honduras
- Nicarágua
- Afeganistão
- Golfo Pérsico
- Venezuela
(além dos já abordados: Cuba, Panamá, Haiti, Irão, Guatemala, Brasil, Chile, Iraque, Líbia)

🕰️ Como ler a linha do tempo
- Eixo horizontal (Ano): momento da intervenção ou início do processo
- Eixo vertical: país/região + sector empresarial predominante
- Cada ponto representa um caso emblemático (não exaustivo), escolhido pela sua relevância histórica e documental
📌 O que a visualização evidencia
- Uma continuidade histórica (não episódios isolados)
- A transição de:
- agro-indústria e banca (1890–1930)
- para petróleo, mineração e telecomunicações (1950–1970)
- até energia, reconstrução e complexo militar-industrial (1990–presente)
- A adaptação do discurso legitimador ao contexto histórico, mantendo interesses económicos estruturais
⚖️ Nota metodológica
Esta linha do tempo é:
- analítica, não exaustiva
- baseada em casos amplamente documentados (arquivos desclassificados, investigações parlamentares, historiografia académica)
- adequada para ensino, apresentações, artigos ou debates públicos
Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve com recurso a IA
Categorias:Internacional, Opinião


