Ambiente

Governo assina contrato para alimentação artificial das praias entre Quarteira e Garrão

O Governo assinou este sábado, 10 de janeiro, em Quarteira, o contrato que dá início à obra crucial de alimentação artificial com areia ao longo de 6,7 quilómetros de costa, entre as praias do Forte Novo, em Quarteira, e do Garrão, no Algarve.

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A sessão de assinatura, presidida pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, decorreu no Largo da Gaivota, junto à Praia do Forte Novo, local emblemático onde os efeitos da erosão têm sido mais severos. A empreitada, adjudicada à empresa Dravosa S.A., representa um investimento total de 14,9 milhões de euros e arranca já na segunda-feira, 12 de janeiro.

Uma intervenção urgente e estratégica

Após anos de atraso, a ministra sublinhou a importância de cumprir o calendário: “Acaba antes da época balnear”. O timing, garantiu, “está no contrato”. A intervenção prevê a colocação de 1,4 milhões de metros cúbicos de sedimentos, um volume 40% superior à reposição habitual, o que deverá prolongar significativamente o seu efeito protetor.

Para José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), os números são claros: “A praia vai crescer 40 metros em largura”. A draga de alta performance a ser utilizada permitirá que a fase de deposição de areia se complete em cerca de dois meses.

Mais do que repor areia: um projeto integrado de defesa costeira

Maria da Graça Carvalho esclareceu que o contrato agora assinado (no valor de cerca de 9 milhões de euros) cobre a reposição de areia, estando previstos investimentos adicionais para a reconstrução de passadiços e outros arranjos. Além disso, a governante avançou que “as obras de recuperação dos esporões, aqui em Quarteira, que já têm projeto e autorização ambiental, muito em breve irão também avançar”.

Esta obra insere-se numa estratégia mais ampla de proteção do litoral algarvio, que inclui intervenções em curso na Praia do Vau (Portimão), na Península do Ancão, e na Ria Formosa (Fuzeta e Ilha da Armona). “Estas são obras fundamentais para o país, destinadas a garantir a segurança das populações e a proteção da orla costeira”, afirmou a ministra.

Um marco após complexos procedimentos e atrasos

A ministra não ignorou os obstáculos do passado, atribuindo parte do atraso aos “procedimentos administrativos que são complicadíssimos em Portugal”, que, neste caso, “são mais demorados do que a obra”. Enfatizou a atuação do atual Governo: “Temos como principal lema executar obra. Há muitas obras atrasadas e é importante resolver os problemas”.

A perspetiva local e política

O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, afirmou que a autarquia está “preparada para planear, antecipadamente, o próximo ciclo” de intervenção, salientando a sintonia mantida com o Ministério do Ambiente.

A oposição também se pronunciou. Luís Graça, do PS Algarve, defendeu a necessidade de tornar estas operações “sistemáticas”, realçando que a defesa da costa é “mais do que uma questão ambiental; é um problema de soberania territorial e uma exigência económica” vital para o turismo regional.

Esta intervenção, prevista no Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vilamoura/VRSA, é encarada como um passo decisivo para mitigar a erosão, proteger as arribas e estabilizar todo o troço costeiro, assegurando ainda a proteção do sistema de ilhas-barreira da Ria Formosa. A sua conclusão antes do verão é vista como uma prioridade para a segurança, a economia e o ambiente do Algarve.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Categorias:Ambiente, Quarteira, Turismo

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