Opinião

Mais uma voltinha, por Rafu

Rafu

A segunda volta das eleições presidenciais de 2026 vai ser disputada entre António José Seguro e André Ventura.

A segunda volta vai ser entre um candidato democrata que respeita a constituição e um saudosista fervoroso de Salazar ou, como a direita diz, “uma escolha muito difícil”.

Todos os candidatos de esquerda foram na própria noite de eleições a público manifestar o apoio ao antigo líder do PS na segunda volta, surpreendendo um total de zero pessoas. É quase como se todos eles tivessem passado toda a campanha a afirmar que se tivesse havido um consenso de toda a esquerda numa pessoa não precisariam de se ter candidatado.

Já todos os candidatos de direita e o primeiro-ministro apressaram-se a aplicar a “mentalidade de Ronaldo” que Luís Montenegro diz querer para os portugueses, ao não terem qualquer opinião sobre as eleições.

Gouveia e Melo diz que este é “um momento muito precoce” para escolher a quem apoiar; E faz sentido usar o termo precoce tendo em conta o que expeliu quando pensou em Ventura.

Cotrim de Figueiredo culpou Luís Montenegro, dizendo que este não está à altura de Francisco Sá Carneiro porque teve o desplante de não votar no menino. Já por sua vez o candidato esteve à altura, tendo em conta que no final da campanha também esteve em queda.

Queda esta provocada talvez por um alegado pedido assediador amplamente noticiado para alguém “abrir as pernas”, e nem sequer me refiro ao que ele parecia estar disposto a fazer pelo Chega.

A realidade é que o mais próximo que Cotrim de Figueiredo tem de Francisco Sá Carneiro é ficar em silêncio quanto a esta segunda volta.

Marques Mendes também disse que não vai endossar ninguém, o que prova que finalmente desistiu da profissão de comentador.

Até lá, e ao que tudo indica, o mesmo candidato que passou a primeira volta a dizer que não gosta de gavetas e, no entanto, não saiu do armário para dizer que é de esquerda vai agora passar a segunda volta a ser acusado de ser um extremista radical.

Trata-se do mesmo António José Seguro que nos debates disse ser “um homem de convicções” (a não ser que alguém lhe pergunte se ele é de esquerda), da “esquerda responsável”, da “social-democracia”, “progressista”, “democrata e humanista”. Diz que “não vive dentro de gavetas”, mas tem muito espaço de arrumação.

Já o seu adversário André Ventura diz que não quer ser o presidente de todos os portugueses, que gostaria de mudar a constituição, que tem como valores o slogan do estado novo “deus, pátria e família”, e quer dar um murro na mesa. Claramente é algo que se quer, que um presidente aja da mesma forma que um bebé que não gosta da papa enquanto continua a comer.

Perante este cenário, muitas figuras de vários quadrantes políticos já vieram manifestar o voto em António José Seguro. Tal escolha para um democrata convicto não deveria ser difícil. Podia ser uma pedra contra o André Ventura na segunda volta, que eu votaria na pedra. A pedra não diz que o país precisa de 3 Salazares.

Seguro é demasiado centrista para a esquerda e demasiado de esquerda para a direita, mas com certeza é demasiado democrata para quem não gosta da democracia, e talvez isso seja suficiente para ser a melhor escolha.

Os resultados ditarão se queremos que as eleições sejam um reflexo da sociedade ou um refluxo.

A segunda volta vai ser entre a extrema-direita e o extremamente moderado. Espero que votem com moderação.

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