Lagos

“Gulbenkian Empregar” apoia jovens que não estudam, não trabalham, nem estão em formação

Projeto Academia de Rua @ Lagos, da Associação Juvenil Transformers, é um dos beneficiários

Iniciativa vai apoiar 14 projetos para promover a qualificação e a empregabilidade de jovens em situação de maior vulnerabilidade, em quatro regiões do país

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A Fundação Calouste Gulbenkian vai apoiar 14 projetos, com o intuito de reforçar a segurança financeira e as taxas e qualidade do emprego entre jovens dos 16 e os 34 anos que não estudam nem trabalham, ou que se encontram em situações de emprego precário, pouco qualificado ou com baixo rendimento. A iniciativa, a que se deu o nome de “Gulbenkian Empregar”vai apoiar mais de mil jovens residentes nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, no Algarve e na Região Autónoma dos Açores.

O apoio aos jovens conhecidos por “nem-nem” (ou NEET, na sigla em inglês) será feito através de projetos inovadores apresentados por consórcios de pessoas coletivas, públicas ou privadas, sem fins lucrativos, sediadas em Portugal, que promovam a qualificação e a empregabilidade de jovens em situação de maior vulnerabilidade. Este apoio será feito em várias frentes: desenvolvimento de literacias básicas (linguística, digital, financeira, entre outras), desenvolvimento de competências sociais, emocionais e técnicas, da requalificação e reconhecimento de competências, estágios, orientação profissional, apoio à regularização de documentação e legalização de imigrantes ou de criação, estímulo ao autoemprego ou alargamento de redes locais de emprego. Foram privilegiados projetos com comprovada sustentabilidade a médio-longo prazo, qualidade e diversidade de parcerias e forte potencial de replicação.

Os 14 projetos foram selecionados após concurso e avaliação independente baseada em critérios de pertinência, inovação, qualidade, ambição, participação e sustentabilidade. Com duração entre 12 e 18 meses, os projetos selecionados destacaram-se pela adoção de intervenções personalizadas, mentoria, aprendizagem dual e criação de redes locais de empregabilidade, bem como por estratégias sólidas de monitorização e continuidade. A iniciativa tem ainda como objetivo validar metodologias que possam, no futuro, ser internalizadas nas políticas públicas de qualificação, emprego e inclusão de jovens.

Neste sentido, a iniciativa contempla um apoio contínuo e de proximidade por especialistas em desemprego jovem e em inovação social (ISCTE e MAZE IMPACT, respetivamente), no sentido de aumentar a probabilidade de sucesso das intervenções. Foi também estabelecida uma parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, com vista à posterior generalização e disseminação alargada da iniciativa.

SOBRE OS NEET (“Not in Education, Employment or Training”)

A taxa de prevalência de jovens NEET em Portugal tem vindo a baixar de forma consistente desde 2013, situando-se, em 2023, abaixo da meta europeia (9% até 2030). É, no entanto, de salientar que o problema persiste, com particular incidência em grupos vulneráveis, onde as taxas são muito superiores – os imigrantes de algumas regiões podem apresentar taxas de prevalência três vezes superiores à média nacional; os jovens nacionais das Regiões Autónomas estão numa situação mais desfavorável do que os jovens do continente, e muito acima da meta europeia.

Existem seis grandes subgrupos de jovens NEET: os desempregados convencionais; os desempregados de longa e curta duração; os não disponíveis (para o estudo, o trabalho ou formação); os desencorajados; os que procuram uma oportunidade (jovens que, apesar de procurarem ativamente trabalho/formação, aguardam uma oportunidade consentânea com as suas competências e qualificações); os voluntários (jovens que optaram por estilos de vida alternativos). Fatores que explicam o risco acrescido de um jovem se tornar NEET: baixo nível de escolaridade; género (as raparigas enfrentam maiores dificuldades, frequentemente associadas a responsabilidades familiares acrescidas); origem migrante ou étnica; condições de saúde; baixo nível socioeconómico; resiliência (quanto mais tempo os jovens permanecem na condição NEET mais difícil é sair dela). Consequências económicas e sociais: perda de capital humano; custos para o Estado; problemas de saúde mental e bem-estar; ciclo intergeracional de pobreza.

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