Opinião

O racismo entra em campo

Rafu

Um jogo de futebol entre o Real Madrid e o Benfica foi marcado por acusações de alegados insultos racistas de Gianluca Prestianni contra Vinícius Júnior. Segundo os colegas da equipa, Prestianni disse que não chamou Vinícius de “macaco, mas sim de maricas”. Um jogador dizer basicamente que não foi racista, mas sim homofóbico, com certeza prova muito que alguém não é dado a discriminações…

O Sport Lisboa e Benfica prontamente publicou uma declaração onde dizia: “O clube reafirma (…) o seu compromisso histórico e intransigente com a defesa dos valores da igualdade, do respeito e da inclusão, que vão ao encontro dos valores matriciais da sua fundação e que têm em Eusébio o seu símbolo maior.”

Trata-se de toda uma nova forma de declarar a clássica frase “até tenho um amigo que é”. Dizer que o Benfica não é racista porque teve o Eusébio é como dizer que a escravatura não foi racista porque quando aconteceu também havia pessoas com mais melanina em barcos, em campos, em casas…

A reação de comentadores desportivos também prezou pelos seus sempre presentes bom senso e decência. Jorge Baptista disse: “Ainda aqui há dias li uma coisa (…) que diz não se pode hoje em dia chamar de preto a um preto, cigano a um cigano mas pode-se chamar mulher a um homem”. Alguém pode ter chamado uma pessoa de macaco. Lógica do comentador: Então e as pessoas trans existirem?

Afinal, de acordo com Jorge que ainda há uns dias leu coisas: “Ele também não devia ter ido provocar”. De facto, onde já se viu uma pessoa negra existir? É uma provocação. A seguir o que vai fazer? Ser gente como qualquer outra pessoa?

Jaime Cancella de Abreu disse: “Quer dizer, no futebol pode-se chamar os nomes todos às mãezinhas dos jogadores, não se lhes pode chamar negro ou macaco (…) mas o que é isto?”. Realmente, já não se pode ser abertamente racista à vontade? A seguir vão dizer o quê? Que já não se pode espetar uma espada numa pessoa na rua e deixá-la num espeto? Este politicamente correto estraga tudo!

Muitos chamaram atenção para o facto de não ser a primeira vez que há uma acusação de racismo contra Vini Jr. com frases como “Porque será que é sempre contra ele? Não há outros jogadores negros? Porque é só ele que acusa outros de racismo?” e de facto poderia ser algo a pensar, mas só se ignorarmos que em 2025 um adepto do Espanyol foi condenado por gestos racistas contra Iñaki Williams por algo que fez em 2020, várias federações foram sancionadas pela UEFA por cânticos racistas durante o Euro 2024, 171 adeptos da Juventus foram multados e proibidos de aceder a recintos por cânticos racistas dirigidos a Romelu Lukaku em 2023, em 2022 atiraram uma banana para o jogador Richarlison da seleção do Brasil, etc. Vamos a ver e o Vini Jr. esteve em tudo que é situação em tudo que é jogo em tudo que é ano e em tudo que é país…
Todos os anos há novas acusações de racismo em algum jogo de futebol, mas há sempre uma desculpa, há sempre um “foi mal interpretado” ou um “já não se pode dizer nada”, ou um “até temos jogadores pretos”, afinal “quem é que não gosta de bananas?”.

Se calhar é um problema meu por não gostar muito de futebol, mas não vou muito à bola com o racismo.

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