Quarteira

Quarteira no tempo dos reis, por Daniel Giebels

O Polo da Biblioteca Municipal de Quarteira acolheu, na noite de ontem, 27 de fevereiro, a tertúlia “Vamos tirar dúvidas sobre Quarteira no tempo dos reis”, orientada pelo historiador Daniel Giebels, com apresentação de Ana Diogo.

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A sessão começou com uma análise aos primórdios da povoação, tendo por base os primeiros registos históricos conhecidos que mencionam Quarteira, nomeadamente o Foral de Loulé (1266), onde o rei D. Afonso III afirma: “Retenho todas as herdades de Quarteira para meu reguengo”.

O percurso histórico prosseguiu com os aforamentos do Reguengo de Quarteira, desde o reinado de D. Dinis (1282) até D. João I (1412). Outro tema em destaque foi o Morgado de Quarteira e a família Barreto, tendo sido recordada a passagem de D. Sebastião pela casa senhorial dos Barreto, mais tarde conhecida como Estalagem da Cegonha.

A agricultura e a pesca também marcaram presença na conversa, revelando-se que, em 1835, a povoação de Quarteira contava com apenas 153 habitantes. Já em 1899, há registos de um programa de animação de verão que incluía “a cucuña, corridas de sacos, cavalhadas, iluminação noturna à veneziana, carro triunfante, baterias, fogos de artifício e danças populares”, atividades destinadas a entreter a grande afluência de pessoas durante os Banhos de S. João (24 de junho) e os Banhos da Fonte Santa (Banhos de Santiago, 25 de julho).

Chegados a 1901, já com um ligeiro aumento populacional, Daniel Giebels partilhou uma referência da época relativa aos Banhos de S. João, segundo a qual, “a afluência de pessoas à praia de Quarteira na noite de S. João (…) parece que ascendera a 68000”. Com base nestes dados, o historiador destacou que a origem do turismo em Quarteira remonta ao final do século XIX, tendo, nessa altura, superado em importância a agricultura e a pesca.

A tertúlia prosseguiu com a abordagem de outros aspetos fundamentais da evolução local, como a criação da paróquia e, mais tarde, da Freguesia de Quarteira. A iniciativa pretendeu promover a partilha de conhecimento e a reflexão sobre o quotidiano e a transformação da vila ao longo dos séculos.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

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