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Conferência em Loulé revela algarvios internados no Hospital Real de Lisboa (séc. XVII-XVIII)

O Arquivo Municipal de Loulé Professor Joaquim Romero Magalhães recebe, no próximo dia 21 de março, às 15h, mais uma sessão do ciclo “LOULÉ na linha do tempo”. Desta vez, o investigador Luís Gonçalves Ferreira apresenta a conferência “Mantilha cor-de-limão e casacão de picote: louletanos e algarvios às portas do maior hospital do reino (Lisboa, c.1600-1755)”.

A comunicação parte de uma investigação de doutoramento em curso que analisa os doentes do Hospital Real de Todos os Santos, fundado por D. João II e aberto no início do século XVI. Apesar da importância central desta instituição na assistência em Portugal durante a Idade Moderna, pouco se sabe ainda sobre as populações que ali eram tratadas.

O estudo, baseado numa amostra de quase seis mil doentes e mais de 14 mil bens móveis, cruza dados sobre género, pobreza, trabalho e mobilidade geográfica. Entre os internados, foram identificados dois naturais de Loulé e 39 provenientes do Algarve. A análise da indumentária usada por estas pessoas — como a “mantilha cor-de-limão” ou o “casacão de picote” — permite perceber hierarquias sociais, códigos de aparência e estratégias de sobrevivência num período em que a pobreza e a doença marcavam os percursos de vida.

Luís Gonçalves Ferreira é licenciado e mestre em História pela Universidade do Minho, onde conclui atualmente o doutoramento, com bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). A sua investigação cruza história social, cultural e do género, com especial atenção à indumentária e à pobreza nos séculos XVII e XVIII.

A entrada é livre e a iniciativa pretende dar a conhecer novos olhares sobre a história local e regional, a partir de uma perspetiva científica e documentada.

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