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Vila Real de Santo António celebrada em jornada cultural na histórica Sociedade de Geografia de Lisboa

Conferencista Fernando Pessanha destacou a geoestratégia militar que moldou a vila pombalina há 250 anos

Num ano que assinala os 250 anos das festividades da fundação de Vila Real de Santo António, a célebre Sociedade de Geografia de Lisboa — criada em 1875 e instalada no edifício contíguo ao Coliseu dos Recreios — acolheu uma jornada cultural dedicada à história da vila pombalina edificada na margem portuguesa da foz do Guadiana, no contexto do Plano de Restauração do Reino do Algarve.

A sessão foi aberta por António Luís Cansado de Carvalho de Mattos e Silva, presidente da Secção de Genealogia, Heráldica e Falerística da instituição. Tomou de seguida a palavra o historiador Fernando Pessanha, vencedor do Prémio Defesa Nacional 2023, que ministrou a conferência “Vila Real de Santo António: geoestratégia militar e poder na política pombalina”.

Uma história que vai além da reconstrução pombalina

A preleção veio lançar luz sobre a história do termo de Santo António de Arenilha — um passado muitas vezes eclipsado pela monumental reconstrução pombalina da sede de concelho em 1774. O historiador destacou que a decisão de erguer a nova vila não obedeceu exclusivamente a motivos de natureza económica, mas também a razões geoestratégicas de profunda relevância.

Segundo Fernando Pessanha, a reconstrução pombalina de Santo António de Arenilha — que a partir de 1775 passou a ser conhecida como Vila Real de Santo António — materializou a afirmação política e militar do Estado português perante o Estado espanhol na foz do Guadiana. Este gesto ocorreu num momento em que continuavam os conflitos bélicos entre as duas monarquias na América do Sul, e cujas tensões na Península Ibérica acabariam por mais tarde resultar na Guerra das Laranjas e na Grande Batalha do Guadiana de 1801.

Foi precisamente durante esse confronto que as baterias de Vila Real de Santo António desempenharam um papel determinante, impedindo a invasão do Algarve pelas tropas espanholas.

Mostra bibliográfica e memória documental

Para além da conferência, a jornada dedicada à história de Vila Real de Santo António contou ainda com a apresentação de uma mostra bibliográfica comissariada por Helena Grego, responsável pelo arquivo e biblioteca da Sociedade de Geografia de Lisboa. A exposição documental permitiu aos presentes um contacto mais próximo com fontes e publicações que atestam a importância histórica da vila algarvia no contexto das relações luso-espanholas e da afirmação da soberania portuguesa na fronteira do Guadiana.

A iniciativa inscreve-se num conjunto de celebrações que, ao longo de 2026, pretendem assinalar o quarto de milénio da fundação de Vila Real de Santo António, revisitando a sua história e reafirmando o seu papel na construção do território algarvio e na defesa das fronteiras do reino.

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