
Ficámos a saber que o Governo gasta 11000€ em serviços de maquilhagem e ainda assim consegue fazer má figura. Dizem que as aparências iludem, só não dizem que são tão caras. Já não se sabe bem se a expressão “investimento na base política” se refere aos eleitores ou ao pozinho para esconder as rugas.
Recentemente também soubemos que o primeiro-ministro reduziu a subscrição da Sport TV de 8 para 2 canais. Trata-se de um sacrifício heroico: agora em vez de 20000€, os custos para ver a bola no Palácio de São Bento passam a rondar os 5000€. Quando se elege um governo espera-se que esteja atento a vários campos, mas quem diria que seriam campos verdes?
Já a nível autárquico continuamos com um buffet de bons investimentos. Temos, por exemplo, figuras como Isaltino Morais e outros 22 arguidos da Câmara Municipal de Oeiras suspeitos de gastarem 150000€ em refeições e tabaco. Em sua defesa o autarca comentou: “Isso do tabaco foi uma fatura que apareceu por engano”. Os 150 mil em pitéu tudo bem, agora charutos são coisas que aparecem sem querer.
No norte do país temos Luísa Salgueiro na Câmara Municipal de Matosinhos como suspeita de gastar 31000€ em almoços. Tanto gasto com comida pode parecer algo difícil de digerir, mas a verdade é que com o papo cheio é sempre mais fácil empurrar os problemas com a barriga. O português comum mal tem dinheiro no banco para se alimentar, mas os políticos têm carteira para todo o banco alimentar.
Visto que está na moda a patuscada, Carlos Moedas não quer ficar atrás e já tratou de contratar um chef para o seu gabinete na Câmara Municipal de Lisboa. Afinal, o que são 33600€ do dinheiro dos contribuintes quando se trata de alimentar bem o presidente da câmara? Nem só de unicórnios vive um homem e depois da visita do Papa, quem fica por cá ainda tem que papar.
Já na Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira poderá ter gastado mais de 35000€ em ajudas de custo de deslocações quando tinha motorista. Afinal de contas, para quê viajar com um “chauffeur”, “chauffeur” mais dinheiro para gastar?
Além disso, alegadamente, gastou 100000€ em viagens com o cartão de crédito da autarquia. Não se sabe onde a autarca queria chegar, mas com certeza foi longe demais. A Península de Setúbal é o maior foco de pobreza severa em Portugal Continental, mas é só porque o povo também não se candidata à Câmara.
É sempre bom ver como o dinheiro dos contribuintes está a ser bem gasto num país onde a Ministra da Saúde diz que há “falta de recursos no INEM”, mas há recursos para gastar 52 milhões de euros com drones militares. Não se preocupem, se estiverem a morrer podem sempre ter uma imagem espetacular vista de cima.
É o mesmo país onde o preço das casas subiu cerca de 15% num ano, o preço da comida continua a subir cerca de 4% e cujo salário médio está quase 40% abaixo da média europeia, mas o Ministro Adjunto e da Coesão Territorial diz que “é quase como se o governo tivesse decretado um 15º mês aos trabalhadores”. É de supor que ter onde viver e o que comer seja opcional, porque não há orçamento para isso.
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