Albufeira

Sérgio Brito lança “Duas Históiras no Algarve”, primeira obra em dialecto algarvio

Realizou-se no dia 17 de Novembro a apresentação pública do primeiro livro editado pela Arandis Editora. “Duas Históiras no Algarve”, da autoria de Sérgio Brito, é o primeiro livro de ficção escrito em “algarvio”.

A sessão de apresentação teve uma assistência superior a 150 pessoas, que se juntaram no Hotel Porto Bay, nos Olhos de Água – Albufeira.

Sérgio Brito na sua intervenção

Segundo Nuno Campos Inácio, “o Algarve, ao contrário do que muitos dizem, tem uma cultura própria, uma história invejável, até no contexto europeu e tem uma entidade própria muito forte que, acredito eu e acredita o Sérgio, autor deste livro, que deve ser valorizada e promovida a nível nacional. Nós não temos vergonha de sermos algarvios e não temos vergonha de promover aquilo que esta região tem, que tem muito mais para dar do que apenas Sol e Mar. Temos aqui vinhos, licores e doçaria do melhor do Algarve. Portanto, nós até conseguimos reunir, numa simples apresentação de um livro, juntar muitas das riquezas do Algarve e todos nós podemos promover o Algarve de outra forma”, revelando que, “por causa do que aconteceu ontem (tornado em Lagoa e Silves), eu e o Sérgio decidimos que, por cada exemplar vendido durante esta semana, do livro do Sérgio e do livro do Manuel que sairá no sábado (24 de Novembro), que é o segundo livro da editora Arandis, vamos dar 2 euros, um euro para Silves e um euro para Lagoa, depois perante as entidades. É um gesto simbólico que nós fazemos em solidariedade com as pessoas da nossa região. Não dará grande resultado mas fica o gesto de uma editora que está agora a apresentar o seu primeiro livro e, portanto, também não pode dar muito mais do que isto”.

Segundo Sérgio Brito, o seu afilhado chamou a obra de “ousadia positiva. De facto, é uma ousadia porque obviamente vai ter muitas críticas mas nós somos os primeiros a ter a coragem de escrever em «algarvio», de acordo com a nossa fonética. Esta noite, já tive a oportunidade de estar aqui com dois ou três amigos que se recordam da maneira como se escreve este ou aquele vocabulário. Isso é bom e enriquecedor e todas essas opiniões são sempre úteis”.

A apresentação da obra foi feita por Sandra Longo Fernandes, a qual enriqueceu sobremaneira o evento com o seu contributo pedagógico, explicando o que é o dialecto algarvio, ajudando, igualmente, a compreender a obra e o seu autor, Sérgio Brito, já autor de outra importante obra sobre a região, “Remechido e o desastre de Albufeira”.

A sessão contou com a presença do presidente do Turismo do Algarve, Desidério Silva, segundo o qual “o Algarve deve ser vendido na sua imagem turística, porque é o maior destino turístico do país, tendo sempre como suporte o Sol e Mar mas o facto é que há complementaridades que não têm sido aproveitadas ao longo dos anos. Complementaridades como os Vinhos, a Gastronomia, a Natureza, as actividades dos nossos produtos endógenos, daquilo que é a riqueza natural desta região. E temos aqui a outra componente que o Turismo do Algarve deve defender. Esta cultura, esta escrita e esta editora é uma forma de valorização daquilo que é o todo da região. O meu compromisso é agora um compromisso com a região, é um compromisso com todos os agentes, sejam eles hoteleiros, da restauração, das associações mas também com esta parte cultural que temos de defender e valorizar porque só assim é que a nossa identidade e a nossa existência enquanto algarvios deve ser valorizada, defendida e deve ser dito lá em cima, em Lisboa, no poder central que o Algarve é uma região que necessita de apoio e investimento não só nos edifícios mas também apoio para a promoção daquilo que ele tem de melhor, que são as suas gentes, a sua cultura e aquilo que são as sensibilidades deste Algarve que todos queremos”.

O presidente da Assembleia Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, disse que “já fiz uma leitura do livro na diagonal e o seu objectivo é um objectivo interessante”, atribuindo o “linguajar diferente” dos algarvios de outros tempos ao isolamento a que a região esteve sujeita ao longo de vários séculos, defendendo que esse linguajar “deve ser preservado”, reconhecendo o mérito desta obra nessa missão.

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1 reply »

  1. Sérgio Brito também escreveu um livro ou «libelo miguelista» em defesa de um assassino que condenou à morte prisioneiros de guerra que se tinham rendido, em Albufeira. Não percebo esta publicidade sobre alguém que revela um profundo desprezo pelo ser humano, ao ponto de escrever um livro contra os que morreram massacrados em 26 de Julho de 1833.

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