Silves

Parque Ambiental da Praia Grande, uma mão-cheia de nada!

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Decorreu no dia 4 de fevereiro, um evento de apresentação pública do projecto do “Parque Ambiental da Praia Grande”. Na opinião da Plataforma dos Amigos da Lagoa do Salgados, tratou-se de uma acção de marketing, para “limpar” a imagem negativa do mega-empreedimento previsto para aquela zona.

Uma declaração de intenções, vazia de conteúdo e que não permitiu sequer que o público que encheu a sala colocasse qualquer questão.

O evento de apresentação pública do projecto do “Parque Ambiental da Praia Grande”, foi uma iniciativa da Finalgarve e teve o apoio da Câmara Municipal de Silves. Do que foi apresentado e dito durante o mesmo, a Plataforma dos Amigos da Lagoa dos Salgados quer salientar o seguinte:

• As intervenções anunciadas pelo promotor para o “Parque Ambiental da Praia Grande” são na grande maioria acções contempladas no Plano de Gestão da Lagoa dos Salgados – projecto da ARH Algarve. Projecto já adjudicado pela empresa Águas do Algarve em Outubro de 2011, e que tem como objectivo principal completar a rede de esgotos do Município de Albufeira e como objectivo adicional gerir o plano de água da lagoa. O tão falado investimento de um milhão de euros para este “Parque Ambiental”, é investimento que já estava previsto, no caso da obra das Águas do Algarve, só não está já realizado, por responsabilidade daquela empresa e da tutela.

• Mais uma vez, foi dado destaque ao impacto económico deste projecto e sua capacidade de gerar emprego na região. Sobre este “falso” assunto, pouco mais há a dizer. Basta referir que, se tal impacto fosse de facto verdadeiro, então o Algarve não teria o desemprego que tem actualmente, tendo em conta a quantidade de empreendimentos que existem por toda a região, muitos deles encerrados e falidos, como pode ser constatado mesmo ao lado da Lagoa, no empreendimento Herdade dos Salgados.

• A apresentação referiu ainda a criação de uma Área Protegida de Iniciativa Privada, que já terá sido discutida com o ICNF. Esta iniciativa, que merece o nosso aplauso suscita, no entanto, uma questão de fundo. Quais os terrenos a incluir na futura área protegida? Tendo em atenção que parte da lagoa e do sapal de Alcantarilha é do domínio público e outros terrenos incluídos nos mapas apresentados não são propriedade da Finalgarve.

• Ficámos a saber que o Estudo de Impacte Ambiental do mega-projecto turístico da Praia Grande já foi entregue na Agência Portuguesa do Ambiente. Esta notícia acabou por ser a grande novidade do dia, uma vez que foi apenas no passado dia 8 de Janeiro de 2013, que o Secretário de Estado do Ambiente e do Ordenamento do Território, em declarações públicas, referiu que iria ser realizado este EIA. Esta situação apenas aumenta a desconfiança da sociedade na boa fé dos promotores, na competência da tutela e na qualidade do próprio EIA.

Perante o que foi apresentado, somos levados a concluir que o evento consistiu numa pura acção de marketing, para “limpar” a imagem negativa do mega-empreedimento previsto para aquela zona. Tratou-se de uma declaração de intenções, vazia de conteúdos técnicos e de detalhe. Esta situação foi agravada pelo facto não ter sido permitido ao público que encheu a sala colocar questões e fazer comentários. Para além da indelicadeza, ficaram por esclarecer os aspectos mais importantes da proposta apresentada (quem, onde, como, quanto e quando?).
Por fim, uma nota final sobre o “Parque Ambiental da Praia Grande”. Á excepção das acções que em breve irão ser executadas no âmbito do Plano de Gestão da Lagoa dos Salgados, promovido pela ARH Algarve, tudo indica que este parque pretende ser outro Parque Ambiental de Vilamoura. Na altura, este foi também anunciado como um projecto inovador, importante para aquela região, merecedor de todas as críticas positivas. Hoje, na verdade, basta ir ao local para ver como está: sem qualquer gestão dos habitats, o centro de interpretação foi encerrado e convertido em espaço de escritórios, as actividades locais não existem, a vigilância é pouca ou inexistente, etc.

Perante tudo isto, a Plataforma dos Amigos da Lagoa dos Salgados continuará a exigir que a Lagoa dos Salgados seja classificada e efectivamente protegida, alvo de uma gestão eficiente e que o empreendimento que se pretende instalar naquela zona seja profundamente revisto.

Domingos Leitão, Coordenador do Programa Terrestre / SPEA

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