Loulé

António Pinto Ribeiro abordou Políticas Culturais no Cine-Teatro Louletano

Joaquim Guerreiro e António Pinto Ribeiro

Joaquim Guerreiro e António Pinto Ribeiro

António Pinto Ribeiro foi o convidado de mais umas “Conversas à 5ª”, no passado dia 7. Numa conversa informal, o investigador falou de Políticas Culturais, no bar do Cine-Teatro Louletano.

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Segundo este conferencista, a “desistência do Estado” em áreas como a Educação ou a Cultura, implicaria “uma uniformização de modelos, de standards, de receitas, que acabariam por retirar diversidade das nossas sociedades, retirar expressividade aos grupos minoritários, aos grupos que sejam linguisticamente, culturalmente ou artisticamente minoritários”.

Para António Pinto Ribeiro, a presença do Estado no setor cultural “corresponde a uma reivindicação dos cidadãos que pagam impostos e que acreditam que parte desses impostos devem ser aplicados na educação, na cultura ou na saúde”, seja ele o Estado central, a administração regional ou a local.

No entanto, este investigador é da opinião que o modus operandi na área cultural, em especial da cultura artística, “deve ser revisto”. “Do ponto de vista que é o impacto da tecnologia hoje nas lógicas de funcionamento da criação e da distribuição, há modos de funcionar que estão ultrapassados. Não podemos alimentar a ideia de que a forma de relação entre os criadores ou entre os gestores e o Estado tenha que continuar a ser como foi até agora. Isso deve ser repensado, revisto e muito experimentado, é o momento de experimentar novas opções”, considerou.

No caso específico de Portugal, dada a sua dimensão reduzida e a pequena escala de funcionamento de um mercado completamente residual, o antigo diretor artístico da Culturgest considerou ser necessário “experimentar formar alternativas de produção e de distribuição” e que a solução passa “pelo maior sentido da colaboração entre os vários agentes culturais”. A título de exemplo, o orador referiu não fazer sentido que, nas artes performativas, uma produção se apresente três vezes e acabe. “Não faz sentido que haja um investimento de um centro cultural ou de um teatro que se esgote nos três dias e que não haja outros teatros ou centros culturais que, quer por uma questão narcísica ou por partidarismos políticos, não sejam colaboradores”, sublinhou.

Também em relação a estas salas de espetáculo, o responsável pelo Programa Gulbenkian Próximo Futuro, lançado em 2009, realçou ainda o facto da circulação ser tão pequena e considerou que os recetores culturais “deverão fazer mais pressão” para alterar a situação. “Isto é um círculo vicioso: como não há uma circulação os espetáculos saem muito caros e depois não há dinheiro para fazer mais. Tem que haver um esforço enorme. É uma questão de fundo que se tem de fazer”, explicou ainda.

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