AGENDA

Abertura do processo criativo ANDROGYNE

Projecto de Alda Maria Abreu (São Paulo/Brasil)

Inserido no PRALAC – projectos de curta duração

Período de residência: de 3 a 17 de Março de 2013

lac

CONVITE AO PÚBLICO: A abertura do processo criativo ANDROGYNE acontecerá no dia 16/03 (sábado) às 22h no LAC (antiga cadeia de Lagos)

Sinopse:

A artista brasileira Alda Maria Abreu, no contexto do PRALAC, realizou ao longo das últimas semanas a primeira etapa da investigação artística que visa fomentar a pesquisa de criação em dança intitulada ANDROGYNE.

A abertura deste processo criativo pretende ser uma experiência multimídia: corpo, vídeo, fotografia, escrita e site specific “coreografados” de modo não hierarquizado em um mesmo acontecimento. Acontecerá no dia 16/03 (sábado) às 22h, ocasião em que ANDROGYNE apresentará os frutos primogênitos do seu atual estágio de criação, com o intuito de promover um compartilhamento sincero e generoso com o público de Lagos. Venham participar dessa viagem pós genealógica!

Sobre a pesquisa artística: Esta investigação artística traz à luz a energia andrógina na busca por uma dança pós genealógica… um modo de existir – de criar liberdade.

Segundo o filósofo Mircea Eliade a androginia convoca “a nostalgia de um estado paradoxal no qual os contrários coexistem sem confrontar-se e onde as multiplicidades compõem os aspectos de uma misteriosa Unidade”. Literalmente andrógino significa a união dos gêneros masculino (andros) e feminino (gyne). Porém, em ANDROGYNE, a artista Alda Maria Abreu quer ir além desta significação para que a ancestralidade e a contemporaneidade, voluptuosamente, coexistam. Para isso, tem recorrido a estudos e experimentações coreográficas que atualizam “mitos da origem”, “cantos genealógicos” e cosmogonias que remontam o nascimento do Universo em distintas culturas e civilizações. Esta pesquisa busca uma dança que habite o estado paradoxal apontado por Eliade – onde os contrários coexistam – mas não simplesmente por não confrontarem-se, mas justamente por estabelecerem entre si uma constante tensão mítica – cíclica e atemporal.

Emaranhada nessa investigação, a vinda da artista para Portugal não foi uma coincidência, pois a criação inicia-se exatamente na busca pela ancestralidade. Inicialmente genealógica (pais, avós, bisavós, costumes, cultura, raízes, pedras e mares portugueses) para, a partir daí, (re)generar uma nova ancestralidade, pós genealógica, onde o contemporâneo e o ancestral fundem-se numa só experiência expressiva.

Empreende-se aqui uma viagem além-mar de autodescobrimento, um retorno ao originário para além dos limites puramente históricos – Brasil/Portugal.

“Qual seria o ponto de vista do oceano atlântico a respeito do período das grandes navegações? E qual seria o ponto de vista da areia das praias a respeito da saída e chegada das caravelas? Que memória topológica reside e resiste nesse mar oceânico, nessas terras movediças e nessas pedras pré-históricas de nossas cidades?”

Essas e outras perguntas estão sendo norteadoras para o desenvolvimento da presente pesquisa artística, a qual pretende abdicar do ponto de vista tradicional e exclusivamente antropocêntrico que a cultura ocidental utiliza para “contar a sua história” – uma história demasiadamente humana. Colocar em xeque esta visão demasiadamente humana da existência tem sido o maior desafio de ANDROGYNE.

Currículo da Artista:

Alda Maria Abreu é performer (atriz e dançarina) brasileira, nascida em Salvador – Bahia. Atualmente desenvolve suas atividades e investigações artísticas em São Paulo/SP – Brasil. É integrante da Taanteatro Companhia e cofundadora do coletivo das meninas sem nome. Também atua na área de arte-educação como Artista Orientadora do Programa Vocacional da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e como Professora-Pesquisadora do Curso de Especialização em Coordenação Pedagógica da Universidade Federal da Bahia. Graduou-se em Artes Cênicas na UNICAMP – Campinas/São Paulo em 2007 e desde 2012 é Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Subjetividade da PUC/SP. Sua atual investigação artística pode sem acompanhada em androgyne2013.tumblr.com

O LAC – Laboratório de Actividades Criativas é uma associação cultural sem fins lucrativos formada em 1995 e com sede na Antiga Cadeia de Lagos. O edifício projectado por Cottinelli Telmo e cujos alicerces estão edificados sobre um antigo convento, é um local com história fazendo parte integrante da cidade. Construído com outros objectivos, revela actualmente uma dicotomia interessante entre prisão / reclusão VS espaço de criatividade / liberdade; ao tornar-se espaço de criação reconverteu assim os moldes da sua existência, agora as celas são espaço de ateliê para artistas e a sua utilização e trabalho contribui para a revitalização do edifício, dotando-o de uma nova história. A associação é um espaço de residências artísticas que tem como prioridade desenvolver e alargar o PRALAC – Programa de Residências Artísticas no LAC, com o objectivo principal de dinamizar e promover a criação artística na região e especialmente na zona do Sudoeste Algarvio.

Desenvolve diversos projectos internacionais, como ARTURb – Artistas Unidos em Residência e ROOTS.

LAC – Laboratório de Actividades Criativas

Categories: AGENDA, Lagos

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *