Algarve

ARS encerra mais serviços de proximidade aos utentes, na senda dos “cortes cegos”

sindicato_enfermeiros

A ARS Algarve encerra cuidados continuados integrados (vulgo domicílios) aos domingos e feriados. Os Centros de Saúde dos ACES Barlavento e ACES Sotavento já encerraram!

Não é admissível que a redução da despesa se torne uma obsessão ao ponto de colocar em causa a acessibilidade dos utentes aos cuidados de saúde, sobretudo quando o Ministro da Saúde afirma que os cuidados de saúde primários devem ser reforçados.

Já em janeiro o SEP  tinha alertado para o encerramento da sala de tratamento aos fins-de-semana e feriados em V.R.Santo António e ao Sábado em Tavira, que eram asseguradas em horas extra por um enfermeiro. Desta medida resultou a obrigatoriedade dos utentes se deslocarem ao Serviço de Urgência Básica e pagarem os 15€ de taxa moderadora para realizarem por ex. um penso ou uma injeção.

Estão a fechar todas as portas aos utentes que precisam de tratamentos diários!

Os utentes que não possam pagar transporte ou a sua condição de saúde não o permita têm de optar por ficar sem tratamento nesse dia ou por uma eventual opção privada!

Tendo como exemplo um utente de Alcoutim:

1 – Retiram-lhe a possibilidade de ser acompanhado por um enfermeiro, em casa,

2 – Retiram-lhe a possibilidade de fazer esse tratamento no Centro de Saúde porque está previsto também o seu encerramento após as 18h, bem como domingos e feriados a partir de 1 de junho

3 – Remetem-no, sem transporte, para a única hipótese pública disponível que fica a 40km… o SUB de VRSA!

A deliberação de 17 de abril do Conselho Diretivo da ARS, vai contra a legislação das equipas de cuidados continuados, cujo que o objetivo é assegurar  a prestação de cuidados “todos os dias do ano”!

Os Centros de Saúde deixam de se poder responsabilizar por todos os doentes que sejam referenciados dos hospitais, ou do próprio centro de saúde, com indicação de tratamento diário!

Esta prestação de cuidados diária ao domicílio, na maioria a doentes acamados/dependentes, é indispensável  e obrigatória. Se estes doentes não forem acompanhados, a sua situação de saúde agrava-se e consequentemente os custos serão maiores.

O critério para a visita domiciliária tem de passar unicamente pelas necessidades clínicas dos doentes, avaliadas pelas equipas de saúde, e não pelos cortes irracionais de quem vê o país numa folha de excel

A Direcção Regional de Faro do SEP

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