Loulé

Problemática da pesca do Polvo debatida em Quarteira

Pescadores vindos dos quatro cantos do Algarve encheram o Auditório do Centro Autárquico de Quarteira, na passada segunda-feira, dia 17 de Junho, por ocasião do ciclo de debates que a Docapesca está a promover com o intuito de valorizar o polvo nacional. “A Valorização Sustentável do Polvo Nacional” deu o mote à iniciativa, que incidiu ainda sobre a problemática que assombra este sector das pescas.

Polvo é espécie estável no Algarve

Isabel Teixeira, da Direcção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), explicou que o polvo morre cerca de 40 dias após a cópula pelo que é importante que este seja capturado antes do término do ciclo de vida.

O biólogo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), João Pereira, corroborou a posição da técnica da DGRM. Conhecedor da espécie, frisou que o polvo não é uma espécie em extinção, é abundante na costa portuguesa, sem excepção para o Algarve. Refira-se que João Pereira é autor de vários trabalhos científicos, entre os quais se encontra o estudo mais aprofundado até hoje realizado em Portugal sobre a biologia e ecologia do polvo.

Portaria 230/2012 é discriminatória para a região

Tais observações não deixaram de levantar outras questões como a discriminação imposta pela portaria 230/2012 que proíbe a utilização do isco vivo na captura do polvo apenas no Algarve. A esse propósito, o deputado do PSD Mendes Bota sublinhou que a discriminação não tem “suporte científico”, sugeriu ao Governo que “investigue sobre a matéria do isco vivo e do isco morto” e a apreciação de um novo sistema de venda em lota.

É importante frisar que o falso pretexto que levou à proibição do isco vivo foi desmantelado e a verdade foi reposta. Não havendo quaisquer dúvidas, à Armalgarve

Polvo só resta pedir a suspensão ou alteração da legislação, sublinhando que não somos contra o uso da cavala, mas antes favorável à utilização de qualquer tipo de isco.

Isco vivo VS isco morto

O assunto dividiu as opiniões dos pescadores presentes, uns favoráveis ao uso do isco morto, mas a maioria, mais de 90 por cento, defendeu o isco vivo por este reduzir os custos de produção (com isco vivo as embarcações podem ir de 2 em 2 ou de 3 em 3 dias levantar as artes) e melhorar a qualidade do polvo (o isco morto e em decomposição causa problemas de higiene e saúde). Mas não só.

Por outro lado, o uso do isco morto, disseram os pescadores, potencia a captura de juvenis (pesca rápida – o polvo come e vai embora), numa altura em que cada vez mais vozes se levantam para que os tamanhos mínimos de captura sejam respeitados. Em contrapartida, o isco vivo e a utilização de alcatruzes proporciona a captura, essencialmente, do polvo grande e tem a dupla função de abrigo que permite a procriação e desenvolvimento da espécie.

Valorização do Polvo

Quanto à valorização do polvo nacional, foram apontadas (sugeridas) as seguintes medidas:

  • Respeito do peso mínimo de captura (750gr)
  • CCL – identificar o porto de desembarque – valorizar produto nacional
  • Desenvolvimento de acções promocionais, aulas de culinária e degustações
  • Novas utilizações adequados ao consumo moderno (ex. sushi)
  • Alteração do sistema de leilão
  • Concentração da oferta
  • Aquicultura – Isabel Teixeira (DGRM) e João Pereira (IPMA) defendem que é oportuno estudar a viabilidade da engorda de juvenis, assim como a produção aquícola do polvo como forma de valorização susceptibilidades

Polvo é a principal espécie no Algarve

Refira-se que o polvo é a principal espécie nas lotas do Algarve (apenas superada pela Sardinha ou Cavala, em Portimão e Olhão) e muito importante para a pesca artesanal nesta região, sendo comercializado em fresco, congelado ou transformado.

  • 744 Licenças emitidas no Algarve
  • Cerca de 1000 pescadores
  • 54% da frota algarvia

(Dados da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve)

Categories: Loulé

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.