Algarve

New York Times descobre «o outro Algarve»

A secção de viagens do “New York Times” destacou na sua edição de fim de semana um passeio pelo Algarve que, partindo de mecas turísticas como a Praia da Rocha, segue em busca de caminhos alternativos pela região. Sob os holofotes: Tavira, Silves ou a Aldeia da Pedralva.

Músico a tocar guitarra na ponte de Tavira ao pôr do sol

Músico a tocar guitarra na ponte de Tavira ao pôr do sol

A imagem de um músico a tocar guitarra na ponte de Tavira ao pôr do sol dá o tom de abertura a um grande destaque do jornal norte-americano “The New York Times” (NYT) ao turismo na região algarvia.

“Somos o outro Algarve”. É esta frase de António Ferreira, mentor da Aldeia da Pedralva – sítio renascido noutra ponta da região, Vila do Bispo -, que resume o mote do artigo assinado por Seth Sherwood, jornalista de viagens com contribuições frequentes para o NYT.
Ao Algarve, refere o viajante, não faltam atributos: “a costa é abençoada por dunas varridas pelo vento, areias finas, falésias ocres e grutas naturais. O marisco pode ser sublime e os preços extremamente modestos, especialmente quando comparados com paraísos estivais com a Costa Amalfi italiana ou a Riviera francesa”. Mas há um evidente reverso da medalha, potenciado por este “cocktail irresistível de cenários e valores”, como o bem-humorado Sherwood acrescenta logo a seguir: “Não admira que cerca de dois milhões de estrangeiros – principalmente da Grã-Bretanha – invadam estas paragens como os Aliados ao assalto da Normandia no Dia D”.
Embora encontre atrativos quer por Portimão e a Praia da Rocha, quer por Albufeira, não são os locais onde se encontram as massas turísticas que mais o atraem. Muito pelo contrário. Depois de admirar o renascido Hotel Bela Vista e fotografias da Praia da Rocha dos inícios do século XX, Sherwood diz que mergulhar a seguir no “clamor Technicolor da moderna Praia da Rocha por entre stands de souvenirs, restaurantes chineses baratos e bares irlandeses” é como “experimentar a Queda do Homem e a sua expulsão do paraíso – turisticamente falando”.
É fácil depreender que não é este Algarve que o jornalista quer conhecer. “Haverá um Algarve alternativo?”, “um Algarve onde ainda se preservem um pouco de serenidade e o sabor do passado?” pergunta-se. É na busca de algumas respostas para estas questões que o artigo se mapeia, serpenteando em viagens “contra a corrente”, por pontos menos calcorreados pela maioria dos turistas – curiosamente, realizados “na eficiente rede de autocarros EVA”.
A reportagem, ilustrada com fotografias de João Pedro Marnoto (premiado fotógrafo português, responsável por projectos como Fé nos Burros) acabará por destacar a mais calma Tavira, num passeio repleto de detalhes sobre a cidade e arredores – entre o centro histórico, lojas ou restaurantes – e que, “felizmente”, coincidiu com o festival local dedicado à gastronomia do mar, tendo aindo dado direito a navegar até à Ilha de Tavira.

Silves merece também destaque, incluindo resumo da sua longa história de matriz árabe e as marcas desta que ainda se podem admirar.

Como exemplo do velho Algarve tornado matéria nova, o repórter visita a Pedralva (Vila do Bispo), “aldeia-fantasma” outrora em ruínas que há alguns anos renasceu graças a um projecto de turismo rural. “A existência da aldeia é um milagre algarvio”, refere. A complementar a visita, o jornalista descobre a vizinha Praia do Amado.
É por estes lados, já no seu quarto, na Pedralva, que encontra o verdadeiro “outro Algarve”. “Sem televisão, nem sinal de telemóvel ou Internet” a distraírem-no “do silêncio e das estrelas”: “Os únicos sons eram os das corujas e dos grilos no vale circundante: as vozes do Algarve intocado”.

Por Luís J. Santos / Público

Foto: Joao Pedro Marnoto para o The New York Times

Categories: Algarve, Turismo, Viagens

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