AGENDA

Dias Medievais 2013

A edição de 2013 dos Dias Medievais de Castro Marim realiza-se de 22 a 25 de Agosto

dias_medievais_cmarim

Castro Marim veste-se a rigor para receber a 15.ª edição dos seus Dias Medievais. Além dos vários ofícios presentes, há torneios diários e várias actividades de animação infantil, além de dois desfiles que prometem envolver toda urbe desde o primeiro ao último dia.

Animação na Vila e no Castelo

A animação é algo constante nos quatro dias em que decorrem os Dias Medievais.

Bobos, malabaristas, equilibristas, cuspidores de fogo, encantadores de serpentes, contadores de histórias e contorcionistas, espalham a magia da época pelas ruas. As companhias de teatro reproduzem peças e histórias da época, envolvendo os espectadores num ambiente onde a imaginação nos leva para outras paragens.

A música medieval é recriada pelos trovadores, jograis e menestreis que, com os seus alaúdes, violas ou harpas nos transportam para os serões musicais de outrora. Esta viagem de sonho ao mundo misterioso e fascinante termina iluminada pelo espectáculo de fogo de artifício, que desperta todos os participantes e os chama de volta à realidade e à civilização contemporânea.

………

Toda a vila e seu termo esteve ocupada com desvairados cuidados com estas festas. As principais ruas per a festa haviam de ser todas semeadas de desvairadas verduras e cheiros e sombras.

Estalajadeiros e taberneiros aperaltaram as suas cozinhas, retiram da cremalheira a utensilhagem necessária: panela, tachos, tijelas, sertãs, grelas, varreram o pátio e puseram a assar a carne nos espetos.

Viram-se as gentes da vila juntas com os forasteiros em desvairados bandos de jogos e danças per tôdalas partes e praças, com muitos trabalhos e prazeres que faziam.
Tangedores, cantores, charamelas e menestréis vieram de longe com a sua animação.

In Crónica dos Dias Medievais da Vila de Castro Marim

Torneios

Durante os Dias Medievais em Castro Marim são recriados os torneios medievais na Liça do Castelo, onde os cavaleiros demonstram toda a sua coragem e destreza no manejo das várias armas que tinham ao seu dispor, na luta a cavalo e na luta corpo a corpo.

Nos tempos medievais, estes torneios realizavam-se constantemente e tinham duas funções, a de entretenimento e para que os cavaleiros exercitasse a arte da guerra, algo que também era muito comum nesta época.

Uma das modalidades mais apreciada era o tiro com arco, sendo este uma excelente arma de caça, tornando-se num dos passatempos da nobreza.

……

Antes  do banquete decorreu um torneio entre insignes Cavaleiros da Ordem da Cavalaria do Sagrado Portugal, no interior da cerca da vila, no terreiro da liça, bem como justas entre vários pares de gentis-homens armados de espada ou lança. O terreiro estava delimitado por vedações, e existiam palanques e tribunas onde tomaram assento os espectadores, entre os quais numerosas damas.

In Crónica dos Dias Medievais da Vila de Castro Marim

Artes e Ofícios

Durante os festejos medievais, são recriados no interior das muralhas as artes e ofícios existentes na Idade Média, sendo a maior parte destas recriações executadas por habilidosos artesãos do concelho.

Demonstram-se, ao vivo, antigas profissões como o Ourives, Picheleiros, Tosadores, Cirieiros, Carpinteiros, Pedreiros, Oleiros, Telheiros, Barbeiros, Ferreiros, Ferrradores, Latoeiros, Sapateiros, Estalajadeiros, Almocreves, Fruteiras, Regateiras, Vendedeiras, Padeiras, Hortelãos e Pomareiros, Tanoeiros, Peleiros e Vendedores de sal.

COMÉRCIO

A conferir autenticidade à feira existem também espaços destinados à comercialização de produtos. Dentro do Castelo e nas ruas da vila, não faltam o sal, peixe fresco e seco, polvo, pão e frutos secos, produtos artesanais ou especiarias exóticas, à semelhança dos mercados dos séculos XIII e XIV,

O comércio medieval marca o início da economia monetária. Também nos Dias Medievais é assinalada essa nova era. Dentro do Castelo circula uma moeda própria, os reais, que os visitantes poderem adquirir junto dos cambistas. Com ela podem fazer compras e levar um pedaço de magia destes dias de regresso ao passado para a realidade do século XXI.

O Castelo

Este magnífico monumento é o ex-libris do concelho, e mais concretamente da vila e dos seus habitantes. Este é um excelente ponto de referência para todos aqueles que se aproximam da vila, já que está situado no cimo da colina, dominando todo o território envolvente.

As suas imponentes muralhas transportam-nos para fora do nosso século, fazendo-nos recuar a tempos longínquos, tempos de reis e rainhas, princesas encantadas, torneios de cavalaria e caçadas, tempos das cantigas de amigo e  de amor…

Sede da Ordem de Cristo entre 1319 e 1356, o Castelo constituiu juntamente com o Forte de São Sebastião e o Revelim de Santo António, a mais importante Praça de Armas do Algarve.

Monumento nacional desde 1920, apresenta-se como um miradouro ímpar do rio Guadiana, da vila, das salinas e também da serrania circundante.

…….

Está Castro Marim situado na cabeça de um monte alto, de todas as partes cercado de mar senão de poente, e o sítio é bem acomodado ao lugar donde está, que é fronteira de Castela, onde tem por competidora uma grande vila, mas espalhada, chamada Aiamonte (…).

É o mais desta vila cercado com boa fortaleza e o seu arrabalde e tudo junto representa majestade aos que vêem de longe, pelo ligar alteroso, em que está posta, com que mostra seus edifícios, tudo o qual bem considerado, parece que favorecido pela natureza, está ameaçando não só a sua vizinha Aiamonte mas toda a Castela. (…)”.

In Frei João de S. José, Chorograhia do Reyno do Algarve (1577)

O Forte de S. Sebastião

O forte de São Sebastião de Castro Marim – assim denominado por ocupar o local o­nde anteriormente terá existido uma ermidade dedicada a São Sebastião – é o melhor exemplo conservado do que foi o amplo processo de renovação do sistema defensivo da vila nos meados do século XVII.

A sua construção deve-se ao rei D. João IV, no âmbito das Guerras da Restauração com Espanha, e terá sido iniciado logo em 1641, o que prova a importância deste ponto do território. O projecto então posto em prática transformou o velho castelo medieval na praça militar mais importante de todo o Algarve, facto reforçado pela localização estratégica face à linha de fronteira.

A planta do forte adaptou-se ao cerro em que se implantou, definindo um recinto amuralhado irregular, que integra cinco baluartes e cuja porta principal está virada a Norte, precisamente na direcção do burgo e do castelo.

Esta relação de proximidade com o castelo de Castro Marim é um dos aspectos mais importantes das obras realizadas na vila no século XVII, na medida em que o novo sistema militar da localidade não prescindiu do antigo recinto muralhado, mas integrou-o na nova estrutura, constituindo-se, assim, uma complementaridade entre antigo e moderno que aqui adquire real expressão.

Fonte: IPPAR

A Vila Medieval

As origens da vila de Castro Marim perdem-se no tempo. Ainda hoje não se sabe se na origem de “Marim” está uma palavra relacionada com “mar” ou se este termo não passa de uma variante do árabe, significando “torre”. Ambas as versões justificam o brasão de Castro Marim, uma torre sobre as águas entre mouros e cristãos, correspondendo a torre ao Castelo Velho.

Classificado como monumento nacional desde 1910 e outrora principal praça de guerra do Algarve, o Castelo de Castro Marim está implantado num penhasco. Do alto do penhasco observa a vila e sente-se dono da paisagem, como no tempo em que Fenícios, Cartagineses, Romanos e Árabes ocupavam a região. Reza a história que em 1242 Castro Marim foi conquistada aos mouros por D. Paio Peres, fronteiro-mor do reino, tendo recebido foral em 1277.O castelo faz parte de uma edificação notável de fortificação da fronteira. Em 1319, a vila tornou-se o quartel-general dos Cavaleiros de Cristo e o Infante D. Henrique, nomeado governador da Ordem, residiu no Castelo. Até 1755, a vila viveu à sombra das suas muralhas, que depois do terramoto foram restauradas no reinado de D. João IV.

Uma visita ao Castelo de Castro Marim é sempre uma revelação para a vista, quer pela estrutura e imponência do castelo, quer pela excelente vista que este oferece sobre o rio Guadiana e a zona do Sapal. Ex-libris da vila e testemunha fiel e visível de tantos séculos de história, as muralhas do Castelo guardam muitos segredos e factos que a história silenciou dentro das muralhas do Castelo. Além de guardarem o eco das batalhas sangrentas, que as paredes registaram nos primórdios da história, guardam o que chegou até nós do Castelo velho. Provavelmente de construção muçulmana, ele assenta sobre uma planta irregular, de configuração quadrada com quatro torreões e duas portas.

Situado no interior do Castelo existe um pequeno núcleo museológico que testemunha aspectos arqueológicos e históricos da região.

Texto de Maria João Freitas

Categories: AGENDA, Castro Marim

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.