Hoje, 5.ª feira, dia 10, cesso funções como Presidente da Câmara Municipal de Faro, da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) e de cerca de uma dezena de representações oficiais, no Algarve, em Lisboa e em Bruxelas.
Termina este meu ciclo de vida, do modo mais injusto e ingrato: não perdi eleições, não foi concluído o processo judicial quanto ao mandato, nem eu voltei as costas aos farenses e a todas as minhas outras responsabilidades.
Nem estava impedido legalmente de me sujeitar ao juízo dos eleitores.
Comigo sai também da Câmara Municipal, mais de metade da equipa, com responsabilidades políticas, nestes últimos quatro anos: a Profª Doutora Alexandra Gonçalves, que foi Vereadora da Cultura e da Ação Social, bem como a Chefe de Gabinete, Engª Natacha Alentejano e a Adjunta Dr.ª Lília Martins.
Pelo seu desempenho positivo em prol do interesse público, pela lealdade e pelos valores que as nortearam, o meu sincero agradecimento.
Deixam também funções na Assembleia Municipal, aqueles que foram os primeiros eleitos do mandato cessante: o Sr. Luis Coelho e o Dr. Jorge Leitão.
Pela cooperação que me prestaram, colocando o interesse público de Faro, acima de coisas menores, devo a qualquer deles uma palavra genuína de reconhecimento pelas decisões tomadas naquele órgão, cuja melhoria foi evidente, pese embora a presença de comportamentos indignos de terceiros, ocasionalmente.
A avaliação do nosso trabalho, na Câmara Municipal, esteve certamente, em parte, presente, nas decisões do eleitorado no passado dia 29 de setembro.
Daqui em diante, procuraremos as nossas vidas profissionais, levando a boa experiência, que a todos os níveis recolhemos junto dos farenses, neste período.
Respeitamos quem se segue, não nos cabendo fazer qualquer juízo ou comentário futuro, sobre as diferentes opções que se venham a colocar na abordagem dos problemas de Faro.
Nestes anos intensos e difíceis foram inúmeras as relações de trabalho e de amizade que desenvolvemos com milhares de pessoas e com as suas estruturas sociais, empresariais, culturais e desportivas.
Trabalhámos em rede com dezenas de entidades públicas e estivemos disponíveis, a toda a hora, todos os dias, para todos, nos bons e nos menos bons momentos.
Mantivemos uma linha de rumo corrente, responsável e sem demagogias ou mudanças de opiniões por interesses oportunistas ou ocasionais.
E o caricato processo judicial que me foi movido, por ajudar pessoas humildes, não chegou ao fim. Recorri e contestei sucessivas decisões contraditórias, proferidas por juízes uns contra os outros, fazendo das leis opiniões meramente pessoais ou de forma, sem analisarem a questão em si.
E passaram 5 anos, sem decisão final, a qual já não terá sequer lugar, pois o mandato autárquico em causa já terminou. É esta a infeliz maneira como a justiça, em certos casos não funciona. Contradiz-se, enrola, enleia e não decide em tempo útil.
As experiências de vida e os conhecimentos adquiridos estarão sempre connosco, por isso, na justa medida, em que tal seja pertinente, não deixaremos de apoiar e ajudar a resolver problemas da esfera pública. Os novos deveres e direitos de cidadania, assim o determinam.
Finalmente um agradecimento final aos que connosco partilharam esta fase de serviço público:
Os colaboradores na Câmara Municipal e nas outras instituições;
Os clubes, associações e instituições solidárias e em especial os seus dirigentes;
As empresas e em especial os fornecedores e prestadores de serviços ao Município, pelos sacrifícios passados;
As comunidades educativas e as suas associações profissionais;
Os jornalistas que nos acompanharam;
Aos munícipes, sem exceção pela colaboração e pela entreajuda praticada.
A todos o nosso agradecimento e o nosso adeus, até sempre!
José Macário Correia
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