Loulé

Tomada de posse dos novos órgãos autárquicos | Vítor Aleixo reafirma apoio aos mais desfavorecidos como prioridade no regresso à liderança da câmara

Área social, Educação, gestão municipal centrada nos funcionários camarários e Cultura são outras das áreas em que novo executivo quer intervir

O Cine-Teatro Louletano teve casa cheia para assistir à tomada de posse dos novos órgãos autárquicos de Loulé que decorreu no passado sábado à tarde. Passados quase onze anos, Vítor Aleixo volta a tomar conta dos destinos do maior e mais importante município algarvio com um projeto que, como o próprio referiu, “não irá deixar ninguém indiferente”.

Neste momento de mudança, o novo presidente da Câmara Municipal de Loulé falou de um novo tempo para as autarquias e da necessidade de “romper com formas passadistas de gestão, de visões que pararam no tempo  e de intervenções inconsequentes”. Nesse sentido, Vítor Aleixo adiantou que a sua forma de fazer política assenta nos princípios da “igualdade, liberdade, fraternidade, bem como a solidariedade intergeracional e inclusão”.

Num discurso marcado pelo tom crítico em relação ao Governo e às políticas de austeridade, o autarca empossado afirmou que a partir de agora Loulé terá na presidência da sua Câmara “uma voz autorizada para lutar contra toda a injustiça que campeia no mundo social e político, sobretudo quando estiverem em causa as pessoas e os serviços públicos essenciais”. Vítor Aleixo referiu a sua oposição às “tentativas de privatização de áreas e de prestação de serviços que sempre se constituíram como um bem público”, nomeadamente os lixos e a água.

No que concerne à gestão municipal, o autarca referiu que a mesma assentará nos recursos humanos existentes , recorrendo a recrutamento quando  necessário, mas afastando-se do recurso sistemático à contratação de serviços externos, recuperando ”as funções e o trabalho que sempre estiveram na esfera e na órbita de ação da Câmara”.

Quanto à importância de Loulé no contexto regional, ao contrário do anterior executivo, o autarca eleito é da opinião que a liderança do Concelho deverá pautar-se “não por uma política sem rumo, sem uma clara estratégia do posicionamento regional e nacional” mas  por ser “um concelho exemplar”. “Um concelho que lidere pelo exemplo, pela combatividade, pelos princípios que defendam a dignificação das pessoas e do seu trabalho”, afirmou o novo presidente da Autarquia.

Neste novo ciclo político, o edil sublinhou que uma das prioridades para o seu executivo será “o apoio aos mais deesfavorecidos”. “Podem ter como certo da nossa parte o desenvolvimento de uma política que se centre nas pessoas, que as trate e acarinhe com a dignidade a que têm direito e merecem”, afirmou.

Em termos de concretização da intervenção pública e política, o responsável do novo executivo municipal explicou que todas as ações serão realizadas em três tempos. Num primeiro momento, será o “Tempo de Urgência”, durante o qual a equipa de Vítor Aleixo pretende “consolidar o que está bem feito, corrigindo o que se mostrar objeto de correção e tudo fazendo para concretizar o que não está feito”.

Num segundo momento – o “Tempo das Pequenas Grandes Coisas” – Vítor Aleixo pretende acabar com o paradigma das grandes obras, dada a escassez de recursos financeiros, não sobrecarregando os munícipes com mais impostos, apostando numa “gestão inteligente”. A intervenção municipal passará necessariamente por áreas como a saúde, intervenção social, desporto, lazer, cultura, ambiente, empreendedorismo institucional, dinamização do turismo, pescas e pequeno comércio, reabilitação urbana, bem como pelo dinamismo empresarial do Concelho.

O autarca louletano anunciou ainda a Educação como uma das prioridades da sua gestão, defendendo a escola pública que tem sido alvo de um ataque por parte das políticas do Governo e de “um gritante desinvestimento”. “Iremos, assim, estar atentos às necessidades e suprir, na medida das nossas capacidades, o que o Estado tinha por obrigação de fazer e não faz”, afirmou este responsável, que frisou que este apoio nesta área social não será efetivado apenas através da atribuição de subsídios mas passará, por exemplo, pela “criação de programas formativos e de promoção de atividades livres”.

Neste “Tempo das Pequenas Grandes Coisas”, Vítor Aleixo referiu também o tecido empresarial do Concelho, enaltecendo “o papel fundamental que os empresários e as empresas com atividade no Concelho têm tido, num sinal de resistência a todos os contratempos” e manifestou o seu apoio aos mesmos enquanto potenciadores de emprego. Também em relação a novos investidores, o autarca referiu que “as manifestações de interesse em investir no concelho serão sempre bem acolhidas”.

Quanto à Cultura, uma das bandeiras eleitorais de Vítor Aleixo, o executivo empossado vai apostar “numa nova gestão cultural” que terá no Cine-Teatro Louletano “um pólo irradiador”. O apoio à criatividade e produção locais serão outras das apostas deste projeto cultural.

Num terceiro e último momento – o “Tempo de construir o Futuro” – a ação deste executivo centrar-se-á num “plano estratégico que aponte as linhas estruturantes” do que se pretende que o concelho seja nos anos vindouros, centrado nas pessoas, e sobretudo, “potenciando o território com vista à criação de condições para o combate sem tréguas ao desemprego”.

No novo rumo que se pretende dar à Autarquia, o novo presidente referiu dois elementos centrais: os trabalhadores autárquicos, assumindo “uma gestão mais atenta, mais amiga, mais personalizada” que, de acordo com este responsável, “se afasta, em muito, do que tem sido feito nos últimos anos”; e a “participação cidadã”, outro dos pontos que, segundo Vítor Aleixo, foram descurados no anterior mandato.

No final do seu discurso, e após os cumprimentos à Mesa da Assembleia Municipal, agora liderada por Adriano Pimpão, e aos deputados municipais, o presidente empossado disse ainda que a ação da Câmara será dirigida a todos os cidadãos, destacando o movimento associativo composto por instituições recreativas, culturais e desporttivas, numa tónica de inclusão que marcou toda a sua mensagem.

Refira-se que o executivo liderado por Vítor Aleixo será composto pelos vereadores Hugo Nunes, Ana Isabel Machado, Pedro Oliveira e João Martins. Na próxima reunião camarária serão distribuídos os respetivos pelouros.

Antigo reitor dirige Assembleia Municipal

Adriano Pimpão, antigo reitor da Universidade do Algarve, é o novo presidente da Assembleia Municipal de Loulé. Na primeira sessão desta Assembleia para o mandato de 2013-2017, este responsável sublinhou a importância dos órgãos autárquicos no momento atual do País. “Estas são as instituições do Estado democrático em que os cidadãos mais confiam, como último baluarte da defesa dos seus direitos e de salvaguarda do mínimo de dignidade das pessoas e das famílias”, sublinhou.

No que se refere à Assembleia Municipal, em particular ao seu papel fiscalizador da atividade camarária, Adriano Pimpão garantiu que a Assembleia dará o seu contributo “para a qualificação da política do desenvolvimento do Concelho de Loulé”.

Numa Assembleia composta por vários quadrantes políticos, o seu presidente manifestou o empenho de todos os deputados em prol do Concelho e afirmou que a pluralidade existente será uma mais-valia. “A pluralidade de opinião e de projetos dos vários deputados desta Assembleia constitui uma grande riqueza que deve ser posta ao serviço do Concelho e do País”, frisou.

Por último, apelou à participação dos cidadãos nas atividades da Assembleia “de forma exigente e assídua”.

Para além de Adriano Pimpão tomaram posse como deputados municipais Manuela Tenazinha (PPD/PSD), Helena Baptista (PS), Adérito Cavaco (PPD/PSD), Vítor Faria (PS), Graciete Botelho Freitas (PPD/PSD), Luis Calçada Correia (PS), Fátima Coelho (PS), Gilberto de Sousa (PPD/PSD), Carlos Costa (PS), Ricardo Lampreia (PPD/PSD), Carlos Carmo (PS), Paula Moura (PPD/PSD), Sónia Neves (PS), Fernando Santos (PS), Jorge Santos (PPD/PSD), Carla Gomes (PCP-PEV), Hermes Alberto (PS), Fábio Bota (PPD/PSD), Heloísa Madeira (PS), Carlos Martins (BE), Irina Martins (PPD/PSD), Ricardo Tomás (PS), Felizardo Pinto (PPD/PSD), Vítor Ferreira (PS), Rebeca Martins (PS) e Analídio da Ponte (PPD/PSD).

Tomaram ainda posse, como membros inerentes, os presidentes das Juntas de Freguesia de Almancil, Joaquim Pinto (PS), de Alte, Silvia Martins (PPD/PSD), do Ameixial, Abílio Sousa (PS), de Boliqueime, Rui Mogo (PPD/PSD), de Quarteira, Telmo Pinto (PS), de Salir, Deodato João (PPD/PSD), de S. Clemente, Carlos Filipe de Sousa (PS), de S. Sebastião, Helder Faísca Guerreiro (PPD/PSD) e da recentemente criada União de Freguesias de Querença Tôr e Benafim, Margarida Correia (PPD/PSD).

O Partido Socialista passa a ter a maioria na Assembleia Municipal, com 18 deputados. O PSD conta com 16 deputados, enquanto que o PCP/PEV e o Bloco de Esquerda contam com um mandato cada.

Discurso da tomada de posse de Vítor Aleixo

Categories: Loulé

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *