Loulé

Entidades afastam irregularidades na central fotovoltaica

A denúncia de irregularidades na aprovação de uma Central Fotovoltaica numa área protegida do concelho de Loulé divulgada por moradores da zona são rejeitadas pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.

placas

Em causa está a construção de uma central fotovoltaica com uma potência de 6 megawatts (MW), já instalada, e de outra de 4 MW, cujo processo de aprovação “não foi transparente” e está repleto de “omissões e incoerências”, segundo disseram duas moradoras à Lusa vincando que os painéis solares instalados nos limites do concelho afetam também residentes dos concelhos de São Brás de Alportel e Faro.

Os moradores temem ainda que esteja a ser planeado um parque eólico, apesar de tanto a Câmara de Loulé como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve terem afirmado à Lusa desconhecerem qualquer projeto de energia eólica para o local.

Questionado pela Lusa, o presidente da CCDR/Algarve só se pronunciou sobre o projeto de 4 MW, sublinhando não ter sido detetada qualquer irregularidade nos mapas submetidos a avaliação de incidências ambientais e que não se verificaram “quaisquer factos que pudessem conduzir à emissão de uma decisão de incidências ambientais desfavorável”.

No resumo não técnico da Avaliação de Incidências Ambientais realizado para a central de 4MW, a que a Lusa teve acesso, lê-se que os impactes na paisagem terão “pouco significado e reduzida magnitude”, uma situação que os moradores garantem ser exatamente o oposto, até porque se somam à central de 6MW já construída.

O presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo, eleito a 29 de setembro, disse à Lusa que a autarquia apenas aprovou a localização, mas admitiu poder estar-se perante uma situação “em que a lei foi cumprida, mas em que os prejuízos para a população são óbvios”.

“Não era suposto quem escolheu um local tão bonito para viver e tão valioso do ponto de vista da riqueza natural, de um momento para o outro ver-se confrontado com uma central fotovoltaica que naturalmente incomoda e incomoda muito”, comentou o autarca, admitindo estar ainda a inteirar-se do processo, mas referindo já ter visitado o local.

Os 30MW de potência definidos para o Algarve foram adjudicados na totalidade à empresa então designada por Sol Cativante, Lda e foram distribuídos pelos concelhos de Silves, Albufeira e Loulé, conforme é descrito no relatório da avaliação de incidências ambientais.

Ao procurarem mais informações sobre a Central Fotovoltaica os moradores descobriram que as centrais algarvias foram inicialmente um investimento do BPN Paribas Cean Energy Partners e que desde janeiro de 2013, depois de uma operação de spin-off, as centrais de Silves, Albufeira e Apra 6MW estão a ser promovidas como um produto financeiro no portfolio da Glennmont Partners, gestora de fundos de investimento em energias limpas e sediada no paraíso fiscal da City de Londres.

A ponderarem uma ação judicial, os moradores pediram à autarquia o imediato embargo da construção da central de 4 MW e que haja uma avaliação séria de todo o processo referente aos 10 MW, onde devem participar.

Já foram feitas queixas ao Provedor de Justiça e à Comissão Europeia.

Fonte: Diário Digital com Lusa

Categories: Loulé

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.