Algarve

Reitor da UAlg quer estudantes mais participativos na vida democrática da Instituição

Realizou-se ontem, pelas 18h00, no Teatro Lethes, em Faro, a Tomada de Posse dos novos órgãos sociais da Associação Académica da UAlg. Filipa Braz da Silva foi reeleita presidente da Direção Geral, a mesa da Assembleia Magna será presidida por André Matos, aluno da Faculdade de Ciências e Tecnologia, e o Conselho Fiscal por Raquel Pedro, aluna da Faculdade de Economia.

O novo Reitor da UAlg, Prof. Doutor António Branco

O novo Reitor da UAlg, Prof. Doutor António Branco

O Reitor da UAlg, António Branco, considera que “a Associação Académica é essencial na vida da instituição”. Na Tomada de Posse, António Branco elegeu três temas centrais para a sua intervenção: a participação dos estudantes na vida democrática da Universidade; a função da educação no combate à propaganda; e a questão da «empregabilidade».

“Um dos índices mais preocupantes da UAlg – e de que pouco se fala – é o pequeno número de estudantes envolvido na constituição de listas para os Conselhos Pedagógicos das unidades orgânicas e a muito reduzida percentagem daqueles que se exprimem através do voto, sempre que para isso são convidados. De facto, por um lado, é frequente serem os professores a organizar aquelas listas, muitas vezes pedindo a estudantes seus conhecidos o especial favor de aceitarem integrá-las; por outro lado, as taxas de abstenção nos atos eleitorais de que tenho tido conhecimento chegam a atingir os 90%”, explicou o Reitor. Neste âmbito, lançou um repto à Direção da Associação Académica para, com o apoio da Reitoria, analisarem mais detalhadamente esse fenómeno, a partir dos dados existentes nas atas produzidas nos últimos anos; e apresentarem publicamente esses dados como ponto de partida de um fórum dedicado ao tema da participação dos estudantes na vida democrática da instituição.

“Por que motivo dou tanta importância a este assunto?”, questionou o Reitor da UAlg.  “Porque acredito que a qualidade de uma Democracia também depende muito do grau de envolvimento dos cidadãos na constituição de listas e no exercício do direito de votar, ainda que ela não se possa reduzir a essas duas dimensões”, esclarece. “Ora, numa Democracia, a educação, desde o nível pré-escolar até ao ensino superior, tem de ter por finalidade primordial a inclusão das crianças e dos jovens na vida democrática da sociedade. Consequentemente, se os jovens universitários não participam ou participam pouco na vida democrática da instituição, então existe uma falha grave no nosso projeto educativo. Creio, assim, que é obrigação de todos os responsáveis da Universidade, desde o Reitor e da equipa reitoral, dos diretores das unidades orgânicas e dos Presidentes dos Conselho Pedagógico, até à Direção da Associação, fazer o diagnóstico dessa anomalia e atuar com determinação para inverter a situação”, defendeu António Branco.

O segundo tema da sua intervenção centrou-se na função da educação no combate à propaganda. Na sua opinião “a mais perniciosa, é a propaganda política e ideológica, razão pela qual ela deveria ser considerada o Inimigo Número 1 da Academia”. Também no que respeita ao Ensino Superior, o Reitor acha que “a propaganda tem incidido sobre alguns temas concretos, sendo um dos mais insidiosamente propagandísticos o da «empregabilidade» dos jovens”. Porém, o responsável da Academia “não nega a importância da formação superior para habilitar os jovens a exercerem com competência os empregos que vierem a ter, mas considera um erro estratégico grave do país que a missão principal das instituições de ensino superior seja essa vertente puramente profissionalizante, associada à ideia da aquisição rápida de capacidades e técnicas muito especializadas”.

Com base na sua experiência de vida, António Branco terminou a intervenção expondo aquilo que os jovens devem reclamar da Universidade, hoje: “que tudo o que se ensina e aprende cá tenha por base um programa de LETRAMENTO exigente que lhes permita, assim que concluírem o seu percurso formativo académico, usar os conhecimentos e as técnicas que aqui adquiriram, sim, mas, sobretudo, que lhes possibilite entrarem na vida ativa com a inteligência mais desenvolvida e os horizontes culturais mais alargados, para poderem continuar a aprender até ao fim da vida. Para, em vez de um mero emprego em que cumpram ordens ou executem procedimentos, poderem vir a ter um verdadeiro trabalho em que sejam ativos, críticos, criadores, em suma, para poderem ser cidadãos intervenientes em busca permanente da felicidade individual e coletiva”. Este é o programa educativo em que acredita. E, conclui, realçando: “gostava que fossem estas as coordenadas principais do programa educativo e do plano estratégico da Universidade de que sou Reitor”.

Por: UAlg

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