Algarve

GREVE DE FOME POR FALTA DE MEDICAMENTOS

Jovem doente oncológica faz greve de fome a partir das 10H30 de hoje, dia 17 de Fevereiro, junto aos serviços de administração do Centro Hospitalar do Algarve – Unidade de Faro por falta do medicamento LETROZOL

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Até 13 de Fevereiro, todos os serviços e cuidados me foram prestados como doente oncológica, no CHAlgarve – Faro. Sempre aplaudi a dinâmica e as responsabilidades humanas que o Hospital de Dia daquele Hospital tem para com os doentes, principalmente os enfermeiros que são quem cuida os doentes como se de uma flor se tratasse, para que estes recuperem e floresçam de uma luta nem sempre conseguida.

Para além dos enfermeiros que cuidam de nós, há médicos, que nos fazem os diagnósticos diários e cuidadosamente nos encaminham. Mesmo que não os vejamos sempre que vamos a um tratamento, sabemos que estão lá, os enfermeiros passam-nos essa mensagem.

Há ainda os auxiliares que, com esforços unidos, dizem-nos que há esperança, que há sonhos.

Mas a administração do CHA, nomeadamente o senhor Pedro Nunes, não sabe o que isso é, o seu egocentrismo, o seu egoísmo está a cegá-lo, o senhor não nos mata, o senhor está a privar-nos da esperança que os médicos, que os enfermeiros, que os auxiliares se esforçam por mostrar e que diariamente não se cansam de nos sorrir e que não é escassa a esperança que nos mantém vivos.

No dia 13 tive consulta, o meu médico disse que está tudo a correr bem e fiz questão em visitar os enfermeiros e os auxiliares que me acompanharam durante o processo de quimioterapia, quis dar-lhes um “Olá!”, com um sorriso, agradecer, não só o que fazem por mim, mas sem palavras, dizer-lhes que estou presente e que também os acompanho.

Mas saí do hospital desolada, não quis preocupar o médico, não quis preocupar os enfermeiros, não quis preocupar os auxiliares, não lhes quis dizer que A FARMÁCIA DO HOSPITAL NÃO TEM MEDICAÇÃO PARA OS DOENTES ONCOLÓGICOS. Tive vergonha de lhes transmitir essa realidade em que o senhor Pedro Nunes tem vindo a colocar os doentes. Não lhes quis tirar o sorriso. Não quis privá-los de sonhar que há esperança, não quis quebrar os laços que ali foram cimentados, pois foi isso que eles me ensinaram e foi isso que firmámos e eu não os quis desiludir.

E saí do hospital desolada porque não trouxe comigo o medicamento LETROZOL, usado na terapêutica adjuvante de mulheres com cancro da mama positivo para recetores hormonais e de que tenho que tomar 2,5 mg, uma vez por dia.

Este medicamento é um antineoplásico [inibidor da aromatase; esteroide], destinado ao tratamento do Cancro da mama. Em mulheres na pós-menopausa, inibe a conversão de androgênios da supra-renal em estrogénios, em tecidos periféricos e em tecidos cancerosos e pode reduzir o risco de recorrência do cancro da mama.

Porque sei que não sou caso único, que há mais pessoas em tratamento oncológico que não têm os medicamentos de que precisam, PORQUE NÃO HÁ NO CHA, não posso cruzar os braços e esperar que a situação se resolva, quando os que mandam quiserem.

Assim, resolvi que, a partir do dia 17 de Fevereiro, segunda-feira, farei greve de fome junto aos serviços de administração do Centro Hospitalar do Algarve – Unidade de Faro, esperando que, de uma vez por todas, se deixe de enganar as pessoas e se assuma que NÃO HÁ MEDICAMENTOS PARA DOENTES ONCOLÓGICOS NO CHA!

Maria João Reis Deus

Categories: Algarve, Opinião, Saúde

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