Albufeira

Centenas de jovens no Auditório no 1.º Seminário sobre Igualdade

O 1.º Seminário Igualdade “Caminhos Diferentes entre Iguais” decorreu no Auditório Municipal, no passado dia 14 de março, no âmbito do projeto de Igualdade em Albufeira, financiado pelo Programa Operacional Potencial Humano (POPH). A iniciativa tem por objetivo promover a igualdade de oportunidades, através do desenvolvimento de estratégias integradas para a inserção social de pessoas vulneráveis a trajetórias de exclusão social. A prioridade integra a Igualdade de género como fator de coesão social.

Na passada sexta-feira, centenas de jovens do ensino secundário e profissional (polo de Albufeira da Escola Agostinho Roseta), autoridades e representantes de diversas entidades e associações, passaram o dia, no Auditório Municipal de Albufeira, a ouvir diversas especialistas sobre as principais problemáticas no âmbito da igualdade.

Estereótipos de Género e Educação; Boas Práticas Locais; Percursos da Violência e Igualdade de Oportunidades foram os temas discutidos nas sessões ao longo do dia, as quais tiveram a moderação da escritora, e também estudiosa do tema, Luisa Monteiro. No final, os interessados participaram em vários Workshops que contaram com a participação de técnicos que compõem a equipa de trabalho do Município para as questões da Igualdade. “Estratégias Educativas na promoção da Igualdade”, “Medidas de incentivo à Empregabilidade” e “Diferentes entre Iguais” foram as escolhas dos profissionais da Autarquia. “A arte do Teatro na prevenção da Violência Doméstica” e “Papá dá licença – Por uma parentalidade partilhada” foram os dois últimos Workshops trazidos pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e pelo Movimento Internacional de Mulheres (GRAAL), respetivamente.

Na sessão de abertura, depois de agradecer às entidades presentes, à equipa de trabalho e à Conselheira da Igualdade (todos técnicos da Autarquia), o presidente da Câmara Municipal de Albufeira mostrou-se muito satisfeito por ver o Auditório repleto de jovens “esta iniciativa é especialmente para eles”. Carlos Silva e Sousa referiu que a Igualdade é “um processo evolutivo” que ao longo de séculos tem vindo a refletir-se nas práticas, nos costumes e nas próprias leis. “Antes do 25 de Abril de74, a própria lei consignava formas discriminatórias que hoje seriam declaradas inconstitucionais, por exemplo a figura do Chefe de Família e o poder marital”. Existem ainda outras formas: discriminação de acesso a determinadas profissões, salários diferentes para a mesma categoria profissional para homens e mulheres, etc. Atualmente, algumas destas práticas ainda existem, disse, e é por isso que aqui estamos, mas o mais importante é que são de caráter ilegal e o que vigora hoje é o princípio da Igualdade. Ainda existem falhas, um percurso a percorrer, mas “o mais importante é não esquecer que os princípios são inalienáveis, não podemos abdicar deles e temos a obrigação de ser pró-ativos para fazer com que prevaleçam na evolução da Humanidade”.

O chefe de gabinete do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) referiu que nos últimos 20 anos Portugal modificou o seu paradigma em relação à Migração, tendo “deixado de ser um país de emigrantes para ser um destino de imigração”. Esta alteração suscitou a necessidade de criar respostas de igualdade destinadas a estas comunidades. Para o efeito foram criados Centros nacionais e locais de apoio aos imigrantes, Planos Municipais de Integração, iniciativas de combate ao Racismo “que são tão ou mais importantes se considerarmos que Faro é o segundo distrito do país com maior número de imigrantes”. Duarte Mendes terminou com um desafio “que o Município de Albufeira venha a integrar a Rede dos Municípios Amigos da Diversidade”, uma ferramenta que permite caracterizar, monitorizar e sinalizar os recursos da população imigrante – educação, saúde, emprego – com o objetivo de criar políticas mais inclusivas nesta área.

Ana Vidigal, vereadora com o pelouro da Igualdade, salientou que o Seminário destina-se a todos os parceiros da Autarquia, agentes de desenvolvimento local, elementos com responsabilidade no desenvolvimento social e económico do concelho, empresários, pais, comunidade escolar: a todas as camadas da população, dos jovens aos seniores. “Porque falar de Igualdade é falar das principais questões de cidadania temos que falar de tudo, de direitos e de deveres, e o país no seu todo tem que se empenhar em torno destas ações”. A vereadora realçou o trabalho da equipa responsável pelas questões da Igualdade em Albufeira e fez um apelo para que “os jovens possam ser os embaixadores da igualdade e de todos os princípios da nossa Constituição”. A Educação para a Cidadania, disse, deve ser integrada no ensino desde muito cedo, a partir do Jardim de Infância.

O presidente da Assembleia Municipal encerrou a sessão de abertura com a afirmação de que este 1º Seminário é uma chamada de atenção para todos “a mensagem que se pretende transmitir é que a Igualdade existe na lei, mas que não é praticada por todos”. Paulo Freitas disse que somos todos diferentes, na nossa essência, na educação, mas a igualdade deve ser um elemento diferenciador positivo “o exercício da cidadania está em saber respeitar as diferenças, de religião, de clube, as opções políticas. Se conseguirmos o respeito e respeitar os outros, a sociedade passa a ser mais equilibrada e a igualdade reconhecida”.

No final, Carlos Silva e Sousa, em representação da Autarquia, e Teresa Chaves de Almeida, vice-presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), assinaram um protocolo de cooperação que vem precisamente reforçar o caminho a prosseguir nestas matérias.

Por: Município de Albufeira

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