Loulé

Tudo sobre a morte do “louletano” Kumba Yalá, ex Presidente da Guiné-Bissau

O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, com Kumba Ialá - foto CML

O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, com Kumba Ialá – foto CML

Kumba Yalá residiu em Loulé durante a sua juventude, tendo estudado no então Liceu de Loulé. Figura bem conhecida dos louletanos, chegou a ser figura de um dos carros alegóricos do Carnaval de Loulé em 2001. Já como Presidente da República da Guiné-Bissau, chegou a assistir ao corso carnavalesco ao lado do seu amigo Vítor Aleixo, na altura presidente da Câmara Municipal de Loulé (cargo que ocupa de novo após as Eleições Autárquicas de 2013). Ex-presidente do PRS (Partido da Renovação Social), Kumba Yalá foi vítima de uma paragem cardíaca, depois de ter regressado de Catió em ação de campanha eleitoral.

Kumba Yalá representado num carro alegórico do Carnaval de Loulé 2001 - foto Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Kumba Yalá representado num carro alegórico do Carnaval de Loulé 2001 – foto Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

O antigo Presidente da Guiné-Bissau Kumba Yalá morreu esta sexta-feira, aos 61 anos, devido a problemas de saúde, revelou fonte próxima do ex-chefe de Estado.

Segundo a mesma fonte, que avançou a notícia na habitação de Kumba Yalá, o corpo encontra-se em câmara ardente no Hospital Militar de Bissau.

Últimas fotos de Kumba Yalá, na campanha do candidato presidencial Nuno Nabiam

Kumba Ialá ou Kumba Yalá (15 de Março de 1953 − Bissau, 4 de abril de 2014)

Político e presidente da República da Guiné-Bissau, de etnia balanta, o político guineense fundou o Partido da Renovação Social em 1992, a segunda maior força política do país, e foi Presidente da República entre 2000 e 2003, tendo sido deposto por um golpe militar. Antes de se converter ao Islamismo, diferentemente da maioria dos católicos guineenses, nunca adotou um nome português.

Kumba Yalá, que fez 61 anos no dia 15 de março de 2014, renunciou à vida ativa política a 1 de janeiro deste ano, alegando “haver um tempo para tudo”. Decidira apoiar o candidato independente às presidenciais, Nuno Nabian.

Desportista, refugiou-se em Portugal para fugir ao serviço militar (ainda no tempo colonial). Fez o liceu em Loulé e em Lisboa e, segundo a sua biografia oficial, licenciou-se em Filosofia e Teologia em 1981. Formou-se ainda em Ciência Política em Berlim e, em 1987, chefiou uma delegação do PAIGC a Moscovo (ao 70.º aniversário da Revolução de Outubro).

Ainda segundo a mesma biografia, em 1990 saiu do PAIGC e quatro anos depois foi eleito deputado já pelo PRS. Em 1995 concluiu a licenciatura em Direito, em Bissau. Era casado e deixou vários filhos.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

MORTE de KUMBA YALA: Corpo do ex-presidente e fundador do PRS encontra-se na morgue do Hospital Militar, em Bissau, guardado por vários militares armados, mas não há qualquer esclarecimento adicional por parte desta unidade de saúde. Kumba Yalá, recorde-se, fazia campanha a favor do candidato presidencial independente, Nuno Nabiam. Por: AAS

Morte de Kumba Yalá: Detalhes

Kumba Yala morreu pouco depois da uma da manhã, na clínica do médico e seu sobrinho, Martinho Nhanca. Primeiro, informaram as chefias miltares que se reuniram para debater o assunto e só mais tarde, duas horas depois, o assunto comecou a circular nos meios mais restritos kumbistas, chegando depois ao povo.

Numa intervenção radiofónica, o seu sobrinho, o médico Martinho Nhanca, expressou o desejo do seu falecido tio: “Ser enterrado após a vitória do candidato Nuno Na Biam” que apoiava na corrida para a Presidência da República. E se Nuno não vencer? Respondeu que está fora de questão pois este acabará por ganhar as eleições presidenciais.

Este desejo, aparentemente inofensivo, é fonte de preocupação para os resultados eleitorais para a Presidência da Republica nas eleições marcadas para 13 de abril próximo. Aliás, após o espancamento do candidato a deputado do PRS, Mario Fambé, que ocasionou uma reunião entre o CEMGFA, o general Antonio Indjai nao podia ser mais explícito para os dirigentes do PRS. Terá dito “não ter nada a ver com as legislativas, mas no que toca às presidenciais, o presidente tem que ser alguém da nossa inteira confiança e com quem podemos entender”.

MORTE de Kumba Yala: LGDH envia condolências

NOTA DE CONDOLÊNCIA

O país foi surpreendido esta sexta feira, 4 Abril 2014, com a morte súbita e prematura do ex-Presidente da República, fundador do Partido da Renovação Social, Dr. Koumba Yala.

Koumba Yala esteve na origem de algumas conquistas democráticas alcançadas pelo povo guineense e, enquanto político, proclamava os valores da paz, da democracia e do estado de direito.

Com o efeito, a melhor forma de render a justa homenagem àquele que foi um dos propulsores de abertura ao pluralismo democrático, é continuar a trabalhar para que os valores da paz e democracia sejam uma realidade na Guiné-Bissau.

Neste momento de dor e de tristeza, a Direção Nacional da LGDH (Liga Guineense dos Direitos Humanos) endereça os seus sentidos votos de pesar à família enlutada, ao PRS e ao Povo guineense em geral, na convicção porém, que os ideais pelos quais lutou ao longo da sua vida política serão uma realidade.

A Direção Nacional da LGDH

Existem rumores de que Kumba Yalá foi assassinado/NOTÍCIA DC (Ditadura do Consenso): Existem rumores de que Kumba Yalá morreu na sua casa, e que terá sido ASSASSINADO. Segundo uma fonte do DC, «vários vizinhos ouviram gritarias e choros» por volta das 2, 3 horas da manhã e questiona a razão de o corpo «ter sido levado à socapa para o hospital militar, onde permanece fortemente guardado, com o acesso vedado.» É preciso uma equipa de medicina legal internacional e independente para se apurar a causa da morte do fundador do PRS.

3 dias de luto nacional/NOTÍCIA DC: Governo de transição decreta 3 dias de luto nacional pelo falecimento do fundador do PRS e ex-presidente da Guiné-Bissau.

Candidato Nuno Nabiam suspense ações de campanha

Nuno Nabiam, candidato suportado pelo malogrado Kumba Yalá, suspende hoje todas as ações de campanha, mas retoma amanhã «com mais ânimo ainda», conforme revelou ao DC.

Ramos Horta apela à calma

Ramos Horta, representante do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau Bissau, «apela à calma e ao respeito pelo desenrolar do processo eleitoral em curso no País. Que ninguém politize a morte do Kumba Yala».

Portugal lamenta e pede que «não interrompa processo eleitoral»

O Governo português lamentou hoje a morte do ex-Presidente da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, e pediu que o processo eleitoral continue a decorrer normalmente até às eleições do próximo dia 13, disse fonte do ministério dos Negócios Estrangeiros. Em comunicado hoje divulgado pelo ministério de Rui Machete, o Governo português “formula votos de que este trágico evento em nada venha a afetar o normal desenrolar do processo eleitoral em curso, que deverá culminar na realização das eleições previstas para o próximo dia 13 de abril”. As eleições gerais (presidenciais e legislativas) são “consideradas decisivas, pela comunidade internacional, para a estabilização e o progresso daquele país”, acrescenta a nota. O Executivo expressa ainda as suas “condolências à família enlutada”. Guiné-Bissau vive um período de campanha eleitoral com vista às eleições gerais de 13 de abril, sucessivas adiadas desde o ano passado, que será o primeiro ato eleitoral desde o golpe de Estado de abril de 2012.

PM de Cabo Verde diz que o momento é de «busca de soluções»

“Kumba Yala foi um presidente da Guiné-Bissau. Será sempre uma perda para aquele país. O importante neste momento é que toda a classe política guineense pense no diálogo, na tolerância, na busca de pontes para um grande entendimento nacional. Para uma grande reconciliação nacional. De modo a que todos se orientem no sentido da realização do bem comum, na busca dos caminhos da liberdade, da democracia, da paz e da estabilidade e da reconstituição do Estado de direito democrático para que haja condições para que a Guiné-Bissau possa relançar os alicerces do seu desenvolvimento”, disse José Maria Neves ao saber da notícia da morte de Kumba Yala.
“Apresento as minhas condolências à Guiné-Bissau e à família enlutada. E será sempre um momento de reflexão para a busca de soluções para que os guineenses possam estar à altura dos sacrifícios consentidos durante a luta da libertação nacional. E também à altura do contributo de Amílcar Cabral para a libertação da Guiné e de Cabo Verde”, acrescentou em Lisboa.
Frisou ainda que “independentemente do percurso de Kumba Yala, o que é importante neste momento é que se reflicta sobre os bons e maus momentos da Guiné-Bissau e se possa encontrar o melhor caminho. Guiné tem um povo extraordinário. Tem gente extraordinária. Tenho uma admiração grande por Guiné-Bissau. E, sobretudo, nós cabo-verdianos que devemos muito à Guiné-Bissau”.

«A maldição de ser presidente na Guiné-Bissau»–  por: Lusa/CV

Apenas três dos dez Presidente e ex-Presidentes da Guiné-Bissau, entre eleitos, interinos, de transição, de unidade nacional em 40 anos de independência, estão vivos e dois deles permanecem afastados da política, num país que nunca viu concluir uma legislatura presidencial.
Com a morte, hoje, do ex-chefe de Estado Kumba Ialá, deposto em 2003 por um golpe de Estado militar após três anos na presidência na sequência das eleições de 2000, apenas estão vivos três políticos que se sentaram na cadeira presidencial. O atual, Serifo Nhamadjo, é apelidado de «presidente de transição» e assumiu a presidência após o golpe de Estado de 12 de abril de 2012; o homem a quem sucedeu, Raimundo Pereira, o único presidente interino que acabou deposto, e Carmen Pereira, há muito afastada da política.

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