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Eugénia Lima | Da mais pequena à maior

Já aqui noticiámos a notícia da morte do nome grande do acordeão nacional: a albicastrense Eugénia Lima (ver links abaixo). Quando vivi em Castelo Branco, passava muitas vezes à porta onde a Diva do Acordeão nasceu, na apelidada ‘Rua do Valente Maluco’. Em Castelo Branco deixei muitos e grandes amigos. Um deles, Pedro Salvado, partilhou uma foto na sua página no Facebook que não resisto a partilhar aqui com todos os leitores do PlanetAlgarve:

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Nesta foto, Eugénia Lima, ainda criança, era apresentada como “A MAIS PEQUENA ARTISTA NESTE GÉNERO’. A Diva do Acordeão morreu como ‘A MAIOR ARTISTA NESTE GÉNERO’.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

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BIOGRAFIA DE EUGÉNIA LIMA (pesquisa de Jorge Matos Dias)

Eugénia de Jesus Lima nasceu em 29 de março de 1926. Natural de Castelo Branco, filha de Mário António de Lima e de Maria do Rosário Martins de Lima.

O seu pai era afinador de acordeões e tinha muitos instrumentos desses lá por casa.A sua primeira atuação profissional aconteceu aos quatro anos de idade, no Cinema-Teatro Vaz Preto em Castelo Branco.

A partir dessa altura iniciou um ciclo de atuações em toda a Beira Baixa, que lhe valeram o epíteto da “Miúda de Castelo Branco”.

Aos 13 anos, o pai tentou inscrevê-la no Conservatório de Lisboa mas os responsáveis disseram-lhe que o acordeão não tinha entrada naquela instituição.

Em 1935, estreou-se no Teatro Variedades como atração da Revista “Peixe Espada”. A partir daí, Eugénia Lima actuou em diversas casas de espetáculos de Lisboa da época, como o Eden Teatro, Solar da Alegria, Café Luso, Retiro da Severa, etc…

Atuou pela primeira vez na rádio no dia 21 de novembro de 1935, aos microfones da então Emissora Nacional, num programa sobre o folclore da Beira Baixa.

Foram seus professores de música, dois músicos da Banda Militar de Castelo Branco, José Piló Rodrigues Cambaio e Mário de Nascimento Ribeiro.

A partir de 1936, Egénia Lima, então com dez anos de idade, atravessou uma autêntica odisseia, pois as leis vigentes no País, ao tempo, não permitiam a atuação de artistas menores em casas de espetáculos.

Aos 15 anos, com uma autorização especial, atuou no Casino do Estoril, com enorme sucesso.

Ainda com uma autorização especial emanada da Presidência da República, Eugénia Lima continuou então a atuar em todo o País, não mais parando até aos seus últimos dias.

Começou a gravar em 1943.
Em 1947, foi ao estrangeiro pela promeira vez, a França, onde realizou vários recitais para emigrantes e não só, pois fôra convidada de uma fábrica de acordeões famosa (até hoje) a “Fratelli Crossio”.

Eugénia lima atuou várias vezes na RTP e também em muitas cadeias de televisão dos vários Países onde tem atuado, nomeadamente Estados Unidos da América, Canadá, Venuzuela, Brasil, Argentina, França, Bélgica, Austria, etc…

Em 1947, conquistou o 1.º lugar num concurso de acordeonistas, promovido pela então Emissora Nacional.

Compositora de mais de 200 melodias e muitos arranjos de músicas famosas, tem Eugénia Lima mais de 50 discos gravados, tendo começado a gravar em 1943.

Das muitas composições da sua autoria, destacam-se: «Minha Vida»; «Meu Sonho»; «A Minha Lágrima»; «Picadinho da Beira»; «Fadinho de Silvares», etc.

Foi a fundadora da Orquestra Típica Albicastrense em 16 de julho de 1956.

Em 1962 conquistou o “Oscar Imprensa” como a melhor solista de música ligeira.

Possui inúmeros diplomas, medalhas e placas atribuídos por Entidades Portuguesas e Estrangeiras:

Em maio de 1980, foi agraciada pelo Presidente da República, General Ramalho Eanes, com o grau de Dama da Ordem Militar de Santiago de Espada.

Em setembro de 1984, a União Nanional dos Acordeonistas de França atribui-lhe, pela primeira vez a um estrangeiro, o seu Diploma Honorífico.

Como profissional, era diplomada com o Curso Superior de Acordeão na Categoria de Professora pelo Conservatório de Acordeão de Paris.

O seu nome figura no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis.

Em 10 de setembro de 1986, foi condecorada pelo Ministro da Cultura com a medalha de Mérito Cultural, no Dia Mundial da Música.

Em outubro de 1995, foi agraciada pelo Presidente da República, Dr. Mário Soares, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Eugénia Lima e o Algarve

É extensa, antiga e conhecida a profunda ligação profissional e emocional de Eugénia Lima. Foram décadas e décadas de atuações, incluindo diversas atuações nas Galas do Acordeão do Algarve, promovidas por Francisco Sabóia, fundador do Museu do Acordeão, em Paderne – Albufeira.

Eugénia Lima, numa das muitas reportagens que protagonizou, contava a sua reação quando ouviu tocar, em Castelo Branco, os José Ferreiro (Pai e Filho), de Loulé, quando apenas tinha seis anos de idade, revelando que foram eles que lhe deram a conhecer o acordeão cromático, tanto assim que José Ferreiro (Pai) conseguiu convencer o pai de Eugénia a comprar-lhe o seu primeiro acordeão cromático.

Compôs o tema «Picadinho do Algarve» e o corridinho «Coração Algarvio», reforçando assim a estima que tinha pelo Algarve.

Em setembro de 2011, aos 85 anos, regressou ao Algarve (Castro Marim) para uma festa que reuniu fãs de vários pontos da região. Na ocasião, Eugénia Lima revelou que sofria da doença de Parkison. Os acordeonistas interpretaram durante o espetáculo composições da sua autoria. “As músicas que fiz, foram feitas por amor à arte e refletem o meu estado de espírito naquela altura. Mais de oitenta por cento das minhas músicas nasceram no palco, de improviso”, disse na altura Eugénia Lima, que ainda tocou.

Em fevereiro de 2012, Eugénia Lima, de entre um grupo de profissionais e amantes do acordeão, foi a grande impulsionadora da criação da Mito Algarvio – Associação de Acordeonistas do Algarve, criada com o propósito de preservar a identidade e a cultura do acordeão.

Auto-retrato de Eugénia Lima tirado com o seu telemóvel em 2012

Auto-retrato de Eugénia Lima tirado com o seu telemóvel em 2012

Eugénia Lima faleceu na sua residência, em Rio Maior, na passada sexta-feira, dia 4 de abril de 2014.

A sua cidade de adoção, Rio Maior, dedica-lhe homenagem com a organização da Gala do Acordeão Eugénia Lima, em novembro de cada ano, que este ano será a XIV.

A última entrevista de Eugénia Lima foi à SIC para uma reportagem que se estava a preparar sobre a sua carreira.

PRÉMIOS

1947 – 1.º Lugar no Concurso de Acordeonistas (Emissora Nacional).

1962 -“Óscar da Imprensa” para a melhor solista de música ligeira.

1980 – Grau de “Dama da Ordem Militar de Santiago de Espada”.

1984 – Diploma Honorífico atribuído pela União Nacional dos Acordeonistas de França.

1984 – Condecorada com a Medalha de Mérito Cultural.

1995 – Grau de “Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique”.

‘Picadinho do Algarve’

https://www.youtube.com/watch?v=7yocsXppHro

‘Coração Algarvio’

http://videos.sapo.pt/sIfTTOOZ6L0UitK4gajR

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1 reply »

  1. Penso que nunca mais vai aparecer ninguém que substitua essa senhora ( DIVA do AQCORDEOM) Mundial

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