Quarteira

Colégio Internacional de Vilamoura organiza Conferência sobre 40 anos de democracia e 30 anos de educação internacional

“40 anos de democracia: desafios e novas formas de cidadania!” foi a primeira conferência organizada no âmbito das comemorações dos 30 anos do Colégio Internacional de Vilamoura (CIV) e dos 40 anos de democracia.

O evento, enquadrado no Programa da Comissão Concelhia para as comemorações dos 40 anos da Democracia, encerrou o 2.º Período Escolar e contou com um painel de oradores de vários quadrantes: o Professor Doutor João Duque, Presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão; o Professor Doutor Adelino Canário, Diretor do Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) e o engenheiro João Ministro, responsável pelo Projeto Querença, moderados pela jornalista Conceição Branco.

A Dr.ª Cidália Ferreira Bicho deu início à abertura da sessão com algumas palavras sobre o Golpe Militar de 25 de abril “que pôs termo ao regime ditatorial que vigorou em Portugal durante quase meio século, e que trouxe com ele, entre muitas esperanças, a da resolução dos problemas mais gravosos no ensino em Portugal”.

A Diretora Pedagógica aproveitou a ocasião para fazer um pequeno balanço dos 30 anos de história do CIV, realçando equipas pedagógicas que primam pela perseverança, determinação, investindo diariamente na inovação; os parceiros de excelência: as famílias; e os alunos, que trabalham arduamente para alcançar resultados compatíveis com as suas ambições de futuro. “O CIV promove há trinta anos a multiculturalidade, o respeito pela diferença, o voluntariado, a solidariedade, valores que consideramos imprescindíveis para a construção de uma sociedade mais justa e mais livre!”, disse.

Pegando na pergunta deixada por Cidália Ferreira Bicho à mesa de oradores convidados: “Onde estava no 25 de abril de 1974?”, a jornalista Conceição Branco falou da época, em Angola, recordando que “lutar contra uma ditadura é algo bastante motivador, na medida em que as motivações são coletivas”. Deu assim início ao debate com outra questão: “onde estão as lutas de hoje, o que consideram os jovens importante para o seu futuro?”.

João Ministro arrancou o sorriso da plateia referindo que, à data, se encontrava na maternidade. O engenheiro falou da experiência em dois dos projetos em que se encontra envolvido: o Projeto Querença, promovido pela UALg e a Fundação Manuel Viegas Guerreiro, da qual é um dos coordenadores desde 2011, e o Projeto TASA, que envolve designers e artesãos na promoção de produtos locais.

Criar uma ponte entre os meios académicos e o tecido económico é, para si, uma bandeira (o Projeto Querença surgiu a partir de uma equipa de jovens estudantes da UALg com ideias inovadoras que, durante um ano, tentaram dinamizar uma aldeia do interior). “É cada vez mais necessário passar dos conhecimentos adquiridos na universidade para a prática”, disse, referindo que uma das ideias que estão hoje em bom caminho para se transformarem em negócio se encontrava numa prateleira da UALg. A Pré-Reitora daquela instituição de ensino, Professora Doutora Gabriela Schütz, aproveitou para explicar a orgânica desse “laboratório” de ideias aos presentes e deixou no ar a possibilidade de se organizar uma feira de boas ideias com a finalidade de conseguir parceiros económicos. Segundo João Duque, esta é uma filosofia há muito seguida por escolas americanas e reunir ideias e investidores numa mesma sala pode ser uma boa forma de ultrapassar o “grande divórcio entre as ideias e o dinheiro”.

Seguindo a filosofia de que momentos de crise são altamente transformadores, João Duque cita dois momentos em que se registou uma grande abertura ao nível das mentalidades na sociedade portuguesa: a chegada dos retornados das províncias ultramarinas (“foram integradas 500 mil pessoas”) e a integração na Comunidade Europeia. “Ficámos fechados durante muito tempo, e isso fez-nos esquecer a nossa boa matriz, mas mudou muita coisa desde abril de 74. Fomos puxados de uma forma brutal”.

Aproveitando a plateia diante de si, João Duque recorda os momentos de abril: “acordei para a política na mesma altura em que acordei para a puberdade, e é uma descoberta muito forte para mim. Quando entrei na faculdade sabia todos os ismos da política, e com razoável profundidade”.

À semelhança do economista, também Adelino Canário se dirigia para o liceu quando rebentou a Revolução. Defensor do mar como grande pilar da economia portuguesa, o professor encara este reduto como principal sector económico, na medida em que grande parte do comércio mundial passa pelo mar. “Faltam é políticas para desenvolver o interior”, diz. Esta é, de resto, uma opinião corroborada por João Ministro, que cita a classificação da Dieta Mediterrânica Portuguesa como Património Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas como um fator preponderante para o desenvolvimento de alguns produtos como o azeite, a cortiça e os hortícolas. E vê no corporativismo uma chave para chegar mais longe.

Diante de uma plateia muito interativa, oradores e alunos foram partilhando questões e experiências. Surgiram perguntas de quem tem dúvidas sobre o futuro do país ou sobre aspetos que minam a possibilidade de uma empresa ou um jovem poderem crescer e singrar em Portugal. Demografia, taxas de desemprego, política, emigração, economia, investigação e redes deficitárias de transportes foram alguns dos temas levantados pelos alunos presentes.

Aproveitando uma das intervenções de que “em Portugal, para se ser empreendedor, quase se tem que hipotecar o futuro”, João Ministro interveio. “Há muitas oportunidades”, disse, “mas também tem que existir `veia´ e muita perseverança. Há que trabalhar muito!”.

“Empreendedorismo não é só criar empresas”, adiantou João Duque. “Criar serviços dentro da sua própria empresa é proatividade, é empreendedorismo, e é este espírito que as pessoas esquecem muitas vezes que devem ter dentro das organizações onde estão”.

Aproveitando o tema do empreendedorismo como algo a enaltecer, João Ministro recordou que “não precisamos de doutoramentos para criar negócios”. E exemplificou: “o Projeto Querença começou com nove jovens e apenas 3 decidiram criar empresas”.

João Duque considera importante que todos os jovens tenham uma experiência de trabalho fora do país, mas voltou a referir que Portugal é um excelente local para se viver. Desafiado por um dos alunos presentes, o economista apontou mesmo alguns motivos que fazem do país um local a apostar: “Com o envelhecimento e a escassez de jovens o futuro é uma auto-estrada!”; “as organizações precisam de gente atrevida e esse é um atributo que está entre os jovens”. De resto, “somos uma população que fala a língua universal e aceita muito bem a tecnologia. Temos algumas empresas que estão a fazer um bom trabalho no desenvolvimento de software e consultoria. E não estão em Lisboa”. “Se os suiços, no meio do nada, conseguem o que têm, o que fariam se estivessem no bordo da Europa?”, questiona, ciente de que “a saída da Europa pode ser um bom local!”.

“Vamos ter uma diáspora completamente diferente da do Anos 60”, alvitra. “Esta nova geração de emigrantes vai chegar aos centros de decisão das empresas. Podemos ter o paraíso na terra aqui em Portugal, se trabalharmos para isso”.

Estiveram presentes nesta sessão a comunidade CIV, representada por professores, alunos, encarregados de educação, direção pedagógica, administração, para além da vereadora da Educação da Camara Municipal de Loulé, Drª Edite Teixeira; o Vice-Presidente da CCDR Algarve, Dr. Adriano Guerra; a Pró-Reitora da UALg, Professora Doutora Gabriela Schütz.

A conferência foi encerrada com um bonito momento musical, proporcionado pelo Professor de História, José António Gonçalves. O debate e a Pedra Filosofal, que musica o magnífico poema de António Gedeão, foi uma excelente forma de comemorar abril.

Por: Dina Adão | Programadora cultural Biblioteca Escolar | Assessora de comunicação

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