Quarteira

Os ‘Maios’ regressaram a Quarteira

Quando um povo vai ficando descontente com a situação que se vive no seu país, vai buscar referências ao passado, fazendo renascer tradições ancestrais. Em Portugal, este povo, provavelmente dominado pelo seu subconsciente, onde ficou gravada a frase de quem o governa: “Não é tempo de nos agarrarmos a velhas tradições”, as pessoas fazem precisamente o contrário. Reavivam aquilo que de melhor e mais tradicional existia no seu passado como forma de ultrapassarem os momentos difíceis que vivemos. Saem assim do isolamento, buscando referências que contrariem a desfragmentação social, abraçando práticas de boa vizinhança. Neste caso concreto, estamos a falar da tradição dos ‘Maios’, que regressaram à cidade de Quarteira neste 1.º de Maio de 2014. Podem ser vistos em algumas artérias da zona antiga da cidade, como a Rua da Cabine ou a Rua da Alegria, entre outras.

Por: J. Matos Dias / PlanetAlgarve

O Dia de Maio – Festejar a Primavera, a Natureza e a abundância, por visitalgarve

Dia de Maio é dia de festa. Os festejos populares que o assinalam estão bastante enraizados na população algarvia, e incluem saídas para o campo, piqueniques, caracoladas, danças e cantares.

A tradição manda “Atacar o Maio” comendo figos secos condimentados com erva-doce, acompanhados com aguardente de medronho. Ao final da manhã, o destino é o campo para o indispensável piquenique. Em algumas localidades há actuação de bandas de música e ranchos folclóricos, como em Alte, Alcoutim, Odeleite, Paderne, Monchique e Albufeira.

Festa do M: M de Mel, M de Milho, M de Medronho. Desta feliz conjugação resulta uma outra festa tradicional que se realiza no primeiro dia do mês de Maio, em Monchique, rica nestes produtos. Nada como fazer uma visita para experimentar as especialidades acabadinhas de sair das mãos das doceiras.

Nos três primeiros dias de Maio, é também tradição arranjarem-se grandes bonecos de trapos, enfeitá-los e colocá-los em cima do telhado ou no jardim; chamam-se “Maios” ou “Maias”, consoante o sexo representado. Estes bonecos personificam a Primavera e a fecundidade, e a origem desta tradição estará em certos costumes da Roma pagã, ligados ao culto da natureza.

A TRADIÇÃO DOS MAIOS, por Junta de Freguesia de Estói

A tradição dos Maios, que vem desde os tempos remotos da “Antiguidade Clássica” é uma festividade concretizada no dia 1 de Maio, associada à vinda da Primavera e à fecundidade da terra e por isso era também a festa das donzelas.

Nesta festa as mulheres dançavam a “charola”, um baile de roda à volta de uma árvore ou mastro florido colocado na praça pública, comandado por um mandador.

A tradição propagou-se por toda a Europa e em muitos países, incluindo Portugal, há documentos medievais que provam essa transversalidade.

No Algarve, como noutras regiões isoladas, a tradição perdurou, embora com as metamorfoses próprias do passar do tempo.

Na tradição mais antiga, vestiam-se meninas donzelas de branco, com as cabeças ornamentadas com flores e uma coroa, sentavam-nas às portas das casas ou nas açoteias e em frente delas cantava-se e dançava-se em baile de roda.

As raparigas não deveriam sorrir nem pestanejar e eram chamadas de Maias, donde ainda se use dizer em relação a uma pessoa parada, que parece um Maio.

A alegria dos moços era tentar fazer a Maia sorrir. Nas aldeias, as várias Maias rivalizavam entre elas e aquela cujo “mastro ou balho” tivesse mais gente era eleita a “Maia da Aldeia”.

Quando não havia Maia, armava-se uma boneca em sua substituição, chamando-a de “Maio”.

Os “Maios” no Algarve, por José Farias, in A Defesa de Faro

Os “Maios” ou “As Maias” são uma tradição já quase esquecida no Algarve, mas que nalguns pontos do país continua a ser festivamente comemorada como um símbolo da vitória da Primavera, o despertar da vida sobre o frio e áspero Inverno.

No dia 1 de Maio, nas ruas do Montenegro e na localidade de Bias, em plena EN125, enchem-se de Maios e Maias confeccionados com mestria, bonecos na sua maioria feitos à mão ainda por pessoas idosas, do tempo em que as Festas das Maias eram mais movimentadas e criticas, o que está a voltar a acontecer com muito entusiasmo.

Cada um dos bonecos representa as vivências da região.

Na região algarvia a Maia era personificada por uma boneca feita de palha de centeio, farelos e trapos, vestida com traje branco, cercada de flores.

Quando a noite caía, dançava-se em seu redor e ouvia-se, na voz das moças, o canto:

“O meu Maio moço/ Ele lá vem/ Vestido de verde/ Que parece bem”.

“O meu Maio moço/ Chama-se João/ Faz-me guarda à casa/ Como um capitão”.

Muitos destes escritos voltaram a surgir, agora, nos muitos bonecos de ambos os sexos artisticamente trabalhados à mão, com palha, centeio e panos.

A maioria deles ostenta ditos humorísticos cheios de criticas fortes à sociedade e às próprias pessoas que prometeram, mas que nunca cumpriram as suas promessas de um arruamento melhorado, de uma estrada alcatroada ou de um outro qualquer pedido que nunca chegou a ser satisfeito. As críticas vão quase sempre para as pessoas influentes da terra que poderiam fazer um pouco mais por ela.

Colocados ao longo da estrada e das ruas, estes simpáticos Maios e Maias, garbosamente vestidos e apetrechados, ou cumprindo mesmo as velhas tradições do vestir antigo, são o gáudio para muita gente que vê ou relê nos seus escritos velhas aspirações das gentes da região, ao mesmo tempo que estes bonecos relembram os velhos e remotos tempos em que as Festas das Maias eram celebradas na Florálias, festa romana em honra de Flora.

Antigamente havia no Algarve o velho uso e costume de as pessoas irem para o campo, ao alvorecer do 1.º de Maio, para celebrar a chegada da Primavera. As moças enfeitavam-se, então, e por toda a parte se erguiam Maias, que são as giestas em flor.

Ano após ano, no mês de Maio, por todo o lado, as giestas em flor povoavam a terra verde e adornavam as janelas, as portas, o gado, as crianças e os jovens. Esta é outra tradição quase no esquecimento no Algarve, mas que está agora a renascer, de ano para ano, com a reunião de familiares e amigos e a romaria para os campos onde já é costume não faltar a carne para assar na brasa, o vinho e os saborosos caracóis cozidos com o aroma dos orégãos.

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