Castro Marim

Terras de Sal coloca 85% do produto em três continentes

A cooperativa Terras de Sal, que agrega produtores de sal marinho tradicional de Castro Marim, exporta 85 por cento da produção e procura agora chegar a mercados como o Japão, Suíça ou Canadá, disse à Lusa o diretor de operações.

Terras de Sal no Mercado da Vila, em Vilamoura - foto Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Terras de Sal no Mercado da Vila, em Vilamoura – foto Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Luís Rodrigues falou à agência Lusa do trabalho desenvolvido para permitir à Terras de Sal escoar o produto dos cooperantes “para três continentes” – Europa, Ásia e América.

Um trabalho que tem contado com a parceria da Câmara de Castro Marim, cuja vereadora Filomena Sintra disse ter permitido “recuperar uma atividade que há 10 anos estava quase extinta” naquele concelho do Sotavento Algarvio.

“A exportação tem vindo a crescer cada vez mais e já representa, no volume de negócios, cerca de 85 por cento”, afirmou Luís Rodrigues, apontando Israel, Hong Kong, Estados Unidos, Itália, Alemanha, Espanha, França, Holanda, República Checa ou Brasil como mercados onde a cooperativa já coloca os seus produtos – sal, flor de sal e sal líquido.

A Terras de Sal está agora “à espera dos resultados” de “um cliente que está a fazer uma mostra dos produtos no Japão”, mercado que pode ser o próximo a entrar na lista de países para onde é exportado sal de Castro Marim, à semelhança da Suíça e do Canadá.

Luís Rodrigues frisou que só tem sentido “dificuldades de entrada no continente africano” para a exportação, devido “aos requisitos da Organização Mundial de Saúde” que limitam os “níveis de iodo” a consumir pela população e que são altos no sal marinho artesanal.

A cooperativa tem ajudado cerca de uma dúzia de produtores cooperantes, “absorvendo alguns custos de produção”, que são mais baratos à medida que as quantidades aumentam, referiu ainda Luís Rodrigues, sublinhando que há falta de um local de armazenamento fixo “onde se possa realizar investimento” a pensar no futuro.

A solução está a ser estudada com a autarquia de Castro Marim, que procura também ajudar a revitalizar a atividade com uma candidatura do sal de Castro Marim à Denominação de Origem Protegida (DOP), a poder ser submetida à aprovação “em junho”, disse a vereadora Filomena Sintra.

“A DOP é importante, até porque é um selo de diferenciação. Só um entendido na matéria consegue, pelo paladar e tato, distinguir um bom sal ou uma boa flor de sal de outra. Então, é necessário algum elemento distintivo e eu acredito que a DOP seja um elemento distintivo importante neste produto”, afirmou a autarca.

Filomena Sintra disse que o processo já foi “iniciado há um ano” e visa “demonstrar que Castro Marim é um território que se diferencia dos demais e tem uma história e um enquadramento que justifica a sua DOP” para o sal.

“Estamos muito confiantes que o vamos conseguir”, adianta. “Já existe algum trabalho junto da Direção Regional de Agricultura, que está muito sensibilizada e é um parceiro nesse processo, e estamos a fechar esse dossiê. Já temos o histórico de análises e muitos elementos de arquivo histórico a confirmar que, além de ser atualmente uma atividade importante e com potencial, é a atividade económica mais antiga de Castro Marim”, conclui.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve com Lusa

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