Por: Ana Maria Gonçalves | Económico
Consumidores já estão a pagar investimento de 70 milhões desde 2012.
A interligação eléctrica entre o Algarve e a Andaluzia, cujo atraso de dois anos e meio por parte da Red Eléctrica España tem merecido críticas pelo impacto negativo gerado nas tarifas dos consumidores portugueses, arranca no final de Maio. Uma data que foi avançada ao Diário Económico por fonte oficial da Redes Energéticas Nacionais (REN).
Acordada pelos dois países, no âmbito da criação do Mercado Ibérico de Electricidade, esta ligação aguardava a finalização do troço Puebla de Guzmán a Tavira, desde Outubro de 2011, data em que a REN concluiu a sua parte do projecto.
Na origem do problema estiveram entraves de natureza ambiental, já que esta linha, a 400 kV, atravessa a zona protegida do Parque Doñana. Um conjunto de obstáculos que várias fontes do sector eléctrico afirmam não terem sido acautelados pela REN, atrasando assim a construção das infra-estruturas do lado português, enquanto não houvesse garantias do outro lado da fronteira para o termo das obras.
Em causa está 70 milhões de euros de investimento que foi repassado, antes de começar a dar frutos, para as tarifas eléctricas nacionais. Este montante envolveu a construção da subestação de Tavira e novas linhas de transporte de electricidade.
A ligação a Espanha visava, além de potenciar a bolsa de electricidade ibérica, o reforço da capacidade de segurança de abastecimento do Sotavento Algarvio e do Baixo Alentejo.
A avaliação da efectiva necessidade, para a rede portuguesa, na urgência das futuras ligações a Espanha, previstas no novo plano de investimentos da REN para 2014-2023, é precisamente um dos principais alvos de crítica de vários agentes do mercado. Uma questão que ilustram com o caso da ligação entre o Algarve e a Andaluzia, devido ao custo antecipado que gerou para os consumidores portugueses.
Dos 624 milhões de euros, previsto para o período de 2014-2016, cerca de 12,2% refere-se ao reforço da capacidade de interligação eléctrica entre os dois países. O pacote de investimento global da REN até 2018 eleva-se, no entanto, a 1.065 milhões, não estando especificado qual a parte relativa às novas redes de transporte para Espanha.
O impacto do plano de investimento no bolso dos consumidores mereceu também a atenção da Autoridade da Concorrência, com destaque para os problemas decorrentes do actual modelo de remuneração dos activos da REN. “O risco do investidor é totalmente repassado para o consumidor. (..) Os investimentos realizados pela REN implicam responsabilidades certas no longo prazo para os consumidores. O modelo de remuneração dos seus activos protege o investimento da empresa. Quer as infra-estruturas sejam utilizadas ou não, quer tragam benefícios ou não, os consumidores assumirão invariavelmente o pagamento do retorno do investidor pré-determinado pela regulação sectorial”, destaca esta entidade na avaliação ao plano de investimento.



