Lagos

A CDU e a empreitada de reabilitação da Ponte D. Maria, em Lagos

O Laboratório Nacional de Engenharia Civil procedeu em 10.02.2012 a uma Inspecção da ponte, e no mesmo dia recomendou à Câmara Municipal de Lagos a sua interdição a todo o tipo de tráfego.

LAGOS - Ponte D. Maria original - foto anterior a 1960

LAGOS – Ponte D. Maria original – foto anterior a 1960

A Câmara Municipal cumpriu a recomendação do LNEC, e transferiu este processo para a empresa municipal Futurlagos, que em 2013 apresentou à CCDR Algarve candidatura para financiamento da obra, realçando que a ponte D. Maria é um elemento fundamental no contexto do Património edificado da cidade de Lagos desde tempos imemoriais, e um elemento de grande relevo em termos de “obra de arte”, com os seus arcos de volta perfeita e talhamares de alvenaria de pedra aparelhada, que garantiram ao longo dos séculos a travessia da Ribeira de Bensafrim.

A CDU, ao tomar conhecimento do andamento deste assunto, divulgou, em Outubro de 2013, uma Carta Aberta, entregue à Câmara Municipal em reunião publica, sobre o significado e importância da ponte como património, e que a solução será, muito simplesmente, construir uma nova ponte do lado poente do Pingo Doce, assim se enriquecendo Lagos com a recuperação da valiosa originalidade patrimonial da ponte de antes de 1960, exclusivamente para uso pedestre, ficando satisfeitos todos os interesses envolvidos, públicos e privados, urbanísticos, culturais, comerciais.

Para a CDU, este caso teria merecido amplo debate público abrangendo a população, os saberes técnicos, os valores culturais e os interesses envolvidos.

Em 06.05.2014, a Futurlagos aprovou o projecto em que se constrói uma ponte nova em cima da ponte histórica, e transferiu o processo para a Câmara Municipal.

Ao longo destes mais de dois anos, a maioria absoluta PS na Câmara Municipal não considerou a posição da CDU, nem estudou a proposta de solução alternativa à sua, em que a CDU pretendia salvaguardar todos os grandes benefícios para a cidade provindos duma correcta solução da ponte.

Acresce ainda que foi afirmado que as soluções técnicas foram objecto de avaliação e discussão alargada com o executivo municipal, quando a Câmara Municipal nunca foi ouvida, e foi convocada apenas para se pronunciar sobre a Proposta para o Concurso da empreitada.

Tudo isto revela a falta de uma visão estratégica para a cidade, que integrasse o património histórico e a ligação entre margens da cidade ribeirinha, e que percebesse que o problema não era apenas o de uma ponte, mas implicava a consciência do que deve ser a gestão democrática do Município.

O que ficou bem patente, além da falta de transparência, é que a maioria absoluta PS na Câmara Municipal assume, pela incapacidade própria e pela recusa de diálogo e estudo, a responsabilidade de uma obra irreversível em prejuízo da cidade.

Por tudo o que se expõe, a CDU não podia estar de acordo com a proposta apresentada pela Câmara Municipal, e votou contra.

Por: CDU Lagos

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