Algarve

Encontro Regional de Turismo Rural em Querença: “Algarve é um destino de sol serra e mar”

O Encontro Regional do Turismo Rural do Algarve, com propostas específicas para a região, teve como tónica comum das diversas intervenções o reconhecimento da complementaridade desta oferta, face a outros segmentos.

O Encontro decorreu na Fundação Manuel Viegas Guerreiro, em Querença, aldeia do concelho de Loulé localizada na Serra do Caldeirão e juntou empresários, instituições regionais e autárquicas, assim como dirigentes associativos.

António Ferreira, administrador da Pedralva (Turismo de Aldeia) em pleno Parque Natural da Costa Vicentina, que investiu 4 milhões de euros na recuperação de uma aldeia quase abandonada, frisou a necessidade de adaptar a oferta ao cliente o que, no seu caso, passa pelos operadores turísticos britânicos, polacos e do mercado nacional.

“O Algarve é uma marca fortíssima e muito atrativa”, salientou o empresário, sem no entanto esconder que a burocracia, por vezes, “não é fácil de ultrapassar”.

Neste contexto, o Presidente da Federação Portuguesa de Turismo Rural referiu a proposta entregue ao Governo que passa pela articulação das instituições, pela gestão integrada da oferta, com a criação de uma equipa multidisciplinar constituída pela Federação Portuguesa de Turismo Rural, pelo Turismo de Portugal, pela Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural e pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, e ainda pela criação de mecanismos de promoções e venda.

A diferenciação entre Turismo Rural e o de Habitação urbano, assim como a criação de selos de garantia para o segmento rural e a criação de eventos âncora de âmbito regional, através das comunidades intermunicipais, são outras das propostas do documento.

Reconhecendo uma forte dependência do mercado nacional, Cândido Mendes quer também que avance a criação de uma submarca Portugal Rural, que permita potenciar as diferentes experiências que este segmento pode proporcionar aos turistas, entre eles o usufruto do património cultural e monumental, a gastronomia e enologia e, no caso do Algarve, o clima ameno, o birdwatching, o surf, ou os percursos pedestres ou de BTT.

Pelo seu lado, o presidente do Turismo do Algarve defendeu uma estratégia de complementaridade que a região permite. “Pode-se ir à praia de manhã, almoçar no barrocal e passear na serra durante a tarde”, exemplificou Desidério Silva para quem há que interligar as iniciativas públicas e privadas do Turismo de Natureza.

Na altura foi ainda apresentada a marca “Puro Algarve”, criada num projeto liderado pela Vicentina e que inclui as agências de desenvolvimento local Inloco e Terras do Guadiana, criado para desenvolver uma estratégia de organização e promoção do turismo rural, de natureza e ecoturismo para o Algarve que será apresentado oficialmente a 02 de junho, na Fortaleza de Sagres.

Turismo Rural pode crescer 6% ao ano

A Organização Mundial de Turismo prevê um crescimento de 6% ao ano para o turismo rural, uma oportunidade que no entanto exige respostas eficazes para se poder aproveitar esta janela de oportunidades, na perspetiva de Cândido Mendes.

Para o Presidente da Federação Portuguesa do Turismo Rural há que “trabalhar os territórios”, e os produtos turísticos associados ao setor “têm de funcionar na prática e não se ficarem pelo papel”. Mais formação para os empresários e unidades adequadas à procura, são outras das preocupações de Cândido Mendes.

Por sua vez, Vítor Neto, vice presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP) e presidente do NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve considerou ser importante “valorizar toda a diferenciação dos recursos e da oferta no setor do turismo”.

“O Turismo vai crescer a nível mundial, mas não está escrito em lado nenhum que Portugal continue a acompanhar esse crescimento. Esse é o desafio que temos de enfrentar”, realçou.

Para este empresário e especialista em Turismo, “os destinos de proximidade (Europa) são os mais importantes e a oferta deve ser rica, diferenciadora, criativa e inovadora” de forma a trair visitantes interessados nas mais diversas experiências que o destino lhes pode proporcionar.

Pelo seu lado, Steven Piedade o Presidente da delegação do Algarve da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), defendeu a necessidade de “aproveitar as janelas de negócio que irão surgir em 2014” face a uma conjuntura mais favorável do Turismo e “fazer a conversão do conhecimento em valor”.

Elidérico Viegas, que preside à Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) apontou para uma “dificuldade comum” entre o Turismo Rural e outros segmentos do setor: a comercialização e a promoção.

“Os portais de informação sobre o país e a região deveriam associar uma ferramenta online que permitisse proporcionar o negócio”, defendeu o dirigente associativa colocando de novo na agenda a criação de uma central de vendas.

Na sessão de encerramento o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR) lembrou que “há fundos comunitários para lá dos programas operacionais a que nos podemos candidatar”. David Santos considerou, no entanto, essencial “o reforço do associativismo no sentido de o setor do Turismo Rural ganhar massa crítica”.

A delegação regional do Algarve da Federação Portuguesa do Turismo Rural abriu portas há menos de 1 ano, liderada por Reinaldo Teixeira e está sedeada no Centro de Negócios Vilamoura Jardim.

O Encontro Regional no Algarve insere-se no horizonte de preparação do I Congresso Nacional de Turismo Rural que se vai realizar em Oleiros, nas datas de 20 e 21 de Junho.

Por: FPTR

Categories: Algarve, Turismo

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