Opinião

Quando o coração perde o ritmo

Artigo de opinião do Dr. Carlos Morais, cardiologista e presidente da Associação Bate Bate Coração

Dr. Carlos Morais, cardiologista e presidente da Associação Bate Bate Coração

Dr. Carlos Morais, cardiologista e presidente da Associação Bate Bate Coração

Num adulto saudável em repouso o coração bate cerca de 60 a 100 a vezes por minuto, sendo o seu ritmo regular como o tic-tac de um relógio. Em certas circunstâncias o coração pode bater de uma forma irregular o que se considera uma arritmia cardíaca (perturbação do ritmo cardíaco).

A arritmia cardíaca crónica mais frequente é a fibrilhação auricular que se estima afetar cerca de 200.000 portugueses. Os sintomas mais comuns são a sensação de batimentos descoordenados do coração acompanhados habitualmente de pulsação rápida e irregular. Os pacientes podem referir tonturas, ou mesmo perda do conhecimento, dificuldade em respirar, cansaço, confusão ou sensação de aperto no peito. Os sintomas podem iniciar-se e parar subitamente.

No entanto, deve ser referido que cerca de 1/3 das situações podem ser assintomáticas ou apresentar poucos sintomas que podem ser desvalorizados pelos doentes. Mesmo nos casos em que a doença é assintomática, ela pode ser detetada através de uma medida simples e que todos podem aprender: basta saber avaliar a pulsação. Muitas vezes a suspeita de fibrilhação auricular começa pela medição de uma pulsação muito acelerada e irregular. Medir a pulsação pela palpação de uma artéria do pulso é uma manobra muito simples e que pode ser ensinada a todos em poucos minutos. O diagnóstico desta arritmia pode ser feito pela simples realização de um eletrocardiograma (ECG). Uma das complicações mais graves da fibrilhação auricular é a ocorrência do acidente vascular cerebral (AVC) que pode ter consequências devastadoras.

Cerca de 1/3 de todos os AVC, tem como origem a fibrilhação auricular, sendo que os AVC relacionados com esta arritmia são habitualmente mais graves. A prevenção da fibrilhação auricular é semelhante à de outras doenças cardiovasculares e passa por evitar a ingestão de bebidas alcoólicas em excesso, o tabagismo, o sedentarismo, o excesso de peso e o stress.

Para melhorar o conhecimento, o diagnóstico, a prevenção e o tratamento desta doença, a Associação  Bate Bate Coração está a promover em Portugal a assinatura da Carta dos Direitos  dos Doentes com Fibrilhação Auricular. Ajude-nos nesta causa assinando o documento disponível no site: http://www.signagainststroke.com/pt

A Associação Bate Bate Coração é uma das mais de 50 organizações que, por todo o mundo, apoiam a Semana Mundial do Ritmo Cardíaco que, este ano, se comemora entre os dias 2 e 8 de junho. Consulte mais informações na nossa página do facebook em: https://www.facebook.com/paginabatebatecoracao

Categories: Opinião, Saúde

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