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José Sequeira Gonçalves fala de “Adeus, até ao meu regresso” na Biblioteca Municipal de Albufeira | 25 de julho

Ser escritor sempre fez parte dos seus sonhos. Iniciou-se em 2007, entre uma carreira dedicada ao ensino, com a obra A cruz de Portugal, prosseguiu com Amanhecer na rotunda (2010) e estreia agora o seu terceiro romance: Adeus, até ao meu regresso. Dia 25 de julho, na Biblioteca Municipal de Albufeira.

Com a História e a importância da memória mais uma vez como pano de fundo, esta obra fala de Abril de 74, mas sobretudo de laços de amizade. Reviver a História é algo que está enraizado em José Sequeira Gonçalves e sempre que o faz o escritor sente reacender o seu lado de historiador e investigador. Mas a memória cativa-o também, confessa, “porque aquilo que guardamos de um momento foi sempre um caminho fascinante para mim”.

“Perceber de que forma o mesmo momento influencia quatro amigos foi, por isso, um grande desafio neste livro”, diz. O tom intimista que habita Adeus, até ao meu regresso, conferido pelo uso de uma escrita na primeira pessoa, é terreno fértil para fazer viver quatro personagens (2 rapazes e 2 raparigas) que se conhecem nos anos 60 e seguem percursos distintos. O que desencadeia a memória destes quatro amigos? é uma pergunta inerente à obra.

Cidália Ferreira Bicho, Diretora do Colégio Internacional de Vilamoura, docente e amiga pessoal do escritor, realçou no lançamento da obra, que aconteceu no Dia Mundial do Livro, na Livraria Desassossego, em Lisboa, que “este livro retrata quatro quedas em períodos distintos da História: a do regime ditatorial salazarista, a 25 de abril; a do avião de Francisco Sá Carneiro; a do Muro de Berlim; e a das Torres Gémeas, a 11 de setembro de 2001”.

Em 594 páginas, escritas ao longo de dois anos, o autor regista muitos encontros e desencontros. “Gostei da agitação dos vários momentos”, diz, embora a personagem de Tiago venha mais vezes à conversa. Encontra um pouco de si em cada um, mas no seu imaginário “Tiago é muito aquilo que eu gostava de ter sido”.

Viveu 22 anos em Ditadura. Recorda tempos de infância e adolescência em Messines, “um pequeno lugar onde nada acontecia”. O pós 25 de abril levou-o, por isso, a um despertar. “Desenvolvi uma cidadania ativa e considero que continuo a ser um idealista. Penso que, apesar de tudo, o mundo está hoje muito melhor do que há alguns anos atrás…”.

A prova é que nunca desistiu desse sonho. Escrever fez parte de si desde tenra idade. As histórias começaram por surgir “num pequeno caderninho que guardava debaixo da cama” e continuaram páginas fora em diários. “Comecei a escrever diariamente em 1980 e em 2000 decidi encadernar tudo num único volume”.

É por um acaso ligado à prática do xadrez, modalidade que dinamiza de forma muito ativa na década de 90 no Colégio Internacional de Vilamoura, onde é professor desde 1987, que segue o seu curso de História, área na qual acaba por realizar o seu mestrado. Enquanto docente, cria nas turmas do 5.º ao 9.º ano Os 12 Trabalhos de Apolo, um projeto que “depois de seis anos em vigor, conta já com 773 apresentações orais”. “Colocar o aluno a pensar” é a trave mestra das suas aulas. “O estímulo para trabalhar/estudar está no jogo”, diz.

E, porque o lado da pedagogia tem um forte peso no seu perfil, o novo romance, que se encontra quase terminado, prende-se ao seu lado de educador. “É quase um testamento pedagógico”, diz. “Tinha que escrever este livro um dia”.

José António Gonçalves tem 61 anos e… muitas dúvidas. “Abençoada seja a dúvida porque não há nada de mais frustrante do que ter certezas”, diz, esboçando um largo sorriso. “A certeza pode”, afinal, “acabar por ser algo estéril e errado”. Tem 2 filhos e considera-se uma pessoa feliz. Alimenta o sonho de conhecer o mundo.

Por: Dina Adão – Colégio Internacional de Vilamoura

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