Albufeira

ZOOMARINE | Com Barbatanas, Pernas e Asas se faz uma Grande Viagem

Em Janeiro não tinha nome, não tinha família, estava perdida e pesava apenas 18 quilogramas… Mas apenas sete meses volvidos, a evolução é fantástica: o peso mais que duplicou (é, agora, 48), o comportamento tornou-se muito mais intenso e curioso e, claro, “evoluiu” de uma anónima “Halichoerus grypus” para o nosso LUDO. A mudança, portanto, é deliciosa e incontornável: no início do ano era uma “simples” cria arrojada de foca-cinzenta e hoje é um especial membro da família Zoomarine; membro esse que hoje nos vai deixar – e para sempre.

foca

 

A história do Ludo começou várias semanas antes de arrojar, a 4 de Janeiro, na Praia da Mareta, em Sagres. Antes desse encontro com lusitanos, aquele que agora é o nosso LUDO era uma cria de foca que havia sido desmamada e que, por força do destino (e das correntes, marés e natações de um bebé inexperiente, devido às suas poucas semanas de vida…), havia sido arrastada para as costas de Portugal Continental.

No entanto, com a intervenção da equipa de reabilitadores afectos ao Porto d’Abrigo do Zoomarine (equipa que inclui biólogos marinhos, veterinários, enfermeiros-veterinários, técnicos de nutrição, técnicos de qualidade de água, entre muitos outros), o LUDO está agora muito maior, muito mais forte e apto a tentar um regresso ao meio selvagem.

Devido à área natural de distribuição da espécie, a devolução ao Oceano não poderá ser feita em Portugal, mas sim na costa Sudoeste de Inglaterra (para onde o Porto d’Abrigo do Zoomarine já reenviou outras focas, após terminarem a sua reabilitação). Desta forma, e repetindo uma excelente cooperação com a TAP-CARGO, o LUDO irá hoje viajar na cabine do voo da TAP para Heathrow, onde a esperará uma equipa do Cornish Seal Sanctuary, em Gweek (Cornwall).

Para que a viagem seja rápida e segura, a TAP-CARGO, uma vez mais, adaptou a cabine de uma das suas aeronaves, de modo a que a foca possa viajar junto da sua equipa de reabilitadores, de um representante do ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e três profissionais da TAP. Será esta equipa que documentará a operação e, acima de tudo, que assegurará, minuto-a-minuto, o bem-estar e conforto do LUDO.

Após a chegada ao Cornish Seal Sanctuary, o LUDO permanecerá alguns dias em aclimatação, após o que o seu regresso ao Oceano Atlântico será incontornável. Será então que se fechará uma aventura técnica e biológica que envolveu quase 8 meses de trabalho e cuidado, algumas dezenas de profissionais, centenas de documentos, vários veículos, 2 empilhadoras, 2 ou 3 máquinas fotográficas, uma aeronave da TAP e, claro, uma muito curiosa, muito activa e muito, mesmo muito sortuda foca bebé…

Por: Élio Vicente, biólogo marinho – Porto d’Abrigo do Zoomarine

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